Nascem crias da mais recente tartaruga gigante descoberta em Galápagos

02/02/2018 15:13

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AFP

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Apinhadas sob uma pedra, as pequenas "donfaustoi" esperam que o sol se esconda para que possam sair da sombra. Estas são as primeiras crias em cativeiro de uma espécie de tartaruga gigante descoberta nas ilhas equatorianas de Galápagos.

Nada perturba a calma em seu espaço no centro de criação da Ilha de Santa Cruz, uma das três estações onde o Parque Nacional de Galápagos preserva as 12 espécies dessas enormes tartarugas, únicas no mundo.

Esticando a cabeça de suas pequenas carapaças, acabam de comer algumas folhas de otoy e porotillo, duas plantas nutritivas trazidas do continente - a 1.000 quilômetros -, e agora parecem cochilar.

"Aqui são mantidas com um pouco de fome. Quando estão em estado silvestre, terão fome e deverão ir procurar alimento", explica Walter Bustos, diretor do parque.

Mas ainda vai demorar até que as soltem no ambiente, ao menos até que suas carapaças meçam entre 23 e 25 centímetros e tenham quatro ou cinco anos. Nada para estes répteis que podem viver um século e meio.

O preço da sobrevivência é uma infância em cativeiro.

Quando os ovos incubados surgiram no centro há vários meses e a primeira ninhada saiu saudável, os guardas florestais apontaram um novo objetivo em sua cruzada conservacionista.

Estes dias nasceu uma terceira camada, e já são 120 exemplares nascidos em cativeiro de Chelonoidis donfaustoi, a última espécie identificada.

- "Engenheiras do ecossistema" -

Um grupo de tartarugas gigantes jovens da espécie Chelonoidis hoodensis em um centro de criação do Parque Nacional de Santa Cruz, no arquipélago de Galápagos, em 22 de janeiro de 2018© Fornecido por AFP Um grupo de tartarugas gigantes jovens da espécie Chelonoidis hoodensis em um centro de criação do Parque Nacional de Santa Cruz, no arquipélago de Galápagos, em 22 de janeiro de 2018

A tartaruga gigante chegou há três ou quatro milhões de anos a este arquipélago vulcânico localizado no Pacífico, declarado Patrimônio Natural da Humanidade por seu alto número de espécies endêmicas.

Acredita-se que as correntes marinhas tenham dispersado seus exemplares pelas ilhas e que foi assim que se criaram 15 espécies diferentes - das quais três estão formalmente extintas -, cada uma adaptada ao seu território.

Sua população foi dizimada com a chegada de piratas e baleeiros, que as capturavam como carne fresca por sua grande resistência, e com a introdução de espécies invasoras, como cachorro, cabra e rato.

"As tartarugas são engenheiras do ecossistema. Com seus movimentos moldam o entorno, abrem espaços para que outras espécies possam se desenvolver e são as melhores dispersadoras de sementes", explica à AFP o biólogo Washington Tapia, da ONG americana Galápagos Conservancy.

As dimensões variam muito entre as espécies. As que habitam ao redor do vulcão Alcedo, na ilha Isabela (a maior do arquipélago), podem chegar a medir até dois metros e pesar 450 quilos.

Até 2002, a comunidade científica considerava que todas as tartarugas da Ilha de Santa Cruz, a segunda maior, eram da mesma espécie, a Chelonoidis porteri.

Mas após vários anos de análises genéticas, foi determinado em 2015 que as que habitam o leste da ilha, na colina El Fatal, são uma espécie distinta, a Chelonoidis donfaustoi.

Tartarugas gigantes em Galápagos: Dados sobre as tartarugas gigantes nas ilhas Galápagos.© Fornecido por AFP Dados sobre as tartarugas gigantes nas ilhas Galápagos.

Sua baixa população, de não mais de 400 exemplares, e a ameaça dos predadores a seus ninhos motivaram o recolhimento de ovos para o programa de criação em cativeiro.

A ideia é que, uma vez crescidos, os exemplares sejam devolvidos ao mesmo lugar onde os ninhos foram encontrados.

Em uma propriedade próxima à colina, a uma hora da capital Puerto Ayora, um grupo de guardas florestais realiza um expedição rotineira de monitoramento de "donfaustoi" adultas. Localizam o primeiro exemplar entre arbustos.

Sem protestar, a tartaruga deixa que os guardas meçam sua enorme carapaça e girem seu pesado corpo - de mais de 100 quilos - para verificar seu estado de saúde.

"Tem características genéticas e morfológicas visíveis que as diferenciam. Donfaustoi é menor e tem carapaça em forma de domo, e Porteri a tem um pouco mais redonda", explica Danny Rueda, diretor de Ecossistemas do Parque, enquanto observa suas patas.

Esta nova espécie foi batizada em homenagem a Fausto Llerena, o icônico cuidador do famoso Solitário George, o último exemplar da espécie Chelonoidis abigdoni que habitava outra ilha e faleceu há três anos.

Primeira Edição © 2011