Bombardeios se acentuam em Idlib antes de ofensiva terrestre

09/09/2018 18:35

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EFE

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À espera do início da ofensiva terrestre contra a província de Idlib, Síria e Rússia seguiram neste domingo atacando zonas controladas pelas facções rebeldes e extremistas na região, enquanto os civis buscam fugir da iminente batalha.

Os helicópteros da Força Aérea Síria lançaram hoje dezenas de barris explosivos contra vários povoados no sul de Idlib e na zona controlada pelos rebeldes na vizinha região de Hama, segundo informaram ativistas e grupos opositores.

Os ataques causaram a morte de pelo menos duas crianças e ferimentos a outros seis civis na cidade de Hbit, no sul de Idlib, segundo informou a Defesa Civil Síria, grupo também conhecido como os Capacetes Brancos.

O grupo de resgate, que opera em zonas fora do controle do Governo de Damasco, afirmou que os helicópteros do regime lançaram 20 barris explosivos contra Hbit pela tarde.

Um porta-voz do grupo opositor Brigada do Norte Democrático, Khaled Zeno, disse à Agência Efe por telefone que "desde ontem o bombardeio com aviões e helicópteros russos aumentou e atingiu hospitais de campo e algumas zonas habitadas nos arredores no norte de Aleppo e nos arredores no sul de Idlib".

Entre outros alvos, os aviões atacaram o hospital de campo da cidade de Latamna, situada no norte de Hama, "o que fez com que ficasse fora de serviço", segundo Zeno, cuja formação pertence à Força de Síria Democrática (FSD).

O líder da opositora Coalizão Nacional Síria (CNFROS), Abdul Rahman Mustafa, afirmou pelo Twitter que os ataques contra instalações médicas por parte do regime e da Rússia trata-se de um "crime de guerra" e "inscreve-se em um processo sistemático para forçar os sírios a se render".

O aumento dos ataques "resultou no deslocamento de grande quantidade de civis destas zonas até os povoados e territórios fronteiriços com Turquia", segundo afirmou Zeno à Efe.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que cerca de 5,4 mil civis deixaram nos últimos dias o sul de Idlib rumo ao norte da província, na região de fronteira com a Turquia, e para a vizinha província de Aleppo.

Segundo a ONG, que conta com uma rede de colaboradores em toda Síria, nas últimas 72 horas os aviões russos e os helicópteros sírios fizeram pelo menos 1.060 ataques contra alvos nesta região do noroeste de Síria.

A agência oficial "Sana" informou que as forças de Damasco mataram pelo menos cinco "terroristas da Frente Al Nusra", a ex-filial síria de Al Qaeda, nos arredores da cidade de Kafr Zita, no norte de Hama, fronteiriça com Idlib.

Segundo a fonte, as unidades do Exército sírio bateram de forma intensiva posições da Frente al Nusra e outros grupos associados nos arredores de Kafr Zita, um dos principais fortes da ex-filial de Al Qaeda na região.

O conselho municipal de Kafr Zita, em mensagem no Facebook, advertiu sobre um "possível desastre humanitário" na região pelos ataques das forças de Damasco.

Além disso, garantiu que os civis têm muito medo pela suposta intenção do regime de usar armas químicas contra eles.

Os bombardeios se agravaram depois da cúpula tripartida de sexta-feira em Teerã entre Irã, Rússia e Turquia, na qual os dois primeiros países, aliados de Damasco, insistiram na necessidade de combater os terroristas em Idlib, o último reduto rebelde de Síria.

A ONU redobrou seus esforços nos últimos dias para tentar evitar uma ofensiva, temendo uma catástrofe para os cerca de três milhões de civis que vivem na região.

Primeira Edição © 2011