A disparada do dólar - provocada pelo governo - e a explosão dos preços em geral

28/09/2020 12:18

A- A+

Romero Vieira Belo

compartilhar:

 

O Brasil enfrenta não apenas sinais, evidências, mas efeitos concretos de uma desorganização de preços que, a cada dia, vai se tornando mais abrangente e com tendência de generalização. Começou há uns dois meses com a disparada do preço do – errou quem imaginou arroz – do maracujá. De repente, sem desaparecer do mercado, o saboroso e nutritivo maracujá tornou-se quase inacessível: a unidade saltou de 50 centavos para um real –aumento de 100%. Por que isso?

Porque, como soja, manga, laranja – o maracujá é exportado e, como se sabe, a cotação do dólar desembestou ao estímulo do gênio da economia Paulo Guedes. Lembre-se que, há alguns meses, o ministro da Economia, em acintoso e abjeto gesto de preconceito repulsivo, defendeu a alta do dólar dizendo que, antes, com o câmbio acessível, até as empregadas domésticas estavam viajando para Nova Iorque.

A lógica de Guedes, no caso específico do câmbio, é uma agressão primária à inteligência: o Banco Central estimula a valorização da moeda americana e, com isso, corrige para cima o valor das reservas cambiais do Brasil, estimada em mais de 330 bilhões de dólares. Um ganho genial, sem dúvida...

Mas com um preço devastador: a subida do dólar abriu caminho para um espetacular embalo às exportações. Traduzindo: o produtor brasileiro, que vive de lucro, decidiu direcionar sua produção para o mercado externo, já que o real havia virado ‘vale de usina’, enquanto dólar multiplicava lucros.

Paulo Guedes, o velho Posto Ypiranga, ficou com a cara mexendo e, como esperado, sem saber o que fazer. Com o câmbio lá em cima, a população brasileira vai ter que se habituar à escassez dos produtos e aos preços cada dia mais elevados. E não adianta, nem Guedes nem outros agentes do governo, dizer que a culpa é do auxílio emergencial que ‘impulsionou as vendas e pressionou os preços’. Pois o material de construção explodiu, também, e não consta que pobres sem emprego e renda estejam comprando, reformando ou construindo imóveis pelo Brasil afora...

Primeira Edição © 2011