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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Aposta do grupo de Lira e Cunha era atrasar eleição de Paulo Dantas por dois meses. Perdeu.

17/05/2022 14:06

Quando entrou na Justiça para barrar a eleição indireta do novo governador de Alagoas, o grupo do deputado Artur Lira (PP) e do senador Rodrigo Cunha (União Brasil) tinha como objetivo, não resolver problemas do Estado, mas retardar ao máximo (a expectativa era de dois meses de paralisação do pleito) a chegada do deputado Paulo Dantas (MDB) ao governo do Estado.

Lira perdeu. O ministro Luiz Fux, presidente do Supremo, até suspendeu a realização do pleito inicialmente marcado para às 10 horas do dia dois de maio, na Assembleia Legislativa, mas apenas uma semana depois a estratégia de Artur Lira caiu por terra: o ministro Gilmar Mendes, relator do recurso impetrado pela oposição, e apenas com algumas alterações no edital, decidiu pela imediata convocação do processo eleitoral.

Mendes ordenou mudança em dois pontos do edital original:

1 – A eleição do governador não poderia ser separada da do vice, devendo a chapa ser uma como nas eleições convencionais;

2 – Qualquer cidadão poderia concorrer, mas desde que filiado a um partido político e sem pendências com a Lei da Ficha Suja.

A atitude mesquinha do grupo de Rodrigo Cunha e Artur Lira colocou Alagoas, durante uma semana, em situação de ‘anomia’ ou de ‘anomalia constitucional’, uma vez que a interinidade do desembargador Klever Loureiro, presidente do Tribunal de Justiça, no exercício do governo acabou exatamente no dia dois de maio, data da eleição do governador-tampão. Oficialmente, o Estado ficou sem governador, apenas com alguém 'respondendo' pelo cargo....

A derrota de Lira e Cunha ocorreu não apenas pela decisão do Supremo Tribunal de mandar realizar a eleição ‘de imediato’, mas também porque, enquanto durou a ordem de suspensão, o nome do deputado Paulo Dantas foi tão mencionado quanto o do senador Renan Calheiros, presidente do MDB, e do próprio Artur Lira que pretendia, não corrigir nada, mas simplesmente evitar que Paulo Dantas ganhasse visibilidade, já que, além de se eleger governador-tampão, concorrerá à sucessão estadual em outubro.

Venceu a batalha - na Justiça e no voto - o senador Renan Calheiros, junto com Paulo Dantas, Marcelo Victor, Renan Filho e a quase totalidade dos deputados estauais.

E o povo alagoano, principalmente.

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Uma coisa é Lira na Câmara. Outra, é o Artur em Alagoas

09/05/2022 10:26

Mesmo com poderes para manobrar os recursos do famigerado ‘orçamento secreto’, o deputado Artur Lira perdeu a grande batalha pelo controle da Assembleia Legislativa de Alagoas. Poderia – e deve tê-lo feito – acionar prefeitos, mormente os ligados ao seu partido, o PP, para cooptar e conquistar adesões de deputados no Legislativo Alagoano, mas não deu. Mesmo porque foi o MDB, de Renan Calheiros, o partido que mais elegeu prefeitos e vereadores no pleito municipal mais recente.

Lira não conseguiu para seu projeto político a adesão do presidente da Assembleia, Marcelo Victor, com quem travou e venceu a disputa pelo controle do União Brasil, um partido endinheirado e, hoje, abrigo de políticos de todos os matizes.

O presidente da Câmara, portanto, venceu Marcelo Victor no embate em Brasília, mas perdeu a luta – muito mais decisiva – pelo controle da maioria dos deputados estaduais.

E pela força e liderança de Victor, o MDB acabou formando uma super bancada na Casa de Tavares Bastos: são 13 deputados filiados e mais 4 ou 5 que estão abrigados em outras siglas, mas unidos sob o comando do presidente e de seus principais aliados – Renan Calheiros e Renan Filho.

Lira sabe, até porque já integrou o colegiado da ALE, o que é a força eleitoral dos deputados estaduais. Eles são 27 e equivalem a 3 bancadas federais. Somando a força do deputados aos suplentes e novos que disputarão as eleições de outubro, eles constituem uma legião de caçadores de votos, com uma vantagem: onde chegam, defendem e invocam o governo (de Renan Filho) que, sem exceção, levou obras sociais para todas as cidades alagoanas.

Artur Lira contou até aqui com um handicap: desde o ano passado deita e rola com os recursos do ‘orçamento secreto’, é verdade, mas esse suporte financeiro foi absorvido e neutralizado pela capacidade de investimento do governo alagoano. Só uma ideia: Renan Filho deixou em caixa mais de R$ 4 bilhões para serem empregados por Paulo Dantas, tão logo seja eleito governador.

