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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

A Lava-Jato e a falência dos partidos

22/05/2018 14:17

As eleições de 2018 ficarão marcadas por algo que ninguém ousaria imaginar, três, quatro décadas atrás: a ruína moral dos partidos políticos. Um fenômeno com causa sobejamente conhecida: as denúncias de corrupção oriundas do rumoroso processo da Lava-a-Jato. Nenhuma legenda de peso escapou.

Na década de 60, após a instauração do regime militar, o sistema criou o bipartidarismo: Arena governo, MDB oposição. A sigla MDB (Movimento Democrático Brasileiro), que abrigava políticos de variados matizes partidários, cresceu, ganhou projeção e assumiu papel de legenda histórica. O regime sentiu e, mais adiante, ao permitir a criação de novas agremiações, só para alterar a marca gravada no imaginário popular, exigiu a colocação do ‘P’ (de partido) precedendo todas as siglas. Nascia, então, o PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Com o terremoto da Lava-a-Jato, com os dirigentes das grandes legendas denunciados, os respingos sobre os partidos se tornaram inevitáveis. E como precursor, já prevendo a ‘onda mudancista’ que viria depois, o PFL saiu na frente e trocou de nome, passou a se chamar Democratas, ou simplesmente DEM. Outras mudanças sobrevieram: o Partido Popular virou Progressista, o PTN passou a ser Podemos e assim por diante. Até que alguém de dentro do velho PMDB, movido por essa tendência de ‘renovação nominal’, pensou em voltar às origens, a ideia ganhou aprovação geral e a marca MDB, criada durante o regime militar, acaba de ser restaurada, embora muita gente ainda não saiba.

Caminhamos, assim, para uma eleição afetada não apenas pela proliferação de partidos nanicos – autênticas siglas de aluguel – mas também pela debilitação moral de partidos políticos que escreveram a histórica da República, antes e depois da redemocratização. Eleição com dirigentes partidários comprometidos, expostos em ruidosos processos judiciais, e com partidos incapazes de empolgar a grande massa do eleitorado.

 

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Voto nulo não é protesto, é buricce

14/05/2018 13:43

Nos últimos meses, perdeu força a campanha do voto nulo. Bobagem sem tamanho, ideia de quem não tem ideia, o voto nulo não é recurso de quem não aceita as regras do jogo. É apelação inócua de quem não quer participar do jogo.

Mais do que isso: é simples resíduo da ‘arma’ usada contra o regime militar instaurado em março de 1964. Voto nulo e voto em branco. O primeiro, ainda sobreviveu como forma de protesto, mas o segundo pereceu depois que o governo militar, ardilosamente, decidiu que o voto em branco seria contado como voto de legenda a favor da Arena, o partido governista.

Hoje se diz que votar nulo é o caminho para alijar da vida pública os maus políticos. Não é. Mesmo se, em determinada eleição, houver mais voto nulo do que válido, os candidatos participantes ficam livres para disputar a próxima. Não se exclui ninguém, apenas adia-se a decisão, com mais despesas para a Justiça Eleitoral e com mais desgaste para o eleitorado em geral.

Compreende-se a insatisfação, a revolta, a indignação de parcela considerável da sociedade diante degradado cenário político nacional. Mas não se resolve isso com omissão. Não votar, se abster, ou votar nulo, são atitudes inconsequentes. Não produzem nada de afirmativo. Não levam a caminho nenhum, ainda que o gesto rebelde se revista de aparente inconformismo cívico.

Se o voto é a ‘arma da democracia’, o único instrumento capaz de operar mudanças, relevá-lo significa entregar tudo ao deus-dará. O mais grave: quando o eleitor se omite – abstendo-se ou votando nulo – ele permite que outros decidam em seu lugar. Perde, pois, o direito de reclamar e de protestar. Quem não participa, quem se exclui do processo sob qualquer invocação, só tem direito a lamentar e, obviamente, a pagar o preço da própria omissão.

 

SEM LASTRO

Com a falência do Grupo João Lyra, ficou claro que não existia lastro para pagar a todos os credores. É uma questão matemática: o rombo do Grupo era maior do que todo o seu patrimônio.

 

CAMINHO CERTO

O que a Justiça está fazendo é o que deve ser feito: priorizando o pagamento dos salários devidos aos milhares de trabalhadores do Grupo JL. Afinal, fazer justiça é olhar pelos mais fracos.

 

ROGÉRIO: O PREÇO PELA CONQUISTA DO PODER

Rogério Teófilo realiza um trabalho sério, competente, na chefia da Municipalidade de Arapiraca, mas paga o preço de ter chegado ao poder de forma surpreendente (embora em decisão justa e oportuna do eleitorado). Teófilo segue firme com sua gestão comprometida com o certo, mas sabe que não será esquecido pelos adversários inconformados com a derrota sofrida em 2016.

 

 

MELHOR ASSIM

Joaquim Barbosa desistiu da presidência em tempo hábil. É um homem com temperamento difícil, não teria como se relacionar com o Congresso. Talvez renunciasse na primeira crise.

 

RENÚNCIA AO STF

Cumpre lembrar que Joaquim Barbosa renunciou ao próprio Supremo Tribunal, de onde saiu, antes da expulsória, depois de ter mostrado raça ao condenar os quadrilheiros do mensalão.

 

ROSTAND RECEBE COMENDA LÊDO IVO NA ALE

Presidente da Academia Alagoana de Letras (AAL), o escritor Rostand Lanverly será homenageado pela Assembleia Legislativa nesta segunda-feira, 14 de maio. Em sessão solene programada para às 15h, no plenário da ALE, Lanverly será agraciado com a Comenda Lêdo Ivo, honraria instituída para homenagear personalidades que se dedicam à projeção das letras e da cultura de Alagoas

 

DOIS LADOS

Pedro Parente, presidente da Petrobras, não cabe em si de alegria com o lucro de R$ 6,5 bilhões no 1º trimestre. Triste está a turma que usa gasolina e gás de cozinha – com os preços nas alturas.

 

FRASE CÉLEBRE

Genial a frase de Pedro Parente: “Petrobras é diferente do que era antes da Lava-Jato”. Ora, se não tivesse mudado, obviamente o grande Parente estaria respondendo a processo por corrupção.

 

OS CORRELIGIONÁRIOS FORMAM O PARTIDO

O deputado Rodrigo Cunha precisa repensar sua atitude de convivência política. Não dá para, a um só tempo, recusar a companhia de correligionários suspeitos (ou denunciados) e se manter num partido cuja cúpula está atolada no esquema da Lava-Jato: Geraldo Alckmin, José Serra e o traquinas Aécio Neves.

 

BOLA DA VEZ

O próximo alvo de Rui chama-se Marx Beltrão. O deputado, que ainda pode se compor com o bloco de Renan Filho, será assediado para assumir a candidatura ao governo pela oposição.

AVE, JULIUS!

Com Teotonio Vilela, Benedito de Lira, Rui Palmeira, Rodrigo Cunha e Thomaz Nonô de fora do processo sucessório, nos bastidores já se prevê a escolha de um ‘novo Júlio César’...

 

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Em Alagoas, oposição sabe que não tem cacife para vencer sucessão

07/05/2018 18:42

As forças de oposição que estão aí, dispersas e fragmentárias, perderiam a corrida sucessória com Rui Palmeira candidato e perderá, com mais facilidade ainda, sem o prefeito no páreo.

Evidente que Rui não era, nunca foi, o líder maior do bloco oposicionista. Essa era e continua sendo uma ‘condição privativa’ do ex-governador e ex-senador Teotonio Vilela Filho.

Agora, não será jamais uma eleição de candidato único ao governo. Não se trata de cultura ou de determinismo histórico. Isso é pura falácia. A questão é que estão em jogo mandatos de deputado estadual, deputado federal e senador, além da presidência da República. No plano local, é claro que os concorrentes da oposição precisarão de um ‘comandante’ à frente da batalha sucessória, sem o que a dispersão seria irremediável.

Mas os adversários do atual governo sabem que, em matéria de sucessão, a possibilidade de concorrer com sucesso é remotíssima. Nenhum governo é perfeito, nenhum governador atende a tudo e a todos – é uma realidade histórica inescapável –mas a própria oposição reconhece que nunca um governante alagoano chegou tão perto disso quanto Renan Filho.

Não foi por outra razão que Rui Palmeira, com dois anos e nove meses de mandato pela frente, saiu de fininho do embate sucessório, com uma satisfação que ele poderia muito bem ter evitado tornar pública - a de que desistiu depois de ouvir os familiares e as lideranças aliadas. A família, sim, mas qual correligionário ele citaria que foi contra sua candidatura?

Rui, como se diz no popular, tirou o dele da linha de fogo porque avaliou que estaria caminhando rumo a um ‘suicídio político’. Perderia a Prefeitura, a disputa pelo governo, e ficaria a ver navios. Sem mandato, sem cargo público, sem nada.

Por isso é correta a avaliação de que só entra nessa parada contra Renan Filho quem não tem objetivo eleitoral, isto é, mandato em perspectiva, a perder. O resto é conversa remoída, sem futuro.

 

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A Globo persegue Lula, como afirmam seus seguidores?

27/04/2018 15:19

Os petistas não se cansam de acusar a TV Globo de agir como inimiga declarada de Lula, de perseguir obsessivamente o ex-presidente. Esse discurso contém algum fundo de verdade?

Bom, quando multidões foram às ruas pedir o impeachment de Dilma, dizia-se que as imagens transmitidas pela Globo eram seletivas. A TV dos Marinhos era contra a presidente petista e queria derrubá-lo a todo custo. Dilma terminou destituída.

Assumiu Michel Temer, surgiram as denúncias de Joesley Batista, e foi a vez dos aliados do novo presidente acusar: “É um noticiário massacrante, a Globo quer derrubar Temer”. Os petistas gostaram, evidentemente, mas silenciaram.

Aí foi a vez de Lula. Denunciado, investigado, julgado e condenado, acabou na prisão. Os partidários retomaram o discurso: “A Globo persegue Lula”. Dizem isso aqui no Brasil e em entrevistas para jornais e televisões do exterior.

Agora, o massacre migrou, o alvo é o senador Aécio Neves. A cobertura global chega a ser enjoativa. Revolveram tudo, fizeram uma completa devassa. Aécio caminha rumo ao patíbulo, e a cobertura incessante da TV Globo nunca foi tão devastadora.

Mas, a final, a Globo é contra quem? A resposta é única: contra ninguém. A Globo é a favor dela própria, e pronto. A explicação é simples: desde o impeachment de Dilma, o comando global notou que escândalo político melhora a audiência. O Jornal Nacional, que nos bons tempos liderava o Ibope com 55 pontos de audiência, havia despencado para 20 pontos. E reagiu com as bombas da Lava-Jato, alcançando a marca dos 30 pontos em média. É isso, simples assim. Afinal, se o alvo é Lula, se o inimigo comum é o líder petista, por que ‘bater’ na Dilma, no Temer e no Aécio, esses inimigos implacáveis do PT?

Não, a Globo não tem nada contra Lula. Tem a favor dela e de seus índices de audiência. A questão é que, comprovadamente, notícia ruim para Lula, Temer ou Aécio melhora o Ibope televisivo. E isso vem norteando a pauta do noticiário global.

 

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Brasil está mudando, mas Supremo não pode atuar como banca de improvisadores

17/04/2018 19:21

O Brasil está mudando. Começou com a conclusão do mensalão, que mandou para a cadeia o ex-ministro José Dirceu, e avançou com o processo da Lava-a-jato, cujo ponto culminante, pode-se dizer, foi a condenação e prisão do ex-presidente Lula.

Indiscutível que a Lava-a-Jato recuperou bilhões de reais desviados dos cofres públicos, deslindou inúmeros esquemas de corrupção e já puniu, com cadeia, um número considerável de envolvidos. Mas o Brasil precisa de muito mais.

De um Supremo Tribunal Federal mais definido, por exemplo. Que atue como uma autêntica Corte Constitucional, e não como um colégio de magistrados decidindo, cada um a seu talante, quando o foco prevalente deveria ser o texto da Constituição.

O Supremo precisa ser redefinido e, para tanto, será imperioso encaixá-lo no bojo de uma revisão constitucional que já se faz tardar. Num país com a nossa cultura, ministros de tribunais superiores devem cumprir mandatos, e nunca serem indicados por políticos, ainda que se trate do presidente da República.

O atual Supremo, além de se desviar o tempo todo de sua função precípua, que é a de resguardar a Constituição Federal, não raro toma decisões essencialmente políticas e, o mais grave, muitas delas afrontando o texto que os ministros deveriam preservar.

Evidente que nosso ordenamento jurídico – ultrapassado e distanciado do mundo moderno – precisa mudar para adotar a prisão de réus condenados em segunda instância. Mas é o tipo da mudança que não pode ser operada pelos próprios ministros da Corte Suprema, e sim, pelos membros do Poder Legislativo, ou seja, os integrantes do Congresso Nacional.

Temas como esse, do cumprimento da pena confirmada por um tribunal, não deveriam jamais depender da interpretação ou da mera vontade de um ministro, a decidir situações ingentes com um simples voto. É matéria que deve estar expressa no bojo da carta constitucional, conferindo-se ao Supremo, apenas e exclusivamente, a competência e a prerrogativa de fazer cumpri-la. A nação precisa de um Supremo Tribunal definido, cumprindo normas definidas, e não de um colegiado de improvisadores. 

 

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