Veio-me pela janela, repetidas e insistentes frases musicais, tiradas de um saxofone de certo desconhecido aspirante de músico, residente no quarteirão. Todo dia lá está aquele jovem com seu instrumento inundando a rua com sua arte. No começo, fazia seu sax gemer meio desafinado, o que não era nenhum pecado, afinal, disse certa vez Tom Jobim em uma de suas canções, que no peito de um desafinado também bate um coração. Ultimamente ele teve grandes progressos, pois já consegue articular com certa segurança algumas linhas melódicas. Seu instrumento sopra solitário, levando aos ouvidos da vizinhança a linguagem universal da música, que é sutil, acalentadora, encantadora não só para os homens, mas também para os animais, e creio eu, que até para as plantas.
Comenta-se no meio cultural que no Estado de alagoas existe apenas um músico empregado. Que pena... Que esquecimento... logo com um povo tão musical, como todo brasileiro, que tem a música no sangue. É de fato um contra-senso. Lembremo-nos sempre do que fizeram pela música no Brasil esses dois nordestinos pernambucanos, os maestros: Guerra Peixe e Moacir Santos. A nível local, encarnemos-nos no espírito dos maestros Fonfom e Heckel Tavares, os quais com sua batuta alagoana conseguiram reconhecimento nacional. E tantos outros que com ideal e resignação labutam nesta seara por levar as pessoas o conhecimento da boa música. Firmemos bons augúrios para que daqui pra um futuro próximo, tenhamos uma política pública mais voltada ao apoio dos conservatórios; das fanfarras; dos orfeões; e de mais professores especializados nas escolas públicas. Sonhemos com toda essa criançada, dedicando um pouco de sua explosão de hormônios e energia, para essa arte, que é fundamental na complementação da formação de um homem civilizado.
PrimeiraEdicao.com.br © 2012 - Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do PrimeiraEdicao.com.br.