Maceió tem Atendimento Domiciliar para pacientes do SUS

07/10/2018 16:01

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Assessoria

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Diariamente equipes do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) atendem pessoas que precisam de assistência, mas não podem se deslocar até uma unidade de saúde. Diferente do serviço de home care, o SAD também auxilia o cuidador, que lida diretamente com o paciente.

Instituído por uma Portaria do Ministério da Saúde, o programa funciona com equipes multiprofissionais que atuam atendendo demandas que chegam no Complexo Regular de Assistência (Cora) de Maceió e identificadas no Hospital Geral do Estado (HGE).

No Cora, o SAD existe há seis anos e conta com nove equipes multidisciplinares de Atenção Domiciliar (Emad) divididas por distrito, com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem. Além de três equipes multidisciplinares de Apoio (Emap), com dentistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e nutricionistas.

Atendimento a pacientes do HGE

Já no HGE, multiprofissionais saem nas alas identificando pacientes com possível alta e que se enquadrem no programa. Após captar esses pacientes, a equipe faz um primeiro atendimento, e em seguida uma visita domiciliar, visando analisar quais as necessidades deste paciente.

Bruno Barreto, coordenador do SAD do HGE, explica que o atendimento domiciliar de um paciente antes internado na unidade hospitalar oferece menor risco para ele e benefícios também para a unidade.

“Quando esse paciente tem um quadro clínico estável e a gente o atende em casa, a oferta de leitos aumenta. As vantagens para ele são a diminuição de riscos de infecção hospitalar e a possibilidade de voltar a fazer atividades do âmbito domiciliar, além de estar junto da família. É um benefício muito grande e a gente observa que o restabelecimento da saúde dele acontece de uma forma muito mais rápida”, conta.

Recuperação fora do hospital e perto da família

Antônio Gomes dos Santos, de 86 anos, é um dos atendidos pela equipe que atua no HGE. Após desenvolver complicações em decorrência da hipertensão e do diabetes, o idoso precisou amputar quatro dedos do pé direito. Com dificuldade de locomoção e precisando de atendimento, o paciente recebeu alta e passou a ser acompanhado em casa.

Sorridente, o pescador aproveita as visitas para fazer o que mais gosta: conversar e declamar suas poesias. Apaixonado por Penedo, sua terra natal, ele diz que ser cuidado pela equipe do SAD “é uma demonstração de amor”.

Seu Antônio nunca fica sozinho e é cercado por seus filhos e netos, que são seus cuidadores, um dos requisitos para ser atendido pelo programa. A filha dele, Rita de Cássia, enfatiza a importância das orientações dadas pelos profissionais.

“É uma oportunidade até pra gente saber um pouco. Porque aqui ele fica distante do risco de infecção e perto da família. E eles [os profissionais] auxiliam na orientação e ajudam, porque, às vezes, a gente pensa que tá fazendo certo e não está. É um trabalho em conjunto, uma corrente”, frisa.

Luiz Henrique Barbosa, de 24 anos, internado há 14 dias no HGE em consequência de ferimento por arma de fogo, logo receberá alta e continuará seu tratamento em casa. O jovem perdeu o movimento das pernas, mas vê como positiva a possibilidade de ser atendido fora do ambiente hospitalar e perto da família.

“O tratamento em casa será muito importante para minha recuperação e tudo que for feito para a minha melhora, vale.  Durante 24 horas vai ter gente comigo, a minha esposa, minha mãe, meu pai, a mulher dele. E eu vou poder matar a saudade dos meus filhos”, contou.

Atenção ao cuidador

De acordo com a coordenadora geral do SAD, Ana Paula Naccache, a participação e o retorno à família mostram a importância do programa. “A gente tem uma adesão ao programa muito boa e, inclusive, há essa troca de informações, fazemos reuniões mensais com todos os cuidadores, capacitando-os. Nestes encontros, damos palestra sobre diversas áreas e voltadas para a saúde de toda a família”.

O coordenador da fisioterapia do serviço, Cesário Souza, destaca que o principal diferencial do home care em relação ao SAD é que o primeiro possui a atenção direcionada apenas ao paciente, enquanto o segundo tem uma atenção voltada também para o cuidador.

“O SAD é um serviço público voltado para o atendimento da família. Se eu tenho um paciente acamado, que não consegue falar, eu tenho que orientar o cuidador. Essa característica do serviço já traz um benefício importantíssimo para o usuário do SUS. Então, ele está dentro do ciclo familiar, sendo atendido por uma equipe e com orientação para o cuidador. Muitas vezes, a minha maior intervenção como fisioterapeuta é para o cuidador, para que ele saiba como cuidar do paciente”.

Novos produtos garantem qualidade de vida do paciente

O programa adquiriu recentemente novos curativos para feridas, com o objetivo de atender melhor os pacientes. De acordo com a coordenadora de enfermagem, Thaís Vieira, os produtos prometem uma maior eficácia, com melhora de quase 100% na situação da ferida desses usuários. A intenção é trazer um avanço no quadro do paciente, garantindo uma qualidade de vida melhor para eles.

Como e onde funciona?

O paciente ou seu cuidador entra com uma solicitação no Cora ou é identificado pela equipe do HGE. Com isso, o programa vai em até 48 horas à casa fazer uma primeira visita, momento em que é avaliado por todos os profissionais, são identificadas as necessidades do usuário e planejados os atendimentos.

Cada equipe possui um veículo, buscando atender melhor os pacientes por região. Os carros saem nos dois horários todos os dias. Os pacientes com perfil para esse tipo de atendimento podem dar entrada com o pedido na sede do programa, que fica no prédio do Cora, em frente ao PAM Salgadinho, localizado no Poço, ou por meio do telefone 3315-7007.

Primeira Edição © 2011