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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Como Rodrigo Cunha salvou a pele do 'rejeitado' Collor

19/09/2018 12:56

A máxima popular ‘todo mal traz um bem’ se encaixa como uma luva na situação de Fernando Collor. O mal, a rejeição pessoal de Rodrigo Cunha. O bem, sua desistência de concorrer ao governo.

Tudo se resume a uma questão: o que aguardava Collor ao final de uma eleição previamente vencida por Renan Filho?

Pois seria e será o desfecho desse enredo eleitoral sem surpresas. Collor entrou na disputa, estabanado, sem avaliar onde estava se metendo. Caiu no ‘conto do Rui’, que precisava de um nome para fazer o papel que ele, o prefeito, não ousou desempenhar. Que prometeu – a Collor – e não cumpriu: um bloco unido, monolítico, de apoio integral. O senador topou, saiu em campanha, aos gritos, como é do seu feitio, mas logo sentiu que não ia dar. Com resistências – simbolizadas no discurso rancoroso de Cunha, o bloco, que nunca foi coeso, desintegrou-se.

Collor – prefeito de Maceió, deputado federal, governador, presidente da República e senador – caminhava rumo a uma derrota massacrante. Revés histórico de um político que ‘foi tudo’ ante um jovem que, no seu próprio enxergar, ‘ainda usa calças curtas’. Seria a lápide de uma carreira fulgurante e tumultuária.

O senador, então, lembrou-se de Rodrigo Cunha. No cenário até então montado, o apoio do deputado estadual significava pouco para o candidato ombreado a Biu de Lira. Mas Cunha representava a cizânia, causa de desunião. Não era o apoio, nem os votos, era o peso moral. Um candidato a governador menosprezado por um aliado da corrida senatorial.

Collor sentiu o clima, a tendência, avaliou pesquisas internas, o horizonte tenebroso, e isentou-se da tragédia nas urnas. Juntou uma coisa com outra – a arrogância de Cunha e a campanha sem futuro – e pulou fora.

Ironicamente, Cunha salvou Collor e, de quebra, ainda preservou as empresas do senador... Não era sua intenção, claro, pois a derrota collorida, de alguma forma, dimensionaria o ‘peso do  apoio negado’, mas a postura discordante serviu como pretexto para Collor se livrar da maior roubada de sua carreira política.

Na sutileza de seu cotidiano, Collor sabe que deve essa ao Cunha.

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A batalha semifinal entre Ciro Gomes e o petista Haddad

16/09/2018 11:14

Ante o prazo fatal estabelecido pelo TSE para sua substituição, Lula finalmente anunciou Fernando Haddad como candidato presidencial do PT, preenchendo, assim, o tabuleiro da sucessão que vinha sendo jogado sem uma das principais peças.

O que muda? Muita coisa, mas, essencialmente dois pontos importantes: primeiro, o PT deverá ser impedido, pela Justiça Eleitoral, de apresentar no horário gratuito da TV vídeos com Lula pedindo voto para Haddad, tendo em vista a condição do ex-presidente de preso recolhido numa cela da Polícia Federal.

Segundo – e bem mais delicado – os principais concorrentes do candidato petista tenderão, a partir de agora, a fazer algo que não vinha sendo visto devido à própria indefinição dentro do PT: bater em Haddad para tentar impedi-lo de chegar ao segundo turno.

Até aqui, o alvo preferencial de Ciro Gomes, Marina Silva e Geraldo Alckmin era o líder das pesquisas Jair Bolsonaro. Mas, apenas, provisoriamente, porque nenhum se destacava como o ‘segundo colocado’. Nos últimos dias – mostrou a nova pesquisa Datafolha – a vice-liderança começou a ser ocupada por Ciro Gomes. Só que Lula foi vetado pelo TSE e começou a migração de eleitores lulistas para seu vice e virtual substituto.

Ciro já disse que não pretende fazer de Haddad seu ‘principal’ alvo, mas essa garantia só será mantida se o petista não crescer, o que é improvável. Segundo o Datafolha, Ciro está com 13%, Marina com 8%, Alckmin com 9% e Haddad saltou de 4% para 13%, depois de oficializada sua ida para cabeça de chapa.

Ora, é pura lógica: se Haddad crescer e assumir o segundo lugar, Ciro (assim como Marina e Alckmin) terá de atacá-lo por ser o primeiro à sua frente. Simplificando: num cenário assim, o adversário direto de Ciro será o petista Haddad, pois antes de superar o primeiro colocado, terá de derrubar o segundo.

Não quer dizer, por outro lado, que a eleição de Bolsonaro estará decidida. Os números mostram que ele vencerá o primeiro turno, mas a vitória final no segundo não será alcançada facilmente, sobretudo, se o concorrente não for o petista Fernando Haddad.

 

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URGENTE - Collor desiste de candidatura ao governo de Alagoas

14/09/2018 22:06

O senador Fernando Collor acaba de anunciar sua desistência como candidato a governador de Alagoas.

Em vídeo postado na internet, Collor disse que havia assumido a missão de concorrer ao governo do Estado com apoio integral do grupo que o convidou para o embate.

Contudo, segundo o senador, apesar de seu empenho como candidato, faltou reciprocidade de união em torno do seu nome, o que o levou a tomar a decisão de se retirar do processo eleitoral.

 

Leia o comunicado de Collor aos eleitores alagoanos:

“Minha gente. A história desta nossa candidatura ao governo é de conhecimento de todos. Às vésperas da convenção, que ocorreu no último dia cinco de agosto, fui procurado por um grupo representativo da política alagoana. De forma coesa, unida, a mim dirigiu o apelo para assumir e liderar uma grande frente de oposição ao grupo governista. Percebendo a coesão, do grupo, em torno de compromissos para empunhar esta bandeira, aceitei a missão. Está na essência da democracia o exercício do contraditório, até para ofertar legitimidade ao eventual eleito. Todos sabem do meu destemor. Cumpro minha palavra, mas peço reciprocidade.  Na ausência dela, perde o sentido a missão a mim atribuída. Sem unidade perde a candidatura o seu significado de existência. Deixo, portanto, a condição de candidato ao governo, ficando aqui o meu muito obrigado aos colaboradores e correligionários. À minha gente, que me recebeu com tanto carinho, o meu mais profundo sentimento de gratidão”.

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Em desvantagem, Collor ataca Renan Filho; governador ignora provocações

13/09/2018 12:56

A campanha sucessória continua morna, em Alagoas, mesmo com a entrada em cena do senador Fernando Collor, principal desafiante do governador Renan Filho. A refrega segue polarizada, sem sinais do surgimento de uma terceira via, isto é, de mais um candidato com força para ‘se impor’ na disputa.

Segundo o calendário definido pelo TSE, a campanha será muito breve, com apenas 35 dias de Guia Eleitoral no rádio e TV, sendo que 11 dias já se passaram. Ainda assim, os programas não são diários para todos os postulantes, mas com apresentações alternadas entre candidatos a governador e a presidente.

Campanha de rua quase que não existe. Comícios são coisa do passado distante, enquanto as carreatas estão minguando por falta de atrativos. Nesse sentido, o equilíbrio é total entre os candidatos, que se dão melhor com caminhadas.

Collor tem usado uma estratégia primária: bater em Renan Filho, a tática recorrente de quem começa a disputa em desvantagem. Mas as cotoveladas do senador não surtem o efeito desejado ante a intencional falta de ‘revide’ por parte do governador.

A vantagem de RF lhe permite, por enquanto, fazer uma campanha mais propositiva, ora mostrando o que já fez, ora lançando fragmentos de seu projeto de governo para um eventual (e provável) segundo mandato a partir de janeiro próximo.

Collor, entretanto, não esmorece. Tem percorrido o estado, com visitas quase meteóricas dada à exiguidade do tempo. O ex-presidente sabe que está em jogo não o governo do Estado, mas a única vaga de senador que estará em disputa em 2022.

Por isso, e porque os aliados precisam de um comandante à frente do processo, a campanha tende a se intensificar e será muito bem disputada até o último dia. Collor sabe que assumiu uma missão de múltiplos desafios, sem chance de recuo. Sabe, também, que o maior desafio será tentar reverter o apoio de políticos que selaram alianças com Renan Filho lá atrás, quando o senador ainda falava em sair candidato à Presidência da República.

 

 

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Violência deu ao candidato Bolsonaro o que o 'sistema legal' lhe havia negado

10/09/2018 19:53

A faca que penetrou a barriga de Jair Bolsonaro não feriu, apenas, o candidato à Presidência da República. Ela atingiu em cheio o coração da Democracia brasileira, que tem na soberania do voto e na independência dos candidatos seus grandes fundamentos.

Junto com Bolsonaro, esfaqueado no meio da multidão que o aplaudia em Juiz de Fora, foram agredidos milhões de brasileiros que acreditam na democracia como fonte de liberdade e que veem o processo eleitoral como único caminho – isento e pacífico – capaz de conduzir o Brasil a uma situação de dias melhores.

A violência é fruto da insanidade, mas é tempo – como no caso de Bolsonaro – produto da intolerância que deve merecer, sempre, a repulsa dos que lutam pelo estado de direito democrático.

O ato perpetrado – o atentado contra a vida de Bolsonaro – é tão grave quanto o motivo eu lhe deu origem. Ao tentar excluir da disputa eleitoral um candidato legítimo (importando menos, aqui, sua liderança atestada por pesquisas), o agente da sandice se insurgiu contra a Democracia, porque quis, por método vil e odioso, impedir que milhões de brasileiros nele votassem.

De outro ângulo, o militante criminoso não agiu apenas para tirar a vida de Jair Bolsonaro, mas, também, para frustrar a vontade de milhões de brasileiros que, nas pesquisas de intenção de voto, manifestam o desejo de conduzi-lo à Presidência da República.

O episódio, ainda por outro lado, escancara um problema crucial vivido pelo Brasil dos dias atuais: o avanço incontido da violência criminal, um problema que até agora não foi – como deveria – enfrentado com a devida seriedade nas últimas décadas.

Talvez – e é lamentável que seja assim – o atentado ao candidato Bolsonaro sirva para alertar todos os que estão envolvidos com a definição do futuro nacional, para que se voltem, com a gravidade devida, à questão da violência que a todos ameaça.

A violência, esse tipo de violência, aliás, é também filha legítima da burrice e da ignorância. Pois, com invertida intenção, o agressor deu ao deputado Bolsonaro o que o sistema legal lhe havia negado: tempo na televisão para a campanha eleitoral.

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Primeira Edição © 2011