Farmacêutica americana mostra resultados animadores em vacina para Covid-19

18/05/2020 16:31

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EFE

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A empresa farmacêutica americana Moderna Inc. informou nesta segunda-feira que obteve resultados positivos em uma fase inicial de uma vacina experimental contra o coronavírus SARS-CoV-2, a primeira já testada em humanos, e que dará sequência aos testes.

A Moderna, com sede em Cambridge, no estado de Massachusetts, é uma das oito empresas que desenvolvem globalmente ensaios clínicos em humanos de uma vacina contra o vírus e obteve dados animadores sobre uma resposta imunológica na primeira fase de seu estudo, coordenada com o governo dos Estados Unidos.

"Os dados provisórios da Fase 1, embora precoces, demonstram que a vacina mRNA-1273 desenvolve uma resposta imunológica da magnitude causada pela infecção natural, começando com uma dose tão baixa quanto 25 microgramas", disse o médico-chefe da empresa, Tal Zaks, em um comunicado oficial.

Os 45 adultos saudáveis que participaram do estudo candidato à vacina mRNA-1273, realizado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAD), foram separados em três grupos que receberam doses diferentes, de 25, 100 e 250 microgramas.

A vacina foi "geralmente segura e bem tolerada" pelos participantes, que desenvolveram anticorpos para a Covid-19, mas a Moderna destaca os resultados nos grupos que receberam duas doses de 25 e 100 microgramas.

"No dia 43 do estudo, duas semanas após a segunda dose ter sido injetada nos participantes do grupo de 25 microgramas, os níveis de anticorpos de ligação estavam em níveis observados em soro convalescente (amostras de sangue de pessoas que se recuperaram da Covid-19)", destacou a fabricante. Já os participantes do grupo que receberam duas doses de 100 microgramas excederam os níveis de anticorpos observados no soro convalescente.

A empresa afirmou que sua vacina experimental desenvolveu anticorpos neutralizantes em oito participantes desses dois grupos - quatro de cada um e os únicos para os quais tem dados até o momento.

Zaks disse ao jornal "The New York Times" que a dose maior, de 250 microgramas, será eliminada de futuros estudos porque o aparente bom desempenho das doses menores é suficiente. "Quanto menor a dose, mais vacinas podemos tomar", explicou.

O médico-chefe afirmou à emissora "CNN" que os resultados intermediários mostram que esses anticorpos, essa resposta imunológica, podem realmente bloquear o vírus. "É um primeiro passo importante no caminho para uma vacina que, se os bons resultados continuarem, poderá estar pronta para o público em janeiro do próximo ano", comemorou.

A empresa de biotecnologia continua agora com a Fase 2, que no início deste mês foi aprovada pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), o órgão regulador americano, e envolverá cerca de 600 pessoas. Enquanto isso, a Moderna já planeja com milhares de participantes para julho a Fase 3, que visa confirmar os resultados das etapas anteriores.

"Combinados com o sucesso de um ensaio pré-clínico em ratos, em que a vacina impediu a reprodução do vírus nos pulmões dos animais, esses dados comprovam nossa crença de que a mRNA-1273 tem o potencial de prevenir a doença Covid-19 e melhorar nossa capacidade de selecionar uma dose para ensaios-chave", acrescentou Zaks, cujo discurso foi endossado pelo CEO da farmacêutica, Stéphane Bancel.

"Com os resultados interinos positivos da Fase 1 e os dados positivos no modelo do rato, a equipe da Moderna ainda está focada em avançar o mais rápido possível com confiança para iniciar a Fase 3 do estudo-chave em julho e, se bem sucedida, solicitar uma BLA (autorização do regulador para comercialização)", declarou Bancel.

Após a divulgação da informação, a Moderna disparou até 30% em negociação eletrônica antes da abertura da Bolsa de Nova York e perto da metade do pregão em Wall Street subia 25%. Nos últimos três meses, seu valor de mercado aumentou em 340%.

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