Cazaques e estrangeiros reagem à sátira do novo filme da personagem Borat

30/11/2020 12:48

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EFE

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O filme "Borat: Fita de Cinema Seguinte", do britânico Sacha Baron Cohen, sobre um jornalista do Cazaquistão que passa uma imagem negativa da antiga república soviética é pouco realista e oferece uma imagem distorcida, indicaram à Agência Efe conhecedores locais e estrangeiros do país.

A sátira, que tem como personagem principal Borat Sagdiyev busca fazer um contraponto, politicamente incorreto, dos extremos culturais do planeta, opondo o Cazaquistão, retratado como nação de traduções antiquadas com os Estados Unidos.

O sexismo, a misoginia, o racismo e o antissemitismo são temas recorrentes no filme, que gerou mal-estar em grande parte da sociedade cazaque, que considera a obra injusta.

Aliya Aizakhmetiva, uma jovem empreendedora, que foi ouvida pela Agência Efe, considera que "Borat: Fita de Cinema Seguinte", não faz jus à realidade.

"A situação é completamente diferente. Nosso país é muito bonito, tem muitas oportunidades de trabalho, negócios, educação e de serviços médicos", garante a entrevistada, em perfeito espanhol.

VISÃO ESTRANGEIRA.

De uma perspectiva mais neutra, o espanhol Pedro Mantilla, que faz mestrado em Nursultan (antiga Astana), afirma que o filme é "uma sátira, em que exageram os problemas que existem e sequer é certeira, porque não se parece com o Cazaquistão em muitas coisas".

Já para Arturo Rojas, um professor mexicano, o país é diverso, devido a convivência de mais de 100 grupos étnicos no território.

"Realmente, não acho que haja um grande problema com o racismo neste país, porque existem muitas culturas, o que significa que elas podem aprender a conviver umas com as outras, sem levar a conflitos internos", avalia.

O também espanhol Diego Amado concordou que não há uma representação precisa do país no novo filme de Sacha Baron Cohen, que no Brasil está disponível na plataforma de streaming Amazon Prime.

"Nos cinco anos que estou aqui, posso dizer que o Cazaquistão não está representado. Estou certo que aqui não há qualquer tipo de racismo, antissemitismo, misoginia intrínseca à sociedade. É verdade que há diferenças culturais, mas as mulheres não estão trancadas em jaulas, nem mesmo todas precisam cobrir os rostos", disse.

 

MULHERES EMPODERADAS.

A professora Inna Hakobyan e a arquiteta Zhemis Kapakova afirmaram que o Cazaquistão é um país ondem convivem pessoas "de mentalidade aberta" e que há espaço para que se exerça as individualidades.

A jornalista e blogueira cazaque Shiara Rahim, por sua vez, lembrou que não há qualquer obrigação, como em países muçulmanos, impostas às mulheres sobre o uso de burcas ou 'hijab', e que nenhuma delas deve cobrir o rosto.

"Somos livres e bem-sucedidas. Ao meu redor, tenho muitas amigas, mulheres maravilhosas e talentosas, que chegaram longe nos negócios, política, em todos os setores", explicou a profissional de imprensa.

Embora seja considerado um país em que há oportunidades para mulheres, a embaixadora de Israel no Cazaquistão, Liat Wexelman, reconheceu que, como em grande parte do planeta, faltam mais oportunidades de trabalho.

"Penso que ainda há espaço para melhorar a igualdade de gênero porque, como podemos ver na tomada de decisões, na economia e na política, não há mulheres suficientes", disse.

Sobre o antissemitismo tratado no filme, Wexelman aponta a participação de representantes do Cazaquistão em vários congressos sobre a tolerância e o respeito entre diferentes etnias, religiões e ideologias.

"Acho que é muito importante e muito simbólico que tenhamos esta mensagem de união, contra o ódio", garantiu a diplomata israelense, que se disse segura e bem acolhida na nação centro asiática. EFE

Primeira Edição © 2011