Primeira Edição [atalho H]
18/12/2011 - 11:25

As renas de Papai Noel

Quando me deparei naquele começo de noite com a decoração luminosa da faixada de um prédio, percebi duas altivas renas puxando o trenó de um Papai Noel sorridente, representando muito bem o espírito natalino. A bagagem de presentes do velhinho, passa a mensagem de que quando o ano termina, há de haver uma compensação para o trabalho e um agrado para as crianças, firmando nelas a imagem de que o vovô é sempre simpático e bom, e por isso merece ser amado e venerado. As renas, como tração motora do trenó, olham pra frente desbravando o novo tempo que há de vir. Abrindo assim, os horizontes, mostrando que a vida é um eterno caminhar em desafios constante, e vontade de vencer. Papai Noel, levado no trenó com sua bagagem, também é a representação do dever cumprido, e da retribuição que se dá dos resultados alcançados ao longo da vida. E essa retribuição, de modo especial, dar-se-á as crianças que são as flores em botão, a safra do futuro que se rega e se cuida. E o natal é mais ou menos assim: um balanço de um tempo que passou, e a esperança de um tempo vindouro. Com o Papai Noel e com as renas, faz-se a simbologia de um mundo que precisa ser solidário, que confraterniza e assimila o espírito de paz do nascimento de um menino Deus, que era rico, e se fez pobre por opção, legando sua mensagem de amor para o mundo. Isso nos parece uma inversão ao consumismo dessa época. A festa sobreponhe-se a singela mensagem natalina, para desencadear a gastança. Quem está no aperto do orçamento, não vai nesse momento deixar de dizer feliz natal, por que ninguém consegue calar estas palavras neste período do ano, mesmo vendo o dinheiro fácil nos bolsos de alguns, e a carestia na mesa de muitos. E todos comemoram como podem, o natal está acima da inflação, da corrupção, da doença e da saúde, das injustiças, da abastança e da vida severina; porque o natal é um estado de espírito que paira no ar. Os que estão nas poltronas, ou os que estão na geral, têm o mesmo sentimento quando dizem, feliz natal!
O que me atina neste momento, é que o ano passou tão rápido que até parece que o natal foi ontem. Disse isso hoje à balconista da farmácia, que prontamente concordou comigo. Lembrando do que fiz o ano passado, não quero acreditar que já passou tantos dias. Mas a verdade é que passou, e que estou mais velho. Contudo, não posso desacelerar esta vida hi-tech que não deixa mais ninguém ficar fora da velocidade virtual das coisas. O mundo virtual e as comunicações impulsionaram o tempo, mas no natal a gente faz algo ainda como de costume. Dar-se um tempo, faz-se um balanço, confraterniza-se com os colegas de trabalho, se ganha um extra, visita alguém, ou encontra casualmente como que um milagre; alguém que não vemos a um bom tempo. Sim, porque no natal milagres acontecem nos pequenos detalhes, mesmo dentro da correria que fica o trânsito, e das coisas que se tem a fazer nesta época. Como me ocorreu o coração se alegrar, vendo numa rápida parada, naquela faixada do prédio, um Papai Noel luminoso, sorridente, puxado no seu trenó por duas renas que aparentavam vigor. E o natal é bem isso, a gente parar para ver as luzes, as cores, as pessoas contagiadas pelo clima da festa. Em fim, deixar-se levar pela leveza destes dias que passam rápido, e que só nos encontrará outra vez, no ano que vem.

cronicjf@gmail.com
 

Redação

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