Tudo isso infunde em Lira a noção de que uma coisa é levar a melhor – na Câmara, outra é ganhar a eleição – em Alagoas.

 

NUNCA SE FALOU TANTO EM PAULO DANTAS

Ao torpedear, judicialmente, a eleição de governador na Assembleia, na tentativa de ‘esconder’ o nome do deputado Paulo Dantas, a oposição pode ter dado um tiro no próprio pé. Pois, desde que o pleito indireto foi suspenso, que a mídia não para de falar em três nomes: Paulo Dantas, Renan Calheiros e Artur Lira. Ou seja, ao noticiar a encrenca, a mídia aqui e lá fora sempre mostra o nome do favorito a governador-tampão.

 

FRASE DE BRUNO TOLEDO: ‘GOLPE CONTRA O ESTADO’

Na batalha que envolve a realização da eleição indireta do governador-tampão, na Assembleia Legislativa, o deputado Bruno Toledo cunhou uma expressão que tem tudo a ver: “A oposição está praticando um golpe contra o estado”. Não confundir com ‘golpe de estado’, que significa tomar à força o poder da nação.

 

RENAN FILHO DÁ UM BANHO EM COLLOR

A mais nova sondagem do Paraná Pesquisa mostra – na disputa ao Senado – o ex-governador Renan Filho com mais do dobro das intenções de votos atribuídas ao senador Fernando Collor: 45,8% contra 22,5%. O deputado estadual Davi Filho (do grupo de Artur Lira e Rodrigo Cunha) aparece com apenas 14%.

 

LULA SEGUE LIDERANDO CORRIDA EM ALAGOAS

Na corrida presidencial, que terá influência considerável na sucessão estadual alagoana, Lula lidera com  51,1% dos votos, enquanto Bolsonaro tem 27,5%. Ciro Gomes, um dos nomes da terceira via, aparece distante de Bolsonaro, com 4,6% das intenções dos eleitores, segundo o Paraná Pesquisa.

 

CANDIDATO DO PT PRECISA DE ASSESSORAMENTO

Pré-candidato ao Planalto, o petista Lula deveria entender que lidera as pesquisas não pelo que ele diz, mas porque Bolsonaro, com tantas bobagens que faz, só o tem ajudado. Resumo: Lula deveria ficar silente, mudo. Assim, não sairia de sua boca asneira como comparar Artur Lira ao imperador do Japão que – Lula desconhece – não passa de figura decorativa no cenário de poder.

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Rodrigo Cunha vocifera nas redes e apaga a imagem de ‘bom moço’

28/04/2022 15:26

Rodrigo Cunha venceu duas eleições sem fazer força. Em 2014, foi eleito deputado estadual sob a comoção da chacina que vitimou sua mãe, a deputada federal Ceci Cunha. Antes de ser votado, foi ajudado por Teotonio Vilela, então governador e presidente do PSDB, que lhe ofertou a gestão do Procon abrindo caminho para sua eleição.

Em 2018, travou disputa com o então senador Benedito de Lira (pai de Artur Lira) que tentava a reeleição e enfrentava denúncias de improbidade. Havia duas vagas em disputa, uma com Renan Calheiros praticamente reeleito. A segunda cadeira, portanto, foi disputada por Biu e Cunha, com vitória deste.  Até aí, Cunha levou vida fácil na política, mas sua atuação como senador foi marcada por autêntico ‘apagão’. Silente, sumido, nada fez pelo País e  por Alagoas no Congresso.

Agora, por oportunismo, largou o PSDB e entrou no União Brasil, onde o dinheiro jorra abundante, para disputar o governo de Alagoas. Há dias, recusou-se a endossar um pedido de CPI para investigar o escândalo de desvios de recursos do Ministério da Educação. Na sucessão estadual, Cunha terá de mostrar o que fez (?) para merecer o cargo de governador. Não terá mais a comoção do passado, nem a mão amiga de Téo Vilela.

Nas atitudes, o político de Arapiraca sempre foi um ‘tucano’ autêntico, um fiel representante da corrente dos ‘em cima do muro’, mas, como político, mostrou sua volúpia pelo poder ao tomar de Rui Palmeira, então prefeito de Maceió, a função de presidente estadual do PSDB.

Cunha continua achando que será brindado pela ’força do destino’ que, lá atrás, ajudou-o a vencer dois prélios eleitorais. Um de seus adversários será justamente o ex-prefeito maceioense com quem marchou unido quando atuavam como ‘tucanos por convicção’. Nas pesquisas recentes de intenção de voto, mesmo sem mandato ou cargo público, Rui Palmeira aparece com vantagem que, por sinal, não surpreende.

