Mapeamento norteia ações do Vida Nova

Ao todo são mais de 12 mil dados de 100 grotas

13/05/2019 15:11

A- A+

Agência Alagoas

compartilhar:

Desenvolvido pelo Governo de Alagoas em parceria com o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), o Vida Nova nas Grotas tem mudado a realidade de diversas famílias de Maceió. Além de promover mobilidade urbana, inclusão social e saúde, o programa estimula o desenvolvimento de estudos que auxiliam ainda mais a transformação dessas comunidades.

A Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), por exemplo, está construindo um painel para subsidiar, com informações, as políticas públicas a serem implantadas nas grotas. Até agora, já são 100 grotas mapeadas e mais de 12 mil dados registrados sobre elas.

“Mapeamos as grotas maceioenses e, em paralelo, iniciamos um trabalho de mineração de dados demográficos e econômicos sobre esses locais. A partir daí, disponibilizamos essas informações num painel dinâmico, para que esses dados pudessem auxiliar o andamento do Vida Nova nas Grotas”, explica o gerente de Geoprocessamento da Seplag, Robertson Matos.

No painel é possível obter diversos dados socioeconômicos, como a quantidade de grotas existentes em Maceió, suas localizações, distribuição nos bairros e delimitações. O trabalho também resultou em informações mais precisas sobre a quantidade de pessoas que vive nos assentamentos por faixa etária, o número de habitações, se há coleta de lixo, a proximidade de escolas estaduais em relação às grotas, entre outras.

“Após essa fase inicial, começamos a dialogar com a equipe do ONU-Habitat para alinhar nossos conhecimentos e facilitar o estudo de campo desenvolvido por eles. E os dados levantados por eles devem ser, em breve, agregados ao painel. Assim, teremos uma base de informações cada vez mais abrangente e rica, o que é essencial para o processo de tomada de decisões do Governo”, pontua Robertson.

“Um trabalho tão bem integrado no Estado, em parceria com uma organização mundialmente conhecida pela preocupação com o desenvolvimento humano, é algo importantíssimo. Alagoas tem se sobressaído por procurar levar melhorias significativas para quem reside em áreas que até pouco tempo não eram percebidas pelo poder público”, completa o secretário de Planejamento, Fabrício Marques Santos.

Parceria

Desenvolvido de forma coletiva, o projeto conta com a participação do órgão responsável pelo planejamento urbano do município do Rio de Janeiro, o Instituto Pereira Passos (IPP), que firmou uma parceria com a Seplag e o ONU-Habitat para aprimorar as pesquisas e mapeamentos.

As três instituições trabalham juntas na construção do Mapa Rápido Participativo (MRP) desses assentamentos em Maceió. “O Mapa é um instrumento de diagnóstico dos territórios, cujo principal objetivo é a avaliação e o monitoramento das condições urbanas dos assentamentos informais, por meio da identificação da cobertura e da qualidade de determinadas infraestruturas e serviços”, explica a analista de Programas do ONU-Habitat Daphne Besen.

A metodologia tem feito toda a diferença nesse processo porque combina a identificação de aspectos visíveis nas grotas com entrevistas aos moradores e a pessoas que têm conhecimento específico sobre as infraestruturas e os serviços urbanos no território. “Buscamos meios de produzir dados qualificados para que o Governo possa melhorar as políticas públicas direcionadas às grotas, bem como elaborar novas políticas", afirma a também analista do ONU-Habitat Paula Zacarias.

Para o secretário do Planejamento, Fabrício Marques Santos, o painel e o Mapa Rápido Participativo são essenciais para que o Estado possa compreender, de forma mais precisa, a realidade dos assentamentos informais e, com isso, prover melhores condições urbanas para os moradores.

“Essas iniciativas fortalecem nossa base de dados, tornando-a mais segura e retratando com mais assertividade a vivência das famílias que moram nas grotas de Maceió. Elas têm poder de aperfeiçoar, de forma consistente, os processos decisórios do Estado. A expectativa é que, ao final desses estudos, possamos implementar políticas públicas alinhadas às necessidades da população e dar passos mais largos para o fomento de uma realidade cada vez melhor para os alagoanos”, afirma.

A analista Paula Zacarias ressalta que a parceria também é importante para o ONU-Habitat: “Para o Governo, contar com a metodologia reconhecida internacionalmente pelo ONU-Habitat é de grande valia, já que torna a tomada de decisões ainda mais eficaz. E para nós é ótimo, pois podemos contribuir com a construção de políticas públicas de melhor qualidade, baseadas também nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”.

Primeira Edição © 2011