Biu e Arthur Lira desviam os próprios bens

Pai e filho buscam a qualquer preço a reeleição

25/08/2018 12:08

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RepórterMaceió

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O senador Benedito de Lira e o deputado federal Arthur Lira, ambos do PP, buscam a qualquer preço a reeleição. A dupla deixou Alagoas mais famosa nos últimos anos. Pai e filho chegaram a ser citados diversas vezes em delações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Os dois tiveram até R$ 10,4 milhões em bens bloqueados, em caráter liminar, pela 11ª Vara da Justiça Federal do Paraná a pedido da AGU (Advocacia-Geral da União).

O bloqueio, realizado em dezembro de 2016, foi resultado de uma ação por improbidade administrativa movida pela AGU e tem como base os indícios de que os alagoanos se beneficiaram do esquema que desviou recursos da Petrobras.

Como de praxe, todos os políticos têm que fazer a declaração de bens e patrimônio à Justiça Eleitoral. E lá vemos um Biu de Lira “pobre” e um Arthur Lira milionário. Mas a lista de bens apresentada pelos políticos pode ser facilmente questionada. Eles possuem muito mais do que informaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo consta no site Divulgacand, Biu só declarou, neste ano, R$76.654,53 em bens. A redução é drástica se comparada ao patrimônio de 2014, quando disputou o Governo do Estado. Na ocasião, ele declarou R$ 723.220,66, evidenciando um crescimento financeiro já que, em 2010, quando eleito senador, afirmou possuir R$ 551.937,16.

O milionário da vez é Arthur Lira, que segundo o MP Eleitoral, não pode concorrer às eleições por ter sido condenado em segunda instância por corrupção. Lira declarou R$ 1.718.924,20 em bens. Em 2014, o valor era de R$ 1.168.156,00. Em 2010, o declarado era maior: R$ 2.086.666,56. Quando eleito deputado estadual, em 2006, tinha R$ 695.901,55, mostrando que passar pela Assembleia Legislativa fez bem à conta corrente do parlamentar.

Mas, o que o Divulgacand não consegue identificar é que pai e filho estão driblando a Receita Federal. A tática é simples, um passar para o outro parte do patrimônio. Sem contar a possibilidade do uso de “laranjas”, bem comum quando se trata de políticos.

A lista dos patrimônios declarados por Biu é curta: conta corrente, dinheiro em espécie, fundos e só. De Arthur Lira é extensa: apartamento, contas bancárias, quinhões de capital, casa (bem humilde, de R$ 40 mil), terreno e veículo.

O deputado federal só esqueceu de citar um edifício construído em seu terreno, que até hoje, é declarado no valor de R$ 508 mil.

Também ocultou a fazenda Estrela, localizada em Quipapá, no Estado do Pernambuco, que apesar de estar no nome de Arthur Lira, é declarada no imposto de renda de Benedito de Lira. O valor da terra de R$ 1.084.000,00 caiu na declaração para R$ 300.000. A compra da área foi realizada em 2005.

PARA LEMBRAR

PGR pediu a cassação de Arthur Lira

Deputado é acusado de ter recebido propina de presidente da CBTU

Em abril deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira, por lavagem de dinheiro e prevaricação, pedindo a perda do mandato do parlamentar.

Na denúncia, a PGR acusa o deputado de aceitar propina de R$ 106 mil do então presidente da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU), Francisco Colombo, que teria sido recebida por meio de seu assessor parlamentar, em 2012.

Segundo a PGR, o dinheiro foi escondido pelo assessor Jaymerson José Gomes em suas roupas, por determinação de Lira, mas ele foi abordado e detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, antes de embarcar para Brasília.

Ainda segundo a denúncia, o crime foi descoberto no âmbito da Operação Lava Jato, como parte do esquema criminoso revelado pelo doleiro Alberto Youssef, apontado como operador financeiro do Partido Progressista.

“Francisco Colombo, para se manter na presidência da CBTU, oferecia e pagava vantagens indevidas a Arthur Cesar Pereira de Lira para que este, na condição de deputado federal, líder do PP na Câmara dos Deputados, com a prerrogativa de fazer indicações para cargos em comissão, mantivesse-o naquele cargo como nomeação política da agremiação”, afirma na denúncia a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

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