Eleição legislativa ou mesmo majoritária para o Senado não exige o que impõe um pleito de governador: história pessoal, ganhos para a sociedade, ações efetivas de ajuda ao povo. Cunha sabe disso, mas será candidato porque não tem, a rigor, o que perder além da disputa em si.

Disputa que, na prática, já começou com o senador afrontando a legislação nas redes sociais e sendo punido pela Justiça Eleitoral.

 

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O dia em que o senador Renan roubou a cena na Assembleia...

26/04/2022 14:39

 

Em sua página na Internet, Ricardo Mota fez o seguinte registro:

“O senador Renan Calheiros desceu do Olimpo – Brasília – e virou a grande atração (na Assembleia) do lançamento da candidatura de Paulo Dantas (a governador tampão)”. Mais:

“O senador surpreendeu e tornou-se, por óbvio e pela novidade, a personalidade do dia na Casa de Tavares Bastos, onde ele começou sua longa trajetória política, em 1979 (como um combativo deputado estadual). Numa frase: ele roubou a cena”. 

Tudo isso na terça-feira (19), data em que o deputado Paulo Dantas formalizou sua candidatura ao governo em pleito indireto a se realizar na próxima segunda-feira, 25 de abril.

De outra parte, o também deputado estadual Davi Maia se inscreveu para disputar, apenas com o seu voto, a eleição que mobilizará os 27 integrantes do Parlamento Alagoano.

Ao seu estilo, Maia – declarado inimigo político do ex-governador Renan Filho e do senador Renan – pregou a necessidade de pôr fim à ‘era’ iniciada em 2015 para dar início ao seu projeto, a um novo projeto para Alagoas.

A ‘era’ de que Maia fala é a de Alagoas com menos violência, com seis novos hospitais, todos funcionando e salvando vidas, das centenas de quilômetros de rodovias asfaltadas, dos novos Centros de Polícia, dos viadutos, das escolas de tempo integral, dos programas de distribuição de renda e incentivo escolar, de servidores com salários melhorados e pagos em dia...

Com a visão turvada pelo radicalismo político que o infantiliza, o deputado Maia chega ao cúmulo de afirmar que os novos hospitais de Alagoas “são bonitos, mas não funcionam”. Bom, se os acha ‘bonitos’, é porque já os viu de perto. Falta, porém, ouvir os doentes que estão sendo internados e tratados nesses centros hospitalares que Renan Filho construiu. E isso é muito simples de fazer.

 

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Não tem essa de 'Bem contra o Mal - a luta é pelo poder

18/04/2022 14:19

No Brasil ou em qualquer parte do mundo, todo processo eleitoral visa, antes do tudo, o poder. Não vale a pena tratar dos regimes totalitários, das ditaduras (não importa se militar ou civil) porque sob qualquer tipo de autoritarismo, a vontade popular não vale nada, tudo é decidido pela força. Na Rússia de hoje, como na União Soviética de ontem, por exemplo, o poder é centralizado, manda o ditador de plantão. Funciona assim, também, na China.

Nas democracias o povo é ouvido, mas não como deveria. O eleitor não vota em quem ele quer, mas nos escolhidos dentro dos partidos. Em grande número, o eleitor é chamado a referendar ou confirmar nomes definidos por poucos. Agora, oficializadas as chapas, aí sim, o cidadão tem a liberdade de escolher.

A frase recente de Bolsonaro “não tem direita, nem esquerda, é a luta do bem contra o mal” é uma meia-verdade. De fato, essa história de esquerda e direita é mera rotulagem em um país onde a grande maioria dos votantes não sabe o que vem a ser socialismo ou comunismo. Nunca leu Marx e quando ouve falar no ‘Capital’, a bíblia do marxismo, pensa que é dinheiro ou uma cidade grande.

Nunca em sua história o Brasil correu risco de virar nação comunista, sequer socialista. Mas tanto aqui como lá fora, as eleições são sempre autênticas ‘batalhas pelo poder’. É a eterna luta de quem está no poder e quer continuar contra quem está pretendendo chegar lá. O ‘Bem e o Mal’ de que fala Bolsonaro é mera frase de feito, surrada, de quem tenta passar para o povão a ideia de que “nós representamos o Bem, e nossos adversários encarnam o Mal”. Grossa bobagem. Ou será que armar a população, facilitar e incentivar a compra de armas de fogo, mortais, é algo que represente a ‘corrente do Bem’?

A política brasileira é tão cheia de paradoxos e contradições, que se tornou uma praxe candidato a presidente, uma vez eleito, em pouco tempo começar a fazer exatamente o contrário do que prometeu na campanha. Aí se desculpa dizendo que ‘o presidente não pode tudo’ e pede tempo para começar a fazer o certo.

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Primeira Edição © 2011