Primeira Edição [atalho H]
13/02/2012 - 10:34

Por que Renan não será candidato a governador

O senador Renan Calheiros poderia enumerar algumas razões para não concorrer ao governo alagoano em 2014, mas uma, em especial, justifica a posição já assumida em caráter inarredável: a consciência de que, lá em Brasília, pode fazer muito mais por Alagoas do que aqui, na condição de ‘governante de cuia na mão’.
Consciência que se apóia numa realidade flagrante: o Estado se debate com problemas acumulados ao longo de décadas, e não tem – sem ajuda de fora – como superar suas dificuldades. Sistema de saúde desintegrado, estrutura educacional em ruínas, segurança pública desmontada. E o governador Téo Vilela pedindo socorro ao governo federal e suplicando empréstimo a bancos estrangeiros.
Que papel faria Renan governando Alagoas carente de tudo, com seus indicadores sociais no fundo poço? O de levar o tempo viajando a Brasília, com a pasta cheia de projetos, para amealhar recursos nos ministérios ou em programas de investimento como o PAC. Ora, para cumprir essa agenda, ele pode muito bem fazê-lo como senador, líder do maior partido brasileiro (PMDB) e com trânsito livre nas mais altas esferas do governo federal.
Como senador, Renan tem sido recordista em obtenção de recursos para Alagoas, seja em forma de emendas ao orçamento federal, seja através de financiamentos a projetos encampados pelos ministérios. São recursos transformados em obras de educação, saúde, rodovias, habitação, urbanização, saneamento básico.
Claro que todo político bem sucedendo quer governar seu estado – é um direito e uma honra. E acontece que Renan já teve sua vez, em 1990, quando era tido como imbatível, liderou todas as pesquisas até o dia da eleição, mas acabou sendo vítima de uma fraude monumental. Tremenda rapinagem reconhecida pela própria Justiça Eleitoral que, premida pela dimensão do escândalo, acabou por anular parcialmente o pleito.
O revés maquinado, urdido nos subterrâneos da política menor, converteu o sonho em pesadelo, mas não alijou Renan do processo. Pelo contrário, em 1994 se elegeu senador, foi ministro da Justiça no governo FHC e, mais adiante, presidiu o Congresso Nacional. Hoje, ao completar o primeiro ano de seu terceiro mandato senatorial, é peça fundamental em qualquer articulação para ajudar Alagoas.
No final de 2011, encampou a luta pela conquista do estaleiro ao defender a antecipação de contratos da Petrobras para garantir a viabilidade do mega empreendimento. Contratos, aliás, já agora consolidados. Ou seja, atuando em Brasília, dentro e fora do Parlamento, Renan tem exercido sua verdadeira vocação e influenciado toda e qualquer iniciativa relevante com vistas a melhorar a situação de Alagoas.
E, justamente por isso, está cabalmente demonstrado que o líder peemedebista, nesse cenário que aí está, pode fazer muito mais pelo Estado como senador da República, tendo ainda, como tem, sete longos anos de mandato pela frente.


 

Redação

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