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O buraco

24/03/2013 12:44

Começou pequenininho, era aquele buraquinho que por ele não passava nem a bola de bilhar.
De repente, olha o buraco a se espichar, na rua central, a mais central do lugar.
Quando alguém reclamou e ligou para a Prefeitura,
de lá responderam assim:
“Tapa com esparadrapo que o buraco assim tem cura”.
E o buraco foi crescendo, o pessoal desviando,
o povo ainda tentando do buraco se livrar.
Mas que buraco legal !
Ao cabo de uns bons três anos lá já tinha um coqueiral.
E quando algum descuidado pelo buraco caía,
no jornal sempre saía o drama do envolvido, claro, na coluna certa:
a do desaparecido.
E o buraco foi crescendo, crescendo, até que um dia, afinal,
alguém resolveu fazer uma investigação e programou direitinho,
para lá, uma excursão.
Convocou a imprensa falada, escrita, televisada,
deu entrevista de herói, disse que o povo se dói,
e que no dia seguinte quando voltasse dalí, ralado, cheio de dor,
se lançava candidato até pra governador.
E mergulhou, de cabeça, no buraco do horror.
Mas que surpresa engraçada ele encontrou no buraco.
Lá dentro tinha de tudo:
Muita rua asfaltada sem um buraco sequer;
um povo ordeiro, pacífico respeitando, vejam só,
os direitos da mulher.
E um grande supermercado bem no meio do buraco com uma grande sensação:
Os preços sempre marcados com custo abaixo do chão.
Foi quando olhou o buraco
com grande sofreguidão e
viu uma estrada comprida.
Sem saber a direção
foi caminhando, caminhando, caminhando
e foi grande o seu espanto, seu ardor, sua emoção.
Descobriu que a Prefeitura não estava errada, não.
Mas que obra grandiosa, meu Deus, quanta sensação! Aquele buraco grande que fora aberto no chão
era a grande ligação
Entre o Brasil e o Japão.

 

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Bolsa de Mulher.

22/03/2013 05:33

Ou a mulher deixa de andar na moda ou então, comigo, roda.
Querem sentir o meu drama?
Entrei num ônibus lotado e lá fui eu, pendurado, oprimido, espremido,
quando a madame entrou com uma bolsa xadrez
que tinha mais ou menos
um metro e meio por três... Ou seis.
Uma bolsa dessas da moda, em vime ou em pelica,
em formato de caixote ou de cuíca.
E tome eu a levar bolsada.
Bolsada no cotovelo, na cara, no tornozelo,
bolsada aqui pela nuca, na barriga, aqui no queixo...
Ela então abriu a bolsa,
o motorista freiou, eu meti o pé, houve aquele remeleixo,
eu caí dentro da bolsa e ela trancou o fecho.
Pensei que ia morrer sufocado, asfixiado, mas nada disso.
A bolsa tinha ar-condicionado, tinha piscina, tinha praia,
tinha um bar executivo do lado.
Resolví sentar pra descansar e então fazer um estudo detalhado,
um exame, de tudo o que havia alí naquela bolsa de madame.
Está tudo aqui anotado:
Havia rímel, pó de arroz, baton,
caderninho de endereços marrom,
peruca loura, um balangandan, óculos pretos,
chicletes de hortelã,
um telefone celular, um retrato do Lulalá,
umas moedas, um guarda sol maior que um paraquedas,
uma imagem de Santa Terezinha,
um sanduíche de galinha, quatro tapetes, oito sabonetes,
um pacote de camisinha, uma conta por pagar,
a tornozeleira do Júlio César – “daí a César
o que é de César - um pote de mel,
cinco bombons de chocolate,
três abacates, além de uma pecinha duplicada,
ultrapassada e superada que elas usavam, com todo o respeito
cobrindo o peito.
Bem, mudando de assunto:
Agora que eu fugi da bolsa-monumento,
agora que escapei da bolsa apartamento,
vou lhes dizer:
De hoje pra frente, eu juro solenemente...
A mulher pode ser loura ou morena,
pode ser pobretona ou soçaite,
pode ser brasileira ou chilena, seja russa,
holandeza ou romena,
do Haití, do Hawai, do Nordeste, do Flamengo ou de Inhaúma...Eu não quero nenhuma...
Enquanto não usar bolsa pequena.


 

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Quando menos se espera chega o Papa Chico.

15/03/2013 14:00

E chega de mansinho.

Sem alarde.

Com poucas, mas interessantes palavras.

Cardeal de Buenos Aires primava, dizem seus compatriotas, pela humildade.

Ao invés de carros de luxo e palácios para morar, usava os ônibus da capital e morava num pequeno quartinho nos fundos da catedral.

Já ouso chamar esse Papa Francisco de Papa Chico exatamente porque ele transmite no seu olhar, no seu sorriso tímido e sincero todos os Chicos humildes e sem pomposidade que conhecemos.

A Igreja católica estava precisando de uma renovação em todos os sentidos.

Precisava sobretudo de um Papa que se chegasse aos fiéis com a intensidade que chegava o saudoso João Paulo II.

O mundo estava precisando novamente de um pai.

E Papa quer dizer pai.

Precisamos de seus conselhos, de suas orações e até de suas intervenções para tornar o mundo mais pacífico e menos guerreiro.

Algo me diz que o Papa Chico veio para isto.

Algo me diz que os sentimentos vão reflorescer nos corações das pessoas e que ele com a ajuda D’Ele haverá de plantar mensagens positivas para estadistas do mundo inteiro.

Seja bem vindo Papa Chico.

Sinta-se em casa, por favor.

E deixemos as dissenções com os argentinos apenas para o futebol.

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Endeusamento é coisa do passado.

09/03/2013 15:39

Estamos em pleno Século 21 e vivemos na América do Sul que um dia já foi muito atrasada e repleta de ditadores e caudilhos em todos os seus países.

Mas este é um tempo que devemos considerar como ultrapassado já que a democracia é uma exigência e a perpetuidade no poder é rechaçada por gregos e troianos.

No entanto, convivemos com um Hugo Chavez que fez de tudo para que as suas “reeleições” fossem uma constante na Venezuela.

Aí, o destino lhe mostra que a vida não é perpétua e um câncer o tira de circulação, ainda jovem para o poder, no viço de seus 58 anos.

Popular se tornou, evidentemente por medidas populistas que fizeram com que uma grande parcela dos venezuelanos o colocasse em um pedestal especial.

Mas daí a chegarem ao cúmulo do embalsamamento e da futura colocação de seu corpo em caixão de cristal exposto ao público em um Museu a ser criado, é realmente demais!

Um endeusamento que não mais se aceita e que bem poderia ser abolido com a normal inclusão de seu nome na história de seu país e até do mundo.

Sem extrapolações, sem fanatismos, sem querer transformar o “chavizmo” em religião.

A Venezuela poderá no futuro se arrepender do lapso de hoje que, certamente, terá reflexos no seu amanhã.

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Alagoas está na frente em tecnologia de informação.

03/03/2013 05:19

Eu até acho que a geração a que pertenço foi altamente privilegiada porque teve a oportunidade de viver as grandes modificações que nos levaram ao campo atual.

O rádio mandava e era o grande comunicador.

O advento da televisão em preto e branco, com pouca gente tendo os aparelhos e muitos televizinhos afluindo.

A telefonia dando enorme trabalho para que se falasse de um lado para o outro.

Os aviões bimotores como integração social (as mulheres usavam chapéu para viajar).

A doença fatal era a tuberculose e os hansenianos eram chamados de leprosos e isolados da sociedade.

Tudo mudou rapidamente e, nos últimos sessenta anos, vimos chegar a televisão a cores, a 3D, os grandes supersônicos cortando os céus, a descoberta de drogas curativas de alto nível, a clonagem, o mapeamento do DNA humano, o computador com seus enormes avanços e a internet ligando o mundo.

Lembro-me que já nos anos 70 fui ao I Congresso Mundial de Comunicação levando um projeto de comunicação bilateral que nada mais é, hoje, do que a TV Interativa e que causou tumulto naquele congresso em Acapulco.

E se formos enumerar todos os avanços que vivemos não teremos páginas para escrever.

O que vale é saber que vimos as transformações mais preciosas de todos os séculos.

E que, desejamos a essa nova geração tecnológica que aí está que tire o melhor proveito com maiores e melhores mudanças no mundo.

Esse artigo homenageia Alagoas, cujo parque tecnológicoda informação avança e mostra-se como um dos melhores do mundol. Último mês o "hand talk" uma invenção de alagoanos ganhou um prêmio mundial em Abi Dhabi. 

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Primeira Edição © 2011