Mil mulheres dependentes químicas foram acolhidas em Alagoas desde 2015

Rede Acolhe oferta tratamento gratuito contra as drogas em comunidades acolhedoras voltadas especificamente para o público feminino

08/03/2018 16:34

A- A+

Agencia Alagoas

compartilhar:

A Rede Acolhe, programa da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), registrou o número de 1.006 mulheres que foram acolhidas para tratamento da dependência química nos últimos três anos em Alagoas.

Deste total, foram atendidas 652 mulheres adultas e 354 adolescentes, segundo dados coletados de janeiro de 2015 até hoje. Ainda conforme o relatório da rede, atualmente existem 39 adolescentes e 31 adultas acolhidas em alguma comunidade acolhedora da Rede Acolhe.

Uma delas é S.G.S., de 31 anos, que está há quatro meses acolhida na comunidade Casa Betânia, uma das 37 instituições credenciadas pelo Governo de Alagoas. Ela buscou ajuda após anos de dependência do álcool.

“Encontrei na bebida alcoólica refúgio para os traumas e frustrações de infância. Cheguei a passar dias bebendo descontroladamente. O ponto máximo foi quando perdi meus sentidos e abandonei meus três filhos pequenos por causa do álcool”, explicou ela, ao relatar um histórico de abuso sexual e agressões em sua infância.

Nem mesmo a morte de seus dois irmãos em decorrência do uso abusivo do álcool afastou S.G.S. da bebida. No entanto, o instinto materno falou mais alto. “Quando notei que meus filhos estavam sendo prejudicados e que eu poderia perdê-los, decidi aceitar ajuda. Espero concluir o tratamento e dar a eles tudo que não dei, principalmente amor e carinho. Agradeço muito por existir esta comunidade que oferece atenção e acolhimento de graça. Não sei o que seria de mim, pois não tenho dinheiro para pagar tratamentos”, destacou ela.

Outra mulher que luta contra a dependência química é M.J.S., de 19 anos. Após ter a vida devastada pelo crack, ela busca forças nos três filhos pequenos para vencer a droga. A jovem conheceu o crack aos 14 anos depois do falecimento da avó. Por quatro anos morou nas ruas de Maceió, onde se prostituiu para comprar o entorpecente.

“O crack é maldito, destrói tudo que temos. Hoje abracei a oportunidade que recebi de refazer minha vida. Aqui aprendi a gostar de mim mesma, a ser uma pessoa honesta e a lutar com todas as forças para me manter longe das drogas”, conta.

A monitora da Casa Betânia, Maria do Céu, explica que a comunidade tem capacidade para acolher 40 mulheres, mas atualmente apenas 14 se encontram na instituição. “O número é variável porque muitas concluem o tratamento e seguem suas vidas. Outras recaem e retornam. O importante é que estamos sempre de braços abertos para recebê-las”, ressaltou.

A secretária de Estado de Prevenção à Violência, Esvalda Bittencourt, salienta que a Seprev é pautada no cuidado com o alagoano, sobretudo com as mulheres. “Temos quatro comunidades acolhedoras voltadas exclusivamente para o público feminino. As instituições, inclusive, permitem que as mães levem seus filhos de até cinco anos para cuidar deles durante o tratamento. Isso mostra o empenho da Rede Acolhe em busca de resultados efetivos contra a dependência química”, afirmou a secretária.

Quem precisar de tratamento contra a dependência de álcool e outras drogas, basta ligar para o call center da Rede Acolhe 0800-289-9390. O acolhimento é voluntário e gratuito.

Texto de Daniel Dabasi

Primeira Edição © 2011