Na campanha, juraram combater a corrupção. E os eleitores acreditaram...

14/05/2019 14:34

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Romero Vieira Belo

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A democracia é o melhor regime porque faz da esperança uma cultura popular. A cada eleição, o povo comparece às urnas para votar, escolher governantes e legisladores, e o faz, sempre, na esperança de que o cenário político se renove e os novos mandatários cumpram os compromissos que assumem, solene e reiteradamente, durante as campanhas eleitorais.

Mas o regime democrático também serve para causar tristezas e desenganos. Pois entristece ver, por exemplo, que muitos dos congressistas eleitos e reeleitos, em outubro passado, estão fazendo precisamente o contrário do que prometeram. Falaram em moralidade, em combate à corrupção, na defesa dos meios para evitar desvios do dinheiro público. Tudo dimensionado no coro eleitoral que comoveu parcela considerável do eleitorado.

Nas últimas semanas, porém, partidos se mobilizaram e inúmeros parlamentares se uniram não para votar um projeto contra a rapinagem no meio político, o que não seria mais do que o cumprimento do dever, mas para retirar do Ministério da Justiça o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

O senador petista Rogério Carvalho, do PT do Ceará, lançou um brado digno de um honrado patriota: “O Coaf, sob o comando do ministro da Justiça e da Segurança, Sérgio Moro, é uma Gestapo brasileira”... O Coaf, como se sabe, rastreia e identifica contas bancárias recheadas com dinheiro de propina, de lavagem, do tráfico e de outras fontes ilegais. Foi esse órgão que descobriu depósitos suspeitos na conta do assessor de Flávio Bolsonaro.

Por que deputados e senadores deveriam temer o Coaf atuando no Ministério da Justiça? Se agem corretamente, se não cometem desvios financeiros, se não se locupletam com o dinheiro da pilhagem política, por que temeriam ver o Conselho de Controle Financeiro nas mãos de Sérgio Moro? Ao pressionarem para que o órgão volte para o Ministério da Economia, não estão acusando abertamente a Pasta de omissão ou conivência com a bandalheira?

A esperança na democracia deve ser cultuada sem limites, mesmo porque, sob o regime democrático, a esperança não é a última que morre, ela não morre nunca. Mas é penoso vê-la apunhalada pelos que agem traindo o respeito e a confiança dos próprios eleitores.

 

PSOL CONDENADO POR OFENSA MORAL

Sempre que é alvo de insultos e ofensas morais, o senador Renan Calheiros recorre à Justiça, sem se preocupar com o valor das indenizações. Ganhou várias causas e recebeu pouco. Agora mesmo, o PSOL foi condenado a pagar R$ 10 mil ao senador por tê-lo detratado publicamente. Renan não está nem aí para a quantia arbitrada. Mas curte o revés moral do partido ofensor.

 

BOLSONARO SABIA E DISSE QUE ERA MINERAÇÃO

Quando afirmou, no início do ano, que os problemas geológicos no Pinheiro eram decorrentes de mineração, o presidente Jair Bolsonaro detinha informações seguras sobre a situação do bairro maceioense. O estudo conclusivo que acaba de ser divulgado apenas confirma que Bolsonaro não deu um ‘simples palpite’.

 

QUEM É O CRÍTICO DE BOLSONARO EM NY

Bill de Blasio é prefeito de Nova Iorque e aspirante à condição de candidato presidencial para enfrentar Donald Trump. É o cara que fez de tudo para impedir a cerimônia da Câmara de Comércio Brasil/Estados Unidos em homenagem a Bolsonaro. Pois bem, o Bill é acusado de captar dinheiro ilegalmente para o fundo partidário. Ou seja, só mais um corrupto violando a lei...

 

FÁBIO FARIAS E A RELAÇÃO ENTRE OS PODERES

Um mestre em relações institucionais, Fábio Farias já encontrou espaço na agenda para visitar o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Tutmés Airan. Como fez na gestão passada, o chefe do Gabinete Civil do governo Renan Filho (reconduzido ao cargo há poucos dias) dimensiona a importância de se manter relações amistosas e operosas entre os poderes, sempre buscando avanços para melhorar a realidade social e econômica do Estado.

 

COMO DILMA ROUSSEF TRATOU A EDUCAÇÃO

Com o lema ‘pátria educadora’ – lembra? – a presidente Dilma Rousseff cortou R$ 10,5 bilhões da educação, atingindo até, isso mesmo, escolas primárias e creches. Ninguém reagiu, ninguém esperneou, ninguém viu prejuízo educacional, ninguém previu qualquer ameaça ao futuro das ‘novas gerações’.

 

LULA TAMBÉM CORTOU RECURSOS DAS ESCOLAS

Antes, seu guru Lula já havia detonado o setor de ensino efetuando um corte de R$ 1,28 bilhão do Ministério da Educação. À época, dos atuais críticos do governo Bolsonaro, não se viu um só ato de resistência, ninguém estrilou. E olhe que, então, não foi contingenciamento orçamentário, como agora, Foi corte mesmo.

 

UOL: “LUCRO DA PETROBRAS ENCOLHE 42%”...

Notícia do Uol: “A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 4,031 bilhões no primeiro trimestre, o que representa uma redução de 42% sobre o ganho de R$ 6,961 bilhões apurado no mesmo trimestre de 2018, mas um aumento de 92% em relação aos R$ 2,102 bilhões obtidos no quarto trimestre do ano passado”. Ora, o foco não deveria ser o aumento de 92%?...

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