Após regularização, sites de apostas enfrentam questões sobre segurança

Proteção dos dados dos usuários é uma das principais preocupações das empresas que passaram a operar legalmente em dezembro no Brasil

16/07/2019 10:16

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Vinícius Mendes

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As apostas online estão em alta no Brasil. “Apostas Brasil” é algo cada vez mais comum. Principalmente após a sanção da nova lei a respeito do assunto, apostadores, empresários e operadores estão debatendo o futuro da atividade. Nesse debate, um tópico que ganha bastante espaço é a proteção aos apostadores no ambiente digital.

O Brasil é reconhecido internamente como um país que facilita o acesso de atividades adultas a menores de idade. É o chamado público vulnerável, que em determinadas regiões e localidades do território nacional consegue adquirir bebidas alcoólicas e cigarros, por exemplo.

Em um evento ocorrido em São Paulo, a BCG 2019, esse assunto foi alvo de muitas conversas. Todos os envolvidos, entre eles donos de casas de apostas e representantes de operadores internacionais, foram unânimes ao afirmarem que será preciso pensar em formas de proteger esse público vulnerável.

De acordo com declarações, estão todos de acordo nesse meio de que é imprescindível a criação de um ambiente saudável e rigidamente controlado agora que a nova lei será implementada.

Essas conversas são importantes para evitar que ocorram problemas como alguns ocorridos na Europa há alguns meses.

Superexposição de marcas de apostas pode ser um problema

A Itália, a Espanha e o Reino Unido passaram por alguns embates em relação a empresas do ramo de apostas online. O caso dos britânicos é excepcionalmente interessante, visto que 60% das principais equipes do futebol inglês recebem pelo menos um patrocínio de um grupo de apostas.

Em muitos casos, como ocorre no próprio Reino Unido, esse tipo de publicidade não fica apenas nos uniformes dos clubes. Em muitos casos, aparecem nos telões dos estádios e nas placas publicitárias desses espaços. Alguns comerciais são veiculados na televisão nos intervalos dos jogos.

A exposição dessas marcas é tanta que a Itália tomou uma medida drástica para conter o avanço dessas publicidades: baniu completamente qualquer patrocínio no mundo do futebol italiano.

Esse problema pode atingir o Brasil se medidas de controle não forem adotadas com rapidez e precisão. Não se pode esquecer que já há clubes patrocinados por empresas do gênero, como a iGaming.

Essas empresas precisam estabelecer parcerias com o Governo Brasileiro de modo a garantir que o público vulnerável e menor de idade não seja bombardeado com propagandas convidando a apostar.

Grande parte das pessoas que assistem ao futebol brasileiro e que vão aos estádios é composta por menos de 18 anos. Uma publicidade massiva nesse sentido pode incentivar desde cedo o vício em apostas.

Ferramentas que ajudem os apostadores online

Em alguns países da Europa, como a Suécia, há vários mecanismos que visam proteger os apostadores nos mais diversos níveis. Isso é algo em que o Brasil precisa pensar a respeito antes mesmo de as apostas online começarem a funcionar a todo o vapor no país.

Há diversos apostadores com problemas de vício e que representam potencial perigo online e offline para si mesmos e para outras pessoas. É preciso desenvolver sistemas de controle, de integração e de ajuda que possam identificar esses casos, de modo a ajudar os apostadores com problemas pessoais.

O momento de estudo e de implementação da nova lei é perfeito para o Brasil definir seu padrão de proteção aos apostadores, parte mais importante de todo esse sistema que são as apostas online.

Primeira Edição © 2011