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Índios acusam fazendeiros de envenenar rio utilizado por famílias Kaiowá; veja o vídeo

20/11/2012 09:17

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Capital News

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Reprodução

Índio mostra rio tomado por espuma branca

O córrego YPo i, principal fonte de água dos indígenas Guarani Kaiowá de YPo i, em Paranhos, divisa do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, foi envenenado. Em entrevista ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a comunidade afirma que o crime foi "uma ação deliberada dos proprietários das fazendas".

Um vídeo com imagens do riacho contaminado, registrado por dois professores indígenas, foi publicado pelo conselho da Aty Guasu (assembleia dos Kaiowá e Guarani) na sexta-feira (16).

Uma crosta de espuma branca se formou em toda a superfície da água, na manhã de quarta-feira, fechando totalmente o rio. "As crianças estavam tomando banho quando viram a espuma branca", contou um dos índios ao Cimi. "Ela tomou conta do córrego inteiro por dois dias".

Os Guarani Kaiowá disseram ainda terem seguido a trilha do riacho até a fazenda, onde foram vistos dois tambores. "Não sabemos o que era. A gente foi pra tirar foto, mas fomos recebidos a bala. Começaram a atirar pra cima e saímos correndo".

Segundo os Kaiowá, não é a primeira vez que o único córrego da área, a 200 metros de distância do acampamento, é envenenado. "Logo quando a gente retomou, quando estávamos isolados, os fazendeiros jogaram gado morto no rio, querendo dificultar nossa vida", diz um indígena.

O córrego é a principal fonte da comunidade de água pra beber, tomar banho, fazer comida e lavar roupa.

Em nota, o conselho da Aty Guasu disse estar "chocado e indignado com as ações cruéis dos fazendeiros (...)", e exigiu que "autoridades federais tomem prividências cabíveis".

A Polícia Federal, Força Nacional e Fundação Nacional do Índio foram notificadas da ocorrência e uma amostra da água será encaminhada ao Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul (MPF/MS).

Crimes sem castigo

Desde a reocupação do tekoha, em 2009, três Kaiowá já foram assassinados em YPo'i.

Dois professores, os primos Genivaldo e Rolindo Vera, foram mortos três dias depois da retomada. O corpo de Rolindo permanece desaparecido. O de Genivaldo foi encontrado no córrego, perfurado, com sinais de tortura e o cabelo raspado.

Já em 2010, Teodoro Recalde foi assassinado a golpes de facão por jagunços.

Confira o vídeo

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