Infectologista esclarece principais dúvidas sobre febre amarela

Médico diz que ao aparecem sintomas é necessário procurar serviços de saúde

22/01/2018 13:23

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O Diário

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Infectologista esclarece principais dúvidas sobre febre amarela
Dr. Guilherme Freire informou sobre principais sintomas da febre amarela 
Foto: Tininho Junior

 

O médico infectologista Guilherme Freire (CRM 132.338) esclarece nesta edição as principais dúvidas sobre a febre amