Pandemia mata, mas, quantos estão se salvando?

20/05/2020 11:37

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Romero Vieira Belo

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Até aqui, a mídia, os especialistas, os críticos, todos têm se limitado a avaliar quantas mortes e quantos casos de contágio da covid-19 já foram contabilizados em Alagoas e no Brasil. Trata-se de uma visão estatística oportuna e correta, mas incompleta. Urge também questionar quantos deixaram de morrer e quantos evitaram contaminação por coronavírus desde o inicio do surto.

No Brasil, são quase 15 mil óbitos e perto de 200 mil infectados. Um número assustador, considerando que, ao contrário do que afirma o presidente Bolsonaro, a covid-19 não é uma gripezinha, mas uma terrivelmente agressiva infecção respiratória, que só a define com precisão quem vai para a UTI, passa dias entubado e, muitas vezes por milagre, consegue escapar.

Mas outro dado estatístico deveria mexer com a mente das pessoas – das autoridades, principalmente: não fossem as medidas de isolamento social e, mais recentemente, o uso obrigatório de máscaras de proteção, que estágio a pandemia já teria atingido?

Deve-se considerar, no caso do Brasil, a concentração demográfica no entorno dos grandes centros urbanos, as favelas, os conjuntos populares. Em Alagoas, acrescente-se quase 80 grotas. Sem o isolamento social, claro, a transmissão do coronavírus já teria colocado o País na liderança mundial da epidemia, ao lado dos Estados Unidos.

Não há dados precisos, mas dá para imaginar que, sem as ações de isolamento, o número de mortos seria o dobro do atual e muito mais do dobro o universo de brasileiros infectados.

Mesmo porque, havendo uma ‘explosão’ de casos do coronavírus, a estatística mortal evoluirá de forma assombrosa, com a saturação da rede hospitalar e, por conseguinte, com a incapacidade de atendimento para todos os contaminados.

Em Alagoas, o governador Renan Filho age com prudência, alinhado ao prefeito Rui Palmeira, priorizando o isolamento. Sem essa diretriz, a pandemia aqui já teria avançado para um número muito mais expressivo de mortos e infectados.

 

Primeira Edição © 2011