Refugiados e migrantes que estão no RJ poderão ter aulas de português

25/08/2018 19:45

A- A+

Agência Brasil

compartilhar:

A partir de segunda-feira (27), a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) do Rio de Janeiro irá promover um curso de língua portuguesa para refugiados e migrantes. O secretário de Direitos Humanos, João Ricardo, disse à Agência Brasil que com esse curso, o estado do Rio de Janeiro participa do processo de interiorização que o governo federal promove a partir de Roraima.

“Roraima está suportando um peso muito grande; não há mais recursos para atender as pessoas com dignidade. Dessa maneira, uma das coisas importantes é que essas pessoas sejam integradas na nossa sociedade. Essas pessoas têm que voltar a viver”, afirmou.

João Ricardo acredita que ensinando o idioma falado no Brasil e um pouco da cultura do país, o curso permitirá que refugiados e migrantes “se misturem a nós. O curso permitirá que essas pessoas possam se comunicar melhor na língua portuguesa e se sintam abrigadas”. O secretário salientou que esse será o primeiro passo na busca por emprego por parte desses refugiados.

O curso será promovido em parceria com a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), vinculada à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social.  

Curso

O curso piloto terá duração de oito semanas, com média de 100 horas/aula. Será adotada a metodologia já utilizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e centrada na solução de problemas, iniciando com discussões do cotidiano.

“Para não ficar aquela coisa formal de verbos e tudo mais. É uma metodologia de discussões sobre o cotidiano”, explicou a diretora de Formação Inicial e Continuada da Faetec, Marta Gomes.

O curso será dado em duas unidades da Faetec localizadas nos municípios de São João de Meriti, e em São Gonçalo, na região metropolitana. Os alunos terão oportunidade de se expressar escrita e oralmente na língua portuguesa, comunicar-se em português em diversas situações e compreender aspectos sociais e históricos da cultura brasileira.

Em conjunto com a SEDHMI, a Faetec identificou os territórios em que há concentração de migrantes em comunidades: São Gonçalo, região metropolitana; São João de Meriti e Duque de Caxias, Baixada Fluminense; Jacarepaguá, zona oeste da capital; no Complexo do Alemão, zona norte do Rio; e na Região dos Lagos.

Foi feita uma capacitação com a Uerj voltada para os professores de idiomas (inglês, francês e espanhol) e de português da rede Faetec que se interessassem em participar do projeto.

Documentação

As duas turmas iniciais oferecem entre 20 a 25 vagas, em cada unidade. Marta informou que a SEDHMI tem estudo de contato com várias organizações não governamentais (ONGs) que atendem refugiados e migrantes e também de acolhimento a essas pessoas. Esse estudo permitiu chegar aos possíveis alunos.

Como a Faetec tem unidades em todo o estado do Rio de Janeiro e mais de 40 polos na região metropolitana, foi possível identificar qual a unidade mais próxima desses territórios. “A gente está começando a divulgar para captar os alunos por meio das ONGs”.

Como grande parte dos refugiados e migrantes não têm documentos, a Faetec facilita os trâmites junto à SEDHMI para que eles possam se inscrever. Para se candidatar ao curso, os refugiados e migrantes devem apresentar o registro de refugiado, que pode ser conseguido na própria Secretaria de Direitos Humanos, propiciando a obtenção do Cadastro de Pessoa Física (CPF).

É interessante também que os refugiados consigam provar que têm o ensino fundamental em qualquer nível. Podem se inscrever no curso pessoas a partir de 15 anos de idade.

Segundo Marta Gomes, a ideia é estender o curso para outras unidades da Faetec. “A nossa proposta é atender em seguida o Complexo do Alemão e Jacarepaguá”.

Primeira Edição © 2011