Dia do Trabalho. Comemorar o que?

01/05/2018 09:15

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Geraldo Câmara

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                     Eu era um menino, bem menino mesmo e lembro-me das comemorações do Dia do Trabalho no Rio de Janeiro onde nasci. O Brasil em torno do rádio que chiava muito aguardava com ansiedade a palavra do presidente Getúlio Vargas, um discurso anual que começava sempre assim: "Trabalhadores do Brasil...". E Getúlio que raramente aparecia em público o fazia solenemente no dia 1o de maio em clara homenagem ao trabalhador brasileiro. O evento acontecia no campo do Vasco da Gama que se enchia de operários e autoridades que acompanhavam o ditador mais democrático da história do Brasil e que, aliás, depois foi eleito pelo povo que o quis de volta. O mesmo Getúlio que, para livrar o país de uma enorme convulsão ou guerra civil deu fim à sua própria vida dizendo na sua carta-testamento "deixo a vida para entrar na história". De lá para cá em sucessivos governos  o trabalhador tem sido aviltado nas suas aspirações e ele mesmo tem mudado no curso dos tempos não só lutando pelo que quer, mas brigando pelo que às vezes nem conhece. O Dia do Trabalho mudou. Deixou de ser reverenciado por gregos e troianos e passou a ser apenas uma exposição de brigas e especulações, muitas vezes levadas a campo por mentores escusos a gente que nem sempre sabe pelo que está brigando. Que pena! Era cívico e bonito o dia em que o trabalhador ia às ruas com bandeiras brasileiras e que se somava às expectativas de um Brasil melhor.  Gostaríamos muito de ver de volta o reverenciar do povo aos seus verdadeiros símbolos e ao mesmo tempo as sinceras reverências das autoridades aos trabalhadores deste país.     

Primeira Edição © 2011