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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Luiz Carlos Barreto - lição de vida de um protagonista da comunicação alagoana

24/06/2020 15:59

ADEUS A UM BALUARTE

 

Luiz Carlos Barreto – lição de vida de um

protagonista da comunicação alagoana

 

Romero Vieira Belo ((*)

 

Luiz Carlos Barreto entra para a história da comunicação social de Alagoas como um veterano que, a despeito de quase três décadas de atuação nessa área, jamais perdeu ou sequer deixou arrefecer o interesse e a vibração pelo noticiário. Em geral, todo  empresário se concentra na evolução dos negócios, na estabilidade da empresa, no lucro e na expansão. Barreto adicionava a esse perfil, tão inerente ao ramo, um olhar quase familiar voltado, também, para a situação de cada funcionário.

Conheci-o em 1994. Secretário de Comunicação de Alagoas, visitei a sede de O Jornal, na Av. Comendador Leão (Prado) e lá estavam, unidos em sociedade, Luiz Carlos e Nazário Pimentel. Anos depois o jornal foi vendido ao industrial João Lyra, que transferiu a sede para a Av. Gustavo Paiva, na Mangabeira.

Luiz Carlos, claro, ficou sem jornal, mas não sem ideia. Esqueceu de vez o setor onde atuara de forma saliente – o imobiliário – e apostou num projeto ousado: criar, sozinho, um semanário, mais um na saliente história dos periódicos  alagoanos. Pouco tempo depois nasceria, com sede na Mangabeira e título pra lá de sugestivo, o Primeira Edição, tocado por uma equipe bem ajustada e uma incontida disposição de liderança. Posição conquistada, afinal, com anos de muita luta e um slogan altamente motivador: ‘Comece a semana bem informado’.

O Primeira Edição virou referência da mídia impressa alagoana, tanto que em seus 16 anos de circulação – ininterrupta – atraiu os mais prestigiosos anunciantes dos setores público e privado.

O veículo de Luiz Carlos integra a sequência de jornais por onde passei em cinco décadas de batente, somando-se ao Diário de Pernambuco, Diário da Borborema, Jornal de Alagoas, Jornal de Hoje e O Diário. Em 2008, sucedendo a uma dupla de promissores jornalistas (Aline Gama e Carlos Madeiro) assumi a editoria geral de um Primeira Edição já consolidado, ingrediente indispensável como opção de leitura informativa dos alagoanos nas manhãs de segunda-feira. E seguimos em frente, firmes, apesar das múltiplas adversidades enfrentadas pelo setor.

Raríssimas vezes – e isso não é comum em empresa jornalística – Luiz Carlos interferiu na Redação. Sempre jogou aberto, tinha uma visão muito clara do mercado, dos personagens que eram notícia, da política e da economia, e fazia questão de assegurar plena liberdade editorial. Na verdade, um misto de liberdade e confiança, correspondido por anos de atuação sem nenhuma intercorrência judicial ou abertura forçada de espaços para esclarecimentos ou direitos de resposta.

Luiz Carlos se relacionava amistosamente com as pessoas e isso explica por que tinha um círculo de amizades tão numerosas quanto díspares. Tratava a todos respeitosamente e, não obstante seu semblante muitas vezes tenso, carregado, era um homem profundamente emotivo e brincalhão. Um homem afável que fazia questão de viver feliz com e para a família – a companheira de sempre, Conceição, os filhos Bruno, Miguel e Rachel e os netos. Outro traço marcante nesse sergipano de muitas virtudes: uma fisionomia com poucas linhas de expressão. Parecia não sentir a passagem do tempo. Nunca percebi diferença significativa no Luiz Carlos da década de 90 confrontado com o atual.

Neste final de junho, de tantas dores e sofrimento, partiu o amigo Luiz Carlos, quase que repentinamente, vitimado pela fúria de uma pandemia convertida em tragédia planetária. Mas, para regozijo dos que o admiravam, entra para a galeria dos grandes protagonistas da imprensa de Alagoas, sobretudo, pela determinação com que ao longo de 16 anos fez do seu jornal uma leitura obrigatória dos alagoanos bem informados. E o fez, como pude testemunhar, superando obstáculos e arrostando com os sacrifícios de uma realidade setorial cada vez mais plena de limitações e desafios.

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Aliança com Centrão decreta volta da velha política

29/05/2020 10:55

Um dos traços do presidente Jair Bolsonaro é a resistência. Mesmo sob pressão, o Capitão não costuma mudar de posição facilmente. Bolsonaro não é o que se pode chamar de uma pessoa resiliente. Não, Bolsonaro defende com unhas e dentes suas posições, muitas vezes, não importando se elas colidem com a razão e a lógica ou, até mesmo, com diagnósticos da ciência, como tem ocorrido nessa atribulada passagem da pandemia.

Por isso, chamou tanto a atenção, a mudança de postura do presidente em relação aos políticos do Centrão, um grupo formado por cerca de 200 deputados que, ao longo da história, cumprem papel de destaque, no Congresso, não por práticas heroicas, mas pelo exercício constante do que ficou conhecido como a política do toma lá, dá cá’. Trata-se de um segmento que abriga inúmeros políticos (com e sem mandatos) processados e condenados por corrupção, a exemplo de Valdemar Costa Neto, um dos ‘expoentes’ do escândalo do mensalão.

A aliança com o Centrão, selada assim ‘sem mais nem menos’, subtrai ao presidente uma das principais peça de seu discurso de renovação, dado que na campanha presidencial ele jurou deixar para trás o que chamou de ‘velha política’, ou seja, a prática recorrente de oferta de cargos em troca de apoio político.

E vai pesar, em avaliações futuras, por se tratar de uma mudança de posição determinada não pela necessidade premente de apoio à governabilidade, mas pela luta em defesa do próprio mandato, cada dia mais ameaçado pelo surgimento de mais e mais pedidos de abertura de um processo de impeachment.

Ao resgatar o ‘toma lá, dá cá’, Bolsonaro abre mão de seu traço diferencial, abandona o discurso em defesa do ‘novo’ e coloca sua sustentação política – aí incluindo o próprio mandato – nas mãos de políticos que, na campanha presidencial, foram usados exatamente como exemplos que jamais deveriam ser seguidos.

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Pandemia mata, mas, quantos estão se salvando?

20/05/2020 11:37

Até aqui, a mídia, os especialistas, os críticos, todos têm se limitado a avaliar quantas mortes e quantos casos de contágio da covid-19 já foram contabilizados em Alagoas e no Brasil. Trata-se de uma visão estatística oportuna e correta, mas incompleta. Urge também questionar quantos deixaram de morrer e quantos evitaram contaminação por coronavírus desde o inicio do surto.

No Brasil, são quase 15 mil óbitos e perto de 200 mil infectados. Um número assustador, considerando que, ao contrário do que afirma o presidente Bolsonaro, a covid-19 não é uma gripezinha, mas uma terrivelmente agressiva infecção respiratória, que só a define com precisão quem vai para a UTI, passa dias entubado e, muitas vezes por milagre, consegue escapar.

Mas outro dado estatístico deveria mexer com a mente das pessoas – das autoridades, principalmente: não fossem as medidas de isolamento social e, mais recentemente, o uso obrigatório de máscaras de proteção, que estágio a pandemia já teria atingido?

Deve-se considerar, no caso do Brasil, a concentração demográfica no entorno dos grandes centros urbanos, as favelas, os conjuntos populares. Em Alagoas, acrescente-se quase 80 grotas. Sem o isolamento social, claro, a transmissão do coronavírus já teria colocado o País na liderança mundial da epidemia, ao lado dos Estados Unidos.

Não há dados precisos, mas dá para imaginar que, sem as ações de isolamento, o número de mortos seria o dobro do atual e muito mais do dobro o universo de brasileiros infectados.

Mesmo porque, havendo uma ‘explosão’ de casos do coronavírus, a estatística mortal evoluirá de forma assombrosa, com a saturação da rede hospitalar e, por conseguinte, com a incapacidade de atendimento para todos os contaminados.

Em Alagoas, o governador Renan Filho age com prudência, alinhado ao prefeito Rui Palmeira, priorizando o isolamento. Sem essa diretriz, a pandemia aqui já teria avançado para um número muito mais expressivo de mortos e infectados.

 

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O baluarte que ajudou a libertar Alagoas do atraso

12/05/2020 12:27

 

GUILHERME PALMEIRA, UM BALUARTE

Guilherme Palmeira entra para a história como um baluarte. Em parceria de irmãos com Divaldo Suruagy, consolidou Alagoas como um polo turístico regional. Deixa como legado a virtude de um político íntegro, franco e objetivo, avesso a promoções pessoais. Um exemplo, infelizmente, seguido por poucos.

 

GP, SURUAGY, CORDEIRO E MINHA NOMEAÇÃO

Devia-lhe uma: foi o mentor de minha nomeação para o cargo de delegado do Ministério do Trabalho em Alagoas. Uma indicação do deputado federal Albérico Cordeiro referendada por Suruagy. Passei seis meses no comando da DRT/AL (de julho a dezembro de 1994) até assumir a Secretaria de Comunicação do Estado.

 

QUASEX, QUASE VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

A exemplo de Suruagy, por pouco não chegou ao posto de vice-presidente da República. Seria o companheiro de chapa de Fernando Henrique Cardoso, mas houve um contratempo, e ele, Guilherme, abriu mão da disputa, sendo substituído pelo colega Pernambuco Marco Maciel. Suruagy não se tornou vice-presidente devido à ingerência de Paulo Maluf. Longa história...

 

PREFEITO DE MACEIÓ APÓS EMBATE COM RENAN

Em sua trajetória política, um passo pouco compreendido: em 1988, Guilherme, com dois anos de Senado a cumprir, deixou o Congresso e se elegeu prefeito de Maceió, numa disputa acirrada com Renan Calheiros. Dois anos depois, renunciou à Prefeitura e, mais uma vez, se elegeu senador.

 

ELEITOR DE TANCREDO, PRESIDENTE DO PFL

Guilherme marchou com a Frente Liberal, bloco político que rompeu com o PDS e consolidou a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, episódio que marcou o fim do regime militar. Reconhecido como líder nacional, assumiu a presidência do PFL. Em 1986, senador e sem apetite eleitoral, disputou o perdeu o governo alagoano para Fernando Collor.

 

LANÇOU FERNANDO COLLOR NA POLÍTICA

Eleito (indiretamente pela Assembleia Legislativa) governador de Alagoas, em 1978, graças à influência de Suruagy junto ao presidente Ernesto Geisel, Guilherme Palmeira foi responsável pelo ingresso de Fernando Collor na política, nomeando-o prefeito de Maceió, por sugestão do amigo Suruagy.

 

RUI, O HERDEIRO COM MAIS RESPONSABILIDADE

A morte de Guilherme aumenta a responsabilidade do filho e herdeiro político Rui Palmeira. GP foi secretário de Estado, deputado estadual, governador, senador e ministro do Tribunal de Contas da União. Rui, deputado estadual, deputado federal e prefeito de Maceió. Tem um longo caminho pela frente, agora com ‘luz própria’, sem a influência do velho Guilherme.

 

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A fórmula de Paulo Guedes para turbinar a economia

04/05/2020 19:11

 

Sem manjar patavinas de economia, como ele próprio vive a repetir, Jair Bolsonaro escolheu Paulo Guedes para formular seu programa econômico durante a campanha presidencial. A vitória nas urnas não apenas fez de Bolsonaro presidente, como consagrou a visão programática do formulador. Guedes passou a ser visto como um ‘gênio’, candidato a Nobel de Economia...

A melhoria dos indicadores econômicos, já no início do atual governo – avanço natural de um País que vinha emergindo dos porões recessivos – vendeu a impressão de que as ideias de Guedes eram de fato, revolucionárias, de eficácia inquestionável. Essa foi, inclusive, o entendimento inicial do colunista.

Com o passar dos meses, os passos de Guedes e suas ações no governo revelariam outra realidade: o plano econômico do governo se apoia, basicamente, no corte de gastos. Resultado: não tem recursos para investimento, para retomar obras inacabadas, para sequer tocar programas como o Minha Casa Minha Vida.

O ministro Paulo Guedes, aos poucos, revelou-se um defensor ardoroso da criação de impostos. Sua obsessão, até aqui rejeitada por Bolsonaro, mas que deve ganhar força quando o governo exibir o laudo financeiro da pandemia, é a recriação da CPMF, com outro nome, mas com a mesma voracidade e extensão.

Em suma: cortar salários de servidor público, manter congelada a tabela do Imposto de Renda (fórmula enviesada de elevar a tributação), podar verbas de obras essenciais da infraestrutura e, para fechar o projeto genial, criar um novo Imposto do Cheque.

Onde, em que ponto, em que item se esconde a genialidade? É como se alguém, apresentando-se como dotado de inteligência e espírito inovador, propusesse melhorar as condições de vida da população ao preço de uma medida simples e de efeito coletivo: criando ou aumentando impostos – ou fazendo as duas coisas.

Guedes se sustenta com apoio de banqueiros, investidores da Bolsa de Valores, financistas, essa gente. E ainda não constrangeu Bolsonaro, nem quando humilhou publicamente as empregadas domésticas, num lance de odioso preconceito social.

A PREMONIÇÃO DE COLLOR EVOLUINDO...

Em novembro, Fernando Collor declarou que o impeachment de Jair Bolsonaro era ‘uma possibilidade’. Semana passada, em entrevista ao UOL, o senador e ex-presidente avaliou o processo de impedimento como ‘desenlace anunciado’. E descreveu justamente o que lhe aconteceu no turbulento ano de 1992...

 

GASPAR E O PODEROSO INIMIGO INVISÍVEL

Por essa, claro, o xerife não esperava. Depois de renunciar ao Ministério Público Estadual, onde combateu a corrupção e o crime organizado com destemor, Alfredo Gaspar de Mendonça se municiou de determinação para disputar a Prefeitura de Maceió. E não é que um sujeito invisível (o novo corona) ameaça interromper o calendário de sua trajetória rumo à Prefeitura? “Projeto apenas adiado”, bradam seus fãs e aliados.

 

RENAN: ‘INVESTIGAR ESCATOLOGIA EXPLÍCITA’

Do senador Renan Calheiros: “Prioridade é saúde. Mas as instituições devem investigar a escatologia explícita. Moro é transgressor confesso. Vazou áudios ilegais, grampeou advogados, escalou quem perseguir, desobedeceu soltura judicial, conspirou contra democracia. Invocar estado de direito agora é hipocrisia”.

 

PARLAMENTARISMO PODERIA SER OPÇÃO

Com crise sucedendo crise, em meio a um presidencialismo agonizante, já se impõe novo debate sobre o parlamentarismo. Até porque, quando um presidente se isola, como atualmente, o Congresso Nacional assume a iniciativa das ações, e isso, na prática, já representa uma realidade ‘quase’ parlamentarista.

 

OPOSIÇÃO NÃO AGE COMO AMIGA DO GOVERNO

O governador Renan Filho tem tido um desempenho irretocável nesses tempos de pandemia. Na saúde, na gestão do Estado, no apoio aos municípios e às populações mais carentes. Agora, não existe oposição amiga. Logo, sempre vai aparecer deputado oposicionista enxergando ‘falhas’ nas ações do governo.

 

FÁCIL, EXTREMAMENTE FÁCIL...

O governo federal, sob a orientação de Guedes, se habituou a tirar de João para dar a José. Pois foi isso que decidiu fazer ao propor que o Congresso congele os salários dos servidores públicos (que já estão congelados) por mais 18 meses. O dinheiro da economia seria destinado ao socorro a estados e municípios.

 

SERÁ QUE EXISTE UMA ‘LINHA MARGINOT?’

Segundo o Ministério da Saúde, até agora casos da Covid-19 foram confirmados em 200 municípios em todo o País. Seria um número razoável se o Brasil não tivesse cerca de 5.600 municípios, quase todos interligados e com acesso aos grandes centros. E aí, qual a explicação para o ‘fenômeno’?

 

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