Eleições: superando limites, eleitores escolhem os rumos do país

07/10/2018 17:02

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Agência Brasil

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Anna Paula Feminella, 45 anos, saiu para votar pouco depois do horário de almoço, acompanhada da filha Amy Lianna, de 6 anos, e uma amiga. Cadeirante há 15 anos, Anna Paula conta que o percurso para chegar ao local de votação não é dos mais fáceis, já que ainda falta acessibilidade até mesmo em faixas de pedestres. “Mas vim decidida a colaborar para que a gente tenha um país mais democrático, com menos desigualdade racial e que promova os direitos da pessoa com deficiência”, disse.

Anna Paula fez questão de explicar à filha sobre todo os procedimentos envolvidos no pleito. Apesar da pouca idade, a menina já se mostrou capaz, até mesmo, de discordar de candidatos escolhidos pela mãe. “Amy Lianna já participa da vida política, está sempre junto com a gente. Converso muito com ela porque considero o empoderamento feminino necessário. A gente tem que discutir política desde novo. Ela queria até ir pra cabine comigo e já me disse que prefere outros candidatos e que tem o pensamento diferente do meu”, contou.

Primeira vez

Na mesa zona eleitoral, o estudante Gabriel Andrade, de 19 anos, votava pela primeira vez. Acompanhado dos pais, o garoto garantiu que achou o processo das urnas mais tranquilo do que esperava e que não sentiu grandes dificuldades. “Achei bem fácil. Minha mãe fez a colinha pra mim, mas fui eu quem escolhi os candidatos. Pesquisei e discuti tudo com ela”, disse. “É uma experiência bacana. Vale a pena. Você está participando das principais decisões que acontecem no país”, completou.

No colégio ao lado, a estudante Ana Beatriz Cruz, 19 anos, também votou pela primeira vez. Ao contrário de Gabriel, a menina foi ao local sozinha, mas demorou menos de cinco minutos para concluir todo o processo. Enquanto aguardava a chegada da irmã, admitiu que foi difícil escolher candidatos, mas elogiou a experiência. “É algo que vale a pena. Porque é o meu futuro”, avaliou. “Como o clima das eleições ficou mais pesado esse ano, é ainda mais importante participar com o voto”.

Idosos

O procurador federal Hélio Braga, 75 anos, já não precisa comparecer às urnas desde a eleição passada. Ainda assim, caminhando devagar e com o auxílio da esposa, fez questão de registrar seu voto este ano. “Ainda tenho muito tempo para viver e quero contribuir para que bons caminhos assegurem a minha existência”, explicou. Para quem já acompanhou tantos pleitos ao longo da vida, ele avalia que a população brasileira hoje está mais motivada a manifestar suas escolhas políticas.

“Isso é bom porque a democracia é assim mesmo. Quanto maior o número de optantes na escolha, maior é a certeza de que a democracia existe”, disse. “Nunca deixei de comparecer a uma eleição e pretendo me manter assim, se Deus quiser”, completou.

A aposentada Maria Nautíria de Oliveira, 78 anos, também participou de todos os pleitos desde que a idade lhe permite votar. A lição sobre a importância de comparecer às urnas, segundo ela, veio do pai. Acompanhada do marido José Pereira de Oliveira, 81 anos, ela contou que pretende participar até quando a saúde permitir. “Se Deus quiser, com 100 anos, puxando uma cadeirinha, estarei aqui. Quero viver muito mais, até os 100, 100 e poucos. Nunca deixei de votar. É muito importante. Temos uma democracia e vim dar o meu parecer”, concluiu.

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