Estava escrito, e não tinha como dar certo

04/06/2018 15:30

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Romero Vieira Belo

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O noticiário sobre a demissão de Pedro Parente, da presidência da Petrobras, veio recheado de matérias que realçavam os avanços da estatal petroleira sob seu comando. Não se esperava outra coisa. Antes, notadamente durante a greve dos carreteiros, a mídia se esmerava em divulgar fatos e opiniões críticas em relação a Parente, quase orquestrando um coro por sua destituição.

Agora, aos poucos, os meios de comunicação falam de Pedro Parente exalando certo tom saudosista, numa impressionante mudança de mix. Desde que Ivan Monteiro foi indicado para sucedê-lo, fartos espaços do noticiário são dedicados a mostrar como a Petrobras se recuperou nesses últimos dois anos. A versão digital do semanário O Globo divulgou que o preço do diesel no Brasil situa-se na média dos praticados no exterior. Foram citados países como França e Alemanha, que não produzem petróleo, o que obviamente explica combustíveis com preços altos.

De repente, esqueceu-se de que, graças à política de ‘reajustes quase diários’ da gasolina e do diesel – metodologia revolucionária e genial de Parente – o setor de transporte rodoviário do País beirou a insustentabilidade. A mobilização dos carreteiros não teve propósito político, foi um desabafo ruidoso e desafiante de um setor econômico escolhido seletivamente para tapar o rombo bilionário da Petrobras totalmente depenada.

Era evidente, no entanto, que o jogo de Pedro Parente estava com os dias contados. Como perpetuar uma sistemática de ‘reajustes quase diários’, dos combustíveis, quando os salários das pessoas são corrigidos uma vez por ano – quando são – e nunca acima da inflação que, no ano passado, não chegou a três por cento?

O neoliberal Pedro Parente sabia disso, como sabia que estava fazendo uma aposta de risco, mas seguiu em frente até o caldeirão explodir. Agora, porém, antes de trombetear os ganhos recentes da Petrobras, a mídia seria mais isenta se buscasse enfatizar o prejuízo de 50 bilhões de reais, causado pela greve do setor de transporte, e lembrasse que Parente estava enchendo o bolso dos acionistas da Petrobras com o dinheiro suado dos consumidores de gás de cozinha, da gasolina e do óleo diesel de todo o Brasil.

 

PRECEDENTE GRAVE

A greve (ou locaute) dos carreteiros não constituiu ‘um alerta’, como muita gente tem interpretado. Representou, na verdade, um precedente gravíssimo, numa área crítica e inflamável.

 

RENAN PERCEBEU

O senador Renan Calheiros foi um dos poucos políticos que, crítico do governo Temer, advertiu sobre os desdobramentos imprevisíveis dos aumentos constantes dos combustíveis.

 

ESTADO COM POUCOS REFLEXOS DA GREVE

Alagoas foi um dos estados menos atingidos pelo locaute. Maceió foi a primeira capital a ter o abastecimento dos postos de combustíveis restabelecido. A população sentiu isso, mas alguns políticos, não. Rodrigo Cunha, por exemplo, preferiu voltar o olhar para a alíquota do ICMS cobrado sobre combustíveis em Alagoas. Propôs reduzir a carga tributária, mas não indicou fonte para compensar a perda de receita.

 

SALDO POSITIVO

A greve dos carreteiros teve um reflexo positivo: a diminuição de automóveis nas ruas. Em Maceió houve queda na ocorrência de acidentes no trânsito, o que aliviou a movimentação no HGE.

 

NENHUM GANHO

A população começou apoiando a greve, mas logo percebeu o vacilo. No final, os vitoriosos são os empresários, patrões dos carreteiros. E o que o movimento rendeu para a população?

 

CAOS TERIA SIDO EVITADO COM MEDIDA SIMPLES

Se Temer fosse um governante minimamente ‘ligado’, teria percebido que a política de reajustes diários da gasolina e do diesel, adotada em julho do ano passado, pavimentaria o caminho para um levante como o dos carreteiros. Teria evitado todo esse sarapatel com uma medida simples e preventiva: a demissão de Pedro Parente do comando da Petrobras. Resultado: o homem saiu depois do tremendo estrago causado à economia do País.

 

REAJUSTE NA CONTA

Primeiro secretário da Assembleia, Marcelo Victor assumiu e cumpriu o compromisso de implantar o reajuste dos servidores do Legislativo (6%) em maio e dezembro. Primeira parcela já entrou.

 

SEM PROBLEMA

Antes da segunda parcela da data-base de 2016, Marcelo Victor mandará implantar, em agosto, mais um naco da antiga reposição de 15%, que já foi objeto de decisão do Tribunal de Justiça.

 

O REVOLUCIONÁRIO DA FERNANDES LIMA

Desinformada, parcela da população maceioense deu ouvidos a um ‘revolucionário’ que, com alguns sectários, plantou-se à frente do Quartel do Exército, bloqueando o trânsito na Av. Fernandes Lima. Dizia que a greve tinha prazo para acabar e, não havendo solução dentro do prazo, caberia intervenção militar. Coitado.

 

AGONIA TUCANA

Diante do previsível, a negativa do Tesouro Nacional de autorizar empréstimo externo, Rui Palmeira está tentando viabilizar um financiamento de R$ 35 milhões junto ao Banco do Brasil.

 

É DINHEIRO...

O montante está muito aquém do valor antes pretendido (menos de 10%), mas dará ao prefeito tucano a condição de fazer alguma coisa na capital, além de tapar buraco e limpar meio-fio.

 

Primeira Edição © 2011