BID une esforços para encarar futuro "complexo" da economia da América Latina

01/11/2019 13:28

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EFE

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O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) reuniu nesta quinta-feira os principais especialistas das Américas em identidade digital e inclusão econômica para debater os desafios enfrentados pela economia do continente, que está entre os que têm as piores perspectivas de crescimento, de acordo com as últimas previsões globais.

O complexo cenário foi analisado nesta quinta-feira no Foromic, o principal evento sobre inovação para a inclusão da América Latina e do Caribe e que é realizado até amanhã em Punta Cana (República Dominicana) com o objetivo de discutir amplamente e encontrar soluções em três eixos importantes do futuro da região: novas finanças, negócios em transformação e melhores vidas.

"Estamos, no Foromic, focados no grande desafio da inclusão, já que não podemos deixar de reconhecer que nossa região está passando por um momento muito complexo", disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, na sessão inaugural da edição 2019 do evento.

Moreno disse que é importante encontrar soluções que "melhorem a vida das pessoas" na América Latina nestes "tempos turbulentos", causados pela desigualdade de oportunidades econômicas.

"Nos últimos meses temos observado fenômenos sociais que se manifestam de diferentes maneiras em diferentes países, mas com um elo comum: a enorme frustração que milhões de pessoas sentem em relação ao sistema econômico e social, que não está lhes dando as mesmas oportunidades que as das classes privilegiadas", refletiu.

Um dos exemplos mais claros desta situação é a crise política e social que o Chile atravessa há 14 dias, com grandes manifestações contra a desigualdade e o governo de Sebastián Piñera durante as quais mais de 20 pessoas morreram.

Em Argentina e Equador também houve mobilizações populares de amplas proporções por causa da atual situação econômica nesses países, que recorreram a instituições multilaterais para ajudar suas economias enfraquecidas e tentar redirecionar seus planos para o futuro.

Em relação a esse cenário, Moreno advertiu que pode ocorrer "uma grande fratura social" na região.

"É aí que uma grande fratura social começa a ser criada, e se não a corrigirmos logo, tempos difíceis virão. Em um fórum como este, reinventar a inclusão não poderia ser mais oportuno e urgente", comentou.

O ministro da Fazenda da República Dominicana, Donald Guerrero, foi o anfitrião no primeiro dia do Foromic e deu o sinal de partida para a programação do evento. Ele enfatizou a necessidade de os países latino-americanos desenvolverem planos de inclusão econômica para que todos os cidadãos possam "se integrar socialmente".

"Todos os países da região têm amplos desafios em termos de inclusão, entendida como que cada família e cada pessoa tenham os recursos e oportunidades necessários para poder se integrarem socialmente", frisou Guerrero.

Para alcançar esse objetivo, o laboratório de inovação do BID, o BID Lab, vem trabalhando na criação de uma rede chamada "LACChain", que é uma plataforma gratuita de blockchain para a América Latina e o Caribe cujo objetivo é garantir a veracidade das operações pela internet na região.

"O objetivo do LACChain é abrir muito mais acesso à tecnologia de blockchain, entendendo que ela pode ser um enorme facilitador para alcançar objetivos de impacto social, como melhorias nos serviços financeiros e educacionais e na produtividade no campo", explicou a gerente geral do BID Lab, Irene Arias, em entrevista à Agência Efe.

"Estamos observando um crescimento tão rápido que nos permitiu lançar hoje como algo real esta iniciativa, que era apenas uma ideia no ano passado e agora tem casos reais, infraestrutura, padrões e protocolos definidos e um plano para o futuro", disse.

Ao longo do dia, dezenas de empresas, como Oiko Credit e Triple Jump, apresentaram seus projetos de inclusão financeira e oportunidades de transformação digital na seção de exposições do evento.

Uma das representantes da Oiko Credit na América Latina, Karina Vasquez, disse à Efe que esta cooperativa global "promove o desenvolvimento sustentável através de investimentos em finanças inclusivas, agricultura e energia renovável, com o objetivo de empoderar pessoas de baixa renda".

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