Bolsonaro agita a bandeira do "anticomunismo" e Haddad se aconselha com Lula

08/10/2018 17:29

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EFE

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Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, que disputarão a Presidência da República no 2º turno, começaram hoje a lançar suas cartadas para a nova campanha, apostando na polarização entre ambos.

Bolsonaro, que obteve 46% dos votos válidos neste domingo e se aproximou da vitória, agitou a bandeira do "anticomunismo", enquanto Haddad, apoiado por 29% dos que escolheram algum candidato, foi à cadeia visitar Lula, seu mentor e líder do Partido dos Trabalhadores (PT), que está preso em Curitiba.

A visita deu munição ao candidato da extrema-direita, que utiliza muito as redes sociais para se comunicar com seus seguidores.

"Vocês escolhem: ser governados por alguém limpo ou por aquele que está envolvido com a corrupção", escreveu de sua casa, onde ainda se recupera do atentado do dia 6 de setembro, em que foi esfaqueado.

O "mito", como é chamado por seus seguidores, reiterou que o Brasil "não pode" voltar a apostar na esquerda e no "comunismo" e reafirmou que, se ganhar as eleições, vai "reduzir o número de ministérios", "privatizar estatais" e acabar com a corrupção.

Haddad, por sua vez, conversou com jornalistas depois da visita a Lula, a quem informou os resultados das urnas e insistiu que tentará "unir as forças democráticas" frente o autoritarismo de Bolsonaro.

Segundo Haddad, no 2º turno os brasileiros vão optar por dois modelos: "O neoliberalismo que eles defendem e o estado de bem-estar que propomos, com direitos para os trabalhadores", disse.

Haddad confirmou que pretende conversar com alguns candidatos derrotados neste domingo, entre eles Ciro Gomes (terceiro colocado, com 12,5%) e Guilherme Boulos (décimo colocado, com 0,58%).

Também manifestou seu "respeito" por Geraldo Alckmin, do PSDB (quarto lugar, com 4,7%), cujos eleitores podem se voltar para Bolsonaro, que já se apropriou de boa parte do eleitorado conservador.

A busca de novas alianças deve conduzir os próximos passos de Bolsonaro e Haddad, junto com a preparação dos programas eleitorais, que voltarão ao ar no próximo fim de semana.

Durante as três semanas que restam para o segundo turno, estão previstos seis debates na TV aberta, sendo o próximo na quinta-feira (11), na Band.

Bolsonaro esteve ausente na maioria dos debates do primeiro turno, já que se recuperava do atentado sofrido, mas hoje disse crer que está "em condições de voltar", para "debater com o PT e dizer que ninguém os quer de volta".

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