Desgraça nacional: empresas (boas) arruinadas por gestões incompetentes

06/09/2018 12:25

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Romero Vieira Belo

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Os leilões de empresas estaduais controladas pela Eletrobras podem parecer, apenas, o enxugamento da estrutura empresarial estatal, mas esconde algo muito mais grave: a gestão pública ineficiente. Afinal, por que o governo está tão interessado em se desfazer dessas companhias energéticas? Não por recursos, visto que todas elas, em negociação, são deficitárias. Portanto, é absolutamente correto afirmar que estão sendo vendidas por causa dos prejuízos que vêm se acumulando ao longo dos anos.

Tal conclusão, porém, não encerra a questão. Cabe outra pergunta: por que empresas privadas estão interessadas em comprar companhias falidas? Ora, porque, bem geridas, essas energéticas podem produzir lucro, muito lucro, altos lucros.

O problema, portanto, não reside nas empresas, muito menos no produto que oferecem. Pois, se todo mundo precisa de energia elétrica, se todos a consomem, por que será que as empresas que a negociam operam tão mal, o tempo todo no ‘vermelho’? Má gestão, ineficiência gerencial. Empresas que fornecem energia elétrica e água só quebram se forem mal administradas.

Um exemplo positivo para confirmar essa teoria é a Companhia de Água e Saneamento de Alagoas. Há três anos, a popular Casal operava no vermelho, acumulando dívidas e ofertando um serviço precário à população. Com a mudança de comando (hoje é presidida pelo competente Clécio Falcão) inverteu seu desempenho e obteve lucro superior a R$ 12 milhões nos últimos dois anos.

As companhias energéticas – mostram claramente a realidade dos fatos e dos balanços – erodiram nos últimos 15 anos, com má gestão e políticas equivocadas de oferta graciosa de energia. O resultado disso está aí: empresas quebradas e a população (a que paga por seu consumo e o dos usuários isentos) arcando com tarifas astronômicas, agravadas pela seca e uso recorrente de termoelétricas, que faturam fortunas produzindo energia com diesel, um combustível controlado pela estatal Petrobras.

O setor tem sido vítima de um populismo nocivo, que pune a população e, de quebra, arruína empresas que têm tudo para dar certo.

 

Primeira Edição © 2011