Artur Lira, presidente da Câmara: entre o sonho e a realidade

08/02/2021 18:55

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Romero Vieira Belo

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Eleito presidente da Câmara Federal, nas circunstâncias que todos conhecem, Artur Lira se incorpora indiscutível influência no plano nacional, mas cria, também, muitas expectativas em relação ao que poderá trazer ou fazer por Alagoas.

O deputado do PP, filho do ex-senador Benedito de Lira, assumiu com o presidente Bolsonaro o compromisso de mantê-lo livre de um impeachment, mas sabe que abrir ou não um processo dessa natureza dependerá menos dele, de sua vontade pessoal e de sua nova relação com o presidente, e mais da pressão popular.

No Brasil – veja-se o exemplo de Collor e Dilma – impeachment é algo que vem de fora para dentro do Congresso e, provam os casos citados, uma vez instaurado, os desfechos são fatais.

Mas essa é uma questão a ser ponderada mais adiante. Primeiro, porque Bolsonaro já consome o terceiro ano de seu mandato; segundo, porque muita gente, que antes defendia a destituição a qualquer custo, já assimila aturá-lo até o fim. Como se dissesse: “Deixa esse maluco concluir o mandato, talvez seja melhor do que criar uma nova confusão, um novo trauma no país”.

Aqui em Alagoas, não apenas os políticos, mas, sobretudo, a população, acredita que, presidindo a Câmara e, agora, amigo pessoal do presidente, Artur Lira poderá fazer muito pelo estado, melhorando as condições de vida dos alagoanos. É um sonho.

Aliás, Lira coloca o alagoano entre o onírico e o real. O sonho é pensar que ele agora pode tudo. A realidade é que a sua força, o seu poder consiste em ser igual aos demais, pois sem os outros que o elegeram, ele não pode nada. Lira tem apenas o seu voto. O pode pertence ao conjunto que decidiu elegê-lo.

Se fosse só o ‘querer’, Collor – presidente da República – teria feito de Alagoas um estado desenvolvido. E o Maranhão, de Sarney presidente da República e do Congresso, teria deixado de ser um dos estados mais pobres do Nordeste.

Em suma, o que Artur Lira intentar para Alagoas, terá de conceder a cada um que ajudou a conduzi-lo à presidência da Câmara. Se não for por aí, sua gestão entrará em parafuso...

 

CHICO TENÓRIO NA 1ª SECRETARIA DA ALE

Depois de superar longo período de turbulência em sua trajetória política, o deputado Francisco Tenório conquista posto relevante na Mesa da Assembleia Legislativa, assumindo a 1ª Secretária da Casa de Tavares Bastos, posto que vinha sendo exercido pelo colega Paulo Dantas, agora exercendo a função der 2º secretário.

 

MARCELO CONFIRMA LIDERANÇA NO LEGISLATIVO

Com capacidade para influir no processo sucessório estadual do ano que vem, Marcelo Victor consolida sua liderança no comando do Legislativo Estadual neste ano e no próximo, que é de eleição. E mantém excelente nível de relacionamento com o governador Renan Filho e o comando do Tribunal de Justiça.

 

CONGRESSO VIRA ‘ANEXO’ DO PLANALTO

Com R$ 3 bilhões distribuídos com senadores e deputados, em forma de emendas orçamentárias, Jair Bolsonaro transformou o Congresso Nacional em um anexo do Palácio do Planalto, mas também assumiu de vez sua condição de presidente chancelado pelo Centrão, o grupo que faz política negociando cargos.

 

NOVO COMANDO REACENDE PROPOSTA DA CPMF

Com a vitória de Rodrigo Pacheco, no Senado, e Artur Lira, na Câmara, Paulo Guedes, ministro da Fazenda, já se movimenta para tentar aprovar a reforma tributária incluindo, muito provavelmente, a proposta de criação de uma nova CPMF.

 

GUEDES, O DOLAR E A ONDA DE REAJUSTES

Aliás, a pandemia e a disputa no Congresso mantiveram, até aqui, Paulo Guedes imune aos efeitos da maré de reajustes de preços na economia brasileira, com inflação ameaçando sair do controle. O ministro tem culpa: estimulou a alta do dólar, uma das causas dos aumentos de preços de produtos atrelados ao câmbio.

 

ELEIÇÃO MOSTRA QUEM É QUEM NA CÂMARA

De um assessor legislativo, ao saber da vitória de Artur Lira por 302 votos contra 145 atribuídos a Baleia Rossi: “Agora, sabemos com precisão matemática quantos são os homens e mulheres de bem com assento na Câmara dos Deputados”.

 

‘ARBITRAGEM’ GARFOU ACESSO DO CSA

O CSA foi miseravelmente garfado pela arbitragem na reta final da Série B. Convém sempre lembrar: não fosse o gol legal anulado pelo bandeirinha e confirmado pelo juiz, no Rei Pelé, o Azulão teria ganho do Brasil de Pelotas por 2x1 e hoje estaria entre os quatro garantidos na Série A deste ano.

 

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