O gás e a consideração de Temer pelos mais pobres

28/01/2018 09:57

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Romero Vieira Belo

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Quando disse, após assumir a presidência, que não tinha mais pretensões políticas e que, por isso, ia fazer o que tinha de fazer sem dar bolas para a opinião pública, Michel Temer antecipou como seria seu governo: insensível aos gritos da sociedade e até mesmo aos clamores das populações mais pobres e sofridas.

Temer reajusta o salário mínimo abaixo da inflação, corrige as aposentadorias do INSS também abaixo do índice inflacionário, mas o gesto emblemático, da frieza glacial que caracteriza sua gestão, veio com a política de aumentos sucessivos do Gás Liquefeito de Petróleo, adotada pela Petrobras desde 2017.

GLP é o popular ‘gás de cozinha’, usado nos Palácios de Brasília, mas que Temer não sabe quanto custa. Veio saber por que, depois de um aumento atrás do outro, o produto acabou faltando nas casas pobres das favelas e periferias urbanas, das vilas e povoados do interior que só é lembrado nos períodos eleitorais. Sem dinheiro para comprar o GLP, que Pedro Parente, presidente da Petrobras, equiparou aos supérfluos de luxo, as famílias miseráveis passaram a cozinhar seus parcos alimentos com lenha.

E o pior é que nada teria mudado se a imprensa tivesse ignorado a política massacrante da Petrobras. A mídia, porém, expôs o lado perverso da realidade ultrajante e a regra do jogo, que Pedro Parente tinha como imutável e definitiva, acaba de ser alterada.

A partir de agora, a Petrobras vai reajustar o preço do gás a cada três meses, e não mensalmente, como queria o chefe da estatal, e a custo do quê a Petrobras obteve ‘surpreendente’ lucro no ano passado. Caberia, então, ao seu presidente, explicar por que adotou a política de aumento mensal, quando poderia ser trimestral, como será doravante. Não apenas explicar, mas também adotar algum tipo de reparação para compensar o que o povo desassistido pagou a mais e, portanto, indevidamente.

Primeira Edição © 2011