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Economista formado pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Pós graduando em Gerenciamento de Projetos pela Faculdade Maurício de Nassau. Consultor de gestão de negócios e planejamento financeiro pessoal. Instrutor de cursos de matemática financeira e análise de investimento. Dúvidas, comentários ou sugestões de temas, enviar e-mail para: romulobs@yahoo.com.br

Revisão contratual: nocivo e vicioso.

20/02/2014 17:31

É comum ouvirmos amigos falando que financiaram um carro e depois entraram na justiça para fazer revisão contratual. Todo mundo conhece alguém que já fez isso. Em geral a alegação é que a culpa é sempre dos bancos que cobram juros abusivos chegando até a dobrar o valor do bem financiado.

A solução muitas vezes encontrada para não ter o bem tomado pela instituição financeira é recorrer à justiça solicitando uma revisão contratual.

Minha opinião é que somos apressados e, a pressa é inimiga da perfeição. É a pressa que nos impede de irmos atrás de informações antes de comprarmos e assinarmos um contrato de financiamento. O ditado diz que ‘quem tem pressa come cru’. Em finanças, ‘quem tem pressa sempre paga mais caro’.

Fico me perguntando como é que lemos um contrato, concordamos com o que está ali escrito, assinamos, recebemos o dinheiro objeto do contrato, fazemos o financiamento, levamos para casa o bem financiado novinho em folha e, poucos meses depois entramos na justiça alegando que fomos, digamos, "abusados financeiramente” e, que agora queremos fazer uma revisão dos cálculos do financiamento só porque não estamos conseguindo mais pagar as prestações?

Analisemos. Quem foi realmente lesado nesta negociação? O banco que entregou o que se propôs ou nós, consumidores, que não fizemos as contas direito, superestimamos a nossa capacidade de pagamento e achamos que conseguiríamos pagar as prestações que cabem, ou melhor, cabiam no bolso, assumimos um compromisso e não estamos fazendo jus a nossa assinatura?

Ninguém pega na nossa mão e nos faz assinar um contrato. Os bancos não obrigam ninguém a entrar e pegar dinheiro emprestado com juros abusivos. As operadoras de cartão de crédito não nos obrigam pagar o mínimo da fatura e rolar o saldo no rotativo com juros altíssimos. Fazemos tudo isso por livre e espontânea desorganização, pressa em consumir e falta de educação financeira.

A diferença entre o remédio e o veneno está na dose: recorrer à justiça toda vez que fazemos um financiamento é nocivo e vicioso. É um veneno, pois nos impede de sair da ignorância financeira. É como se tivesse alguém sempre passando a mão na nossa cabeça toda vez que erramos.

Não vivemos num mundo de faz de contas. Vivemos num mundo em que precisamos fazer as contas.

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Hora de comprar carro financiado.

17/02/2014 18:58

Nessa hora, o que deve ser levado em consideração é o preço total do que você está comprando. Depois de ter definido o modelo do carro desejado, a negociação deve ser focada no seu preço. A maioria das pessoas esquecem disso e concentram-se unicamente nas prestações, chegando ao ponto de não perceber que ao preço do carro são somados um monte de penduricalhos, como por exemplo, a TAC (taxa de abertura de crédito), que onera bastante o valor do financiamento e que é negociável.

Na verdade, tudo é negociável.

O importante é saber o que está sendo colocado no financiamento do carro, como o emplacamento e o seguro, que valem por 1 ano e, serão pagos parcelados, com juros altíssimos enquanto durar o carnê do carro; garantia estendida que, segundo o vendedor, é muito pouco, "só R$ 35,00 a mais em cada prestação"; depois vem película fumê, trio elétrico, vidro elétrico...

Então, o que deveria ser:

Preço do carro à vista + juros = prestação do carro.

Torna-se:

Preço do carro à vista + TAC + emplacamento + seguro + pelicula fumê + trio elétrico + garantia estendida + vidro elétrico + alarme + etc + juros= DOR DE CABEÇA.

Não adianta focar em negociar apenas a taxa de juros, pois qualquer redução que você consiga, é compensada com o aumento dos penduricalhos.

É exatamente isso que o vendedor, seu amigo, quer de você. E não adianta colocar a culpa no vendedor. Também não pense que o vendedor está ali para lhe ajudar. No final do mês ele precisa receber o salário e pagar as contas e, quanto mais vender financiado, mais gorda será sua comissão.

Tudo é negociável!

O melhor dos mundos seria juntar o dinheiro e comprar o carro à vista. Mas como o melhor dos mundos nem sempre é possível, a melhor maneira de manter o preço e a prestação isolados, é conferir se estão totalmente isolados.

Se realmente precisar financiar um carro, combine o financiamento com antecedência com o banco ou com a financeira. Explore todas as formas de pagamento, juros e tarifas. Vá à concessionária para negociar apenas o preço do carro. No final você compara o financiamento da concessionária com o financiamento pré-negociado com o banco ou com a financeira.

Para terminar, é importante lembrar que a exigência do governo para que os carros novos saiam de fábrica com air bag e freios ABS (o que deve encarecer o preço dos carros), a taxa de juros (SELIC) em alta e o IPI dos carros aumentando (voltando aos níveis antes dos incentivos fiscais), são alguns sinais de que é saudável para o seu bolso evitar ao máximo comprar carro financiado.

Contudo, se realmente o financiamento for inevitável, faça-o no menor prazo possível. O ideal seria no máximo em 24 meses.

Mas como nem sempre o ideal é possível... respire fundo e, muita calma nessa hora.

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IPVA: Fazenda, banco ou Caderneta de Poupança, o que é melhor?

30/01/2014 19:24

Fui questionado se é vantagem pagar a cota única do IPVA aproveitando o desconto, ou na falta do valor total da cota única, pagá-lo parcelado.

Temos aqui algumas opções:

1 – pagar a cota única e aproveitar o desconto;

2 – Na falta do dinheiro para pagar a cota única, financiar o IPVA pela Fazenda, pagando parcelado.

3 – Pagar a cota única com o dinheiro da Caderneta de Poupança;

4 – Ou pagar a cota única com dinheiro emprestado do banco;

Vamos as contas de um caso real:

Valor do IPVA: R$ 472,98
28/02/14 – R$ 425,69 – cota única com desconto de 10%.
28/02/14 – R$ 157,66 – 1 parcela
31/03/14 – R$ 157,66 – 2 parcela
30/04/14 – R$ 157,66 – 3 parcela

O juro cobrado pela Fazenda estadual para financiar R$ 425,69, que é o valor com desconto para pagamento em 28/fev, em 3 parcelas de R$ 157,66 é de 11,55% a.m. Estratosféricos 271,22% a.a.!

Segundo Nota de Impressa divulgada pelo Bacen em 29/01/14, a taxa de juros média do cheque especial fechou dezembro/2013 em 147,9% a.a. Interessante é que os governantes ainda têm coragem de criticar as instituições financeiras por cobrarem juros abusivos.

Em outras palavras, é melhor utilizar o cheque especial e pagar a cota única do IPVA!

Calma, tem alternativas mais baratas.

Para quem tem o dinheiro parado na Caderneta de Poupança use-o, pois em hipótese alguma ele irá render mais que o desconto obtido no IPVA. Para quem não dispõe de Caderneta de Poupança, simule no site do seu banco um empréstimo no valor da cota única e na quantidade exata de parcelas. Para essa última alternativa, utilizando como base uma taxa média de 5,0% a.m., você ficaria devendo ao banco 3 parcelas de R$ 156,32 ao invés de ficar devendo à Fazenda 3 parcelas de R$ 157,66 e, ainda “ganharia” 30 dias de folga no orçamento, pois a primeira parcela do empréstimo do banco você só pagaria em 28/03/2014 (considerando que você faria o empréstimo em 28/02/2014, que é a data de vencimento da cota única).

Resumindo:

Fazenda estadual cobra juros mais altos que os bancos, portanto essa alternativa deve ser descartada; usar o dinheiro da Caderneta de Poupança e pagar a cota única é sinal de inteligência financeira e, pegar dinheiro emprestado no banco para pagar a cota única PODE ser uma boa alternativa. Vale fazer uma simulação antes.

Inteligência financeira ainda será começar a se programar agora em 2014 para pagar o IPVA de 2015. Como? Transformar essa despesa anual em uma despesa mensal. R$ 425,69 dividido por 12 meses, equivale a reservar no seu orçamento de 2014, apenas R$ 35,47 por mês. Experimente.

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Boas-vindas

26/08/2013 08:58

Há mais de 2 anos escrevo, mensalmente, textos sobre dinheiro, educação financeira, controle e planejamento financeiro, consumismo, finanças comportamentais, compra e negociação de bens, realização de objetivos, investimentos etc., e divulgo-os numa lista de distribuição de e-mails. Meu objetivo ao criar esse blog é dar acesso ao conteúdo desses textos ao maior número de leitores possível e, com isso, compartilhar com vocês mais de minha experiência como consultor financeiro pessoal e gestor de pequenos negócios. Quero também provocá-los a questionar minhas experiências, teorias e ponto de vista sob a ótica do planejamento financeiro e sucesso profissional.

Resumindo, com uma visão bastante crítica e com uma linguagem bastante simplificada, escrevo sobre economia para não-economistas. Abordarei assuntos atuais da nossa economia para entendermos como eles podem afetar diretamente nossa vida e nossos negócios. Conto com você para que possamos fazer da economia um tema agradável de ser estudado, compreensível e útil.
 

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Décimo terceiro no bolso, e agora?

26/08/2013 18:01

Os assegurados alagoanos do INSS receberam ontem, 26 de agosto, o adiantamento de 50% do 13º salário. Segundo dados do INSS, o valor total injetado na economia alagoana será de R$ 141.262.486,35.

Décimo terceiro no bolso, e agora?

Primeiro deve-se dar prioridade ao pagamento de dívidas em atraso. Caso não tenha dívidas em atraso, liquidar algum empréstimo. Se o valor disponível em mãos não for suficiente para liquidar o empréstimo, adiantar o pagamento de parcelas pode ser uma boa decisão a ser tomada. Em qualquer um dos casos, deve-se quitar a obrigação que tenha a maior taxa de juros. Como exemplo, dívidas no cartão de crédito ou no cheque especial devem estar no topo da lista de prioridades. Razão para isso é que não há, pelo menos eu desconheço, investimento algum que renda mais do que os juros pagos em dívidas/empréstimos, mesmo considerando os consignados em folha de pagamento que são tidos como os que cobram taxas de juros mais baixas do mercado.
Segundo, caso você não tenha dívidas atrasadas, nem empréstimos, aconselho fazer alguma reserva para emergência, pois imprevistos sempre acontecem. É oportuno lembrar as tradicionais despesas que ocorrem no começo de cada ano como IPTU, IPVA etc. Ter dinheiro disponível para pagar essas contas à vista já garante uma boa economia e alívio no orçamento durante todo o ano que virá.
Por fim, caso deseje realmente direcionar esses 50% do seu décimo terceiro para o consumo, aconselho que antecipe as compras de Natal e programe-se, desde já, para comprar roupas, sapatos, presentes, bebidas (vinhos, champagne), alimentos (enlatados), artigos de decoração etc. No final do ano estes itens estarão mais caros em virtude da própria sazonalidade natalina que, neste ano, será potencializada pelo efeito do aumento do dólar.
 

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Primeira Edição © 2011