Acolhimento: atividades reinserem residentes terapêuticos

30/12/2018 13:49

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Ascom SMS

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Os usuários dos serviços de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), antes pacientes de hospitais psiquiátricos, estão passando por um processo de desinstitucionalização nas Residências Terapêuticas (RTs) de Maceió. O processo consiste na acolhida dessas pessoas em uma residência, passando a fornecer tratamentos necessários em um ambiente acolhedor. Os serviços contam com cuidadores, profissionais de saúde e técnicos de apoio.

Nas Residências Terapêuticas são realizadas diversas atividades, como oficinas lúdicas, atendimento clínico e reuniões periódicas com familiares. Atualmente, sete residências são lares para 70 usuários – 40 egressos da Clínica Doutor José Lopes de Mendonça, quatro do Hospital Portugal Ramalho e 26 da Clínica Miguel Couto. O acompanhamento desses pacientes é feito pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) Sadi Carvalho (Chã de Bebedouro), Noraci Pedrosa (Conjunto José da Silva Peixoto) e Doutor Rostan Silvestre (Jatiúca).

Izolda Dias, gerente de Atenção Psicossocial da SMS, explica que a transferência de pacientes com mais de um ano em hospitais psiquiátricos para as RTs segue uma portaria do Ministério da Saúde.

“Foi feito um levantamento de quantos usuários estavam nessa situação. Essas pessoas têm o direito de morar em residências terapêuticas e o município arca com as despesas desses locais”, disse acrescentando que os benefícios para os pacientes são enormes. “Muitos não tinham condições de fazer nada, nem autonomia, mas hoje eles têm”.

Tratamento humanizado

Morador de uma RT, Marcos Paulino é torcedor do CSA e gosta de ouvir e assistir os jogos do seu time de coração. “Meu padrasto e minha mãe vem me fazer visitas e eu já tive até uma festa de aniversário aqui. Gosto de jogar bola, dominó e dama”, disse.

O também azulino José Francisco da Cruz, 31 anos, tem uma ótima memória para datas. Ele disse que gosta da Residência Terapêutica, que é sua moradia desde o dia 4 de dezembro de 2017. “Eu tô gostando muito de morar aqui. E eu ajudo a lavar os pratos, varrer a casa, passar pano, vou passear. Eu gosto de ficar aqui, porque estou me sentindo bem, comendo e dormindo bem e tomo meus remédios todos os dias”, relatou.

Os pacientes hoje, além de se deslocarem para o Caps duas vezes na semana, fazem passeios coletivos e individuais à praias, shoppings, centro, teatro, feira de artesanato e compram suas próprias roupas, entre outras atividades que fazem parte da vida de um cidadão comuns. Eles também ficam responsáveis pela organização e tarefas das casas, realizadas com auxílio dos cuidadores.

Residentes são acompanhados pela SMS

A casa é monitorada pela Gerência de Atenção Psicossocial da SMS e os residentes fazem acompanhamento nos Caps e nas Unidades de Saúde mais próximas da residência, como explica Manuel Ângelo, enfermeiro e técnico de referência das casas da parte baixa de Maceió.

“Nosso trabalho é esse de acompanhamento clínico e psiquiátrico, mas também de reinserção, para trazer tudo aquilo que eles perderam por viverem enclausurados nos hospitais durante muitos anos”, pontuou.

De acordo com a técnica de desinstitucionalização Amanda Braga, em um ano já é possível perceber os avanços de cada um dos pacientes. “Nós tínhamos pacientes que não sabiam usar o banheiro, tomar banho, nem fazer nada, porque como eles viveram institucionalizados o tempo todo, eles não tinham autonomia, era o que a instituição dava”, relatou.

Dentro das respectivas limitações, as mudanças aparecem a partir de pequenas atitudes, que trazem individualidade para cada um dos residentes. “Só o fato de ter tirado eles para um local menor, onde eles têm um quarto e onde colocar suas coisas é uma referência de casa como moradia deles, já traz uma melhora significativa no quadro que a gente acompanhou”, complementa Amanda.

Luís Dorvillé, psicólogo da residência, ressalta que o tratamento para os residentes é individualizado. “Aqui  nós trabalhamos na perspectiva de ajudá-los, ouví-los e poder potencializar as questões que eles trazem. Cada um tem um PTS [Projeto Terapêutico Singular], ou seja, cada um deles é visto de uma forma no serviço, tendo uma atividade para ser desenvolvida única e exclusivamente para eles”, explicou.

Emilena Nascimento, presidente da Associação de Usuários e Familiares de Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Alagoas (Assuma), frisou a importância das RTs. “A intenção é inserir eles na sociedade para que tenham um tratamento mais humanizado. E isso acontece por meio da rotina que eles têm na casa e com auxílio dos profissionais”, ponderou.

Primeira Edição © 2011