Twitter anuncia que proibirá anúncios políticos pagos

31/10/2019 13:13

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EFE

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O CEO do Twitter, Jack Dorsey, anunciou nesta quarta-feira que a rede social não vai mais permitir anúncios políticos pagos, o que inclui tanto campanhas eleitorais de candidatos como as referentes a questões politicamente controversas.

Em uma thread na rede social, Dorsey anunciou a medida, que começará a ser implementada em 22 de novembro, um ano antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

"Tomamos a decisão de acabar com todos os anúncios políticos no Twitter globalmente. Acreditamos que as mensagens políticas devem ser ganhas, não compradas", disse Dorsey, que então elencou as razões que levaram a empresa a fazê-lo e fez uma crítica velada ao Facebook.

A proibição será aplicada apenas aos conteúdos pagos, ou seja, aos espaços publicitários que as campanhas políticas ou privadas podiam comprar até agora para promover suas mensagens, mas em nenhum caso limita o que os utilizadores podem dizer na plataforma.

Dorsey disse que, "embora a publicidade na internet seja incrivelmente poderosa e muito eficaz para os anunciantes comerciais", esse mesmo poder traz "riscos significativos" para a arena política, pois pode ser usado para "influenciar os eleitores e afetar a vida de milhões" de pessoas.

Para ele, as campanhas devem obter notoriedade na rede social através de retweets e novos seguidores, mas não pagar para alcançar mais pessoas.

A decisão do Twitter representa uma mudança radical em relação ao comportamento adotado na última campanha eleitoral nos EUA, em 2016, quando encorajou os candidatos a comprar espaço na plataforma e foi usado por hackers russos para tentar influenciar o resultado da eleição, o que lhe valeu fortes críticas.

Por sua vez, no início de outubro, o Facebook protagonizou uma controvérsia quando o candidato democrata à presidência e ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden pediu à companhia de Mark Zuckerberg para remover um anúncio contra ele, com conteúdo que ele considerava falso e que foi pago pela campanha do presidente Donald Trump à reeleição.

A resposta do Facebook, divulgada em uma carta, foi que, por respeito à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa e ao processo democrático, a empresa não iria checar as palavras ou anúncios de políticos na rede social com verificadores profissionais.

Na thread, Dorsey também fez uma referência velada à polêmica, afirmando que não seria plausível de sua parte dizer: "Estamos trabalhando duro para que as pessoas não divulguem informações falsas, mas se alguém nos pagar para forçar as pessoas a ver sua propaganda política... bem, então eles podem dizer o que quiserem". EFE

Primeira Edição © 2011