Doria pode esperar pelo 'fim' de Lula e Bolsonaro

12/10/2021 13:27

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Romero Vieira Belo

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Ninguém discute a competência de João Doria, como comunicador e, também, como gestor público, mas habilidade política é algo que só se consegue com vivência e maturação na atividade partidária. Doria se comunica com facilidade, sabe ser convincente – talvez exagere um pouco no formalismo – e foi isso que lhe garantiu o sucesso de, em tempo recorde, eleger-se prefeito de São Paulo e conquistar o governo do Estado.

Trajetória meteórica rumo ao sucesso, Doria entendeu que poderia imprimir a mesma velocidade para alcançar seu objetivo maior – eleger-se presidente da República já em 2022 – e avaliou que o ‘rompimento’ com Bolsonaro seria lance de enxadrista.

O raciocínio parecia correto – Bolsonaro deixou de governar para brigar o tempo todo com a mídia e com ministros do Supremo Tribunal – mas lhe escapou a percepção de que Lula poderia entrar no jogo, como de fato entrou, auxiliado pelo próprio presidente, alterando o cenário para a sucessão de 2022.

Hoje, mesmo realizando um trabalho afirmativo no comando do governo paulista, mesmo vencendo a batalha contra a pandemia, ao colocar São Paulo na liderança da vacinação em massa contra Covid (em contraposição à atitude crítica de Bolsonaro), Doria não consegue mover-se positivamente no tabuleiro das pesquisas de intenção de voto, seja por falta de capilaridade pelo interior do País, seja porque Lula e Bolsonaro monopolizam uma disputa com evidente tendência de polarização, o primeiro explorando sempre a condição de antítese do bolsonarismo.

Para viabilizar melhor o projeto que concebeu, Doria poderia ter evitado a precipitação do choque com Bolsonaro: estaria recebendo mais recursos e mais atenção do governo federal, ganhando tempo, realizando mais obras e, de camarote, assistindo ao contínuo desgaste presidencial. Preferiu, porém, ir para um confronto em meio a uma tragédia sanitária nacional, com graves efeitos econômicos (mais inflação) e sociais (mais fome).

Resta a Doria, nesse cenário, reavaliar seu papel. O ideal, talvez, fosse investir na unidade dentro do PSDB e postular a reeleição. A briga eleitoral em 2022, seja qual for o resultado, esgotará Lula e Bolsonaro. Portanto, a briga de João Doria ficaria para 2026.

 

GOVERNADOR CRITICA PROPOSTA DE LIRA

“Não é culpa do ICMS, é culpa do governo federal, que fala muito e faz pouco”, disparou João Doria, governador de São Paulo, ao criticar a proposta de Artur Lira de reduzir a arrecadação dos estados para baixar o preço dos combustíveis. Lira – todo Bolsonaro, por enquanto – rebateu dizendo tratar-se de uma questão de ‘sensibilidade social’.

Primeira Edição © 2011