Não tenho nada contra o jogador de futebol, Ronaldinho Gaúcho.
Na verdade, nem sou um grande torcedor de futebol, a não ser pelo fato de que nasci no Rio de Janeiro, bem em frente à sede do Fluminense.
E aí aprendi a dizer que meu time é o Fluminense.
Agora, vamos e venhamos, chega-me ao conhecimento de que a nossa Academia Brasileira de Letras vai outorgar ao Ronaldinho a medalha Machado de Assis, a mais importante honraria que aquela casa dedica aos gênios das letras.
Pelo que eu saiba a única incursão do jogador nessa área é quando faz um “gol de letra”.
E mais nada.
A título de justificativa dizem os homens dos fardões engalanados que Ronaldinho faz jus à honraria pelos serviços prestados à Seleção Brasileira.
De futebol, gente! Seleção Brasileira de Literatura é a nossa Academia, tão respeitada ao longo dos anos e, acho que será agora tão olhada de banda com o gesto que está a cometer.
É preciso “dar a César o que é de César” e a Ronaldinho o que é de Ronaldinho.
Os melhores títulos esportivos, títulos de cidadania, medalhas de reconhecimento por seu belo trabalho em favor do esporte.
Dêem-lhe tudo, mas, por favor, não aumentem a nossa santa ignorância colocando em seu peito a medalha mais representativa do nosso conhecimento literário.
No entanto, quem sabe, um dia, depois de largar o futebol, ele não sairá por aí escrevendo estórias e fazendo história, até como um futuro acadêmico.
Quem sabe?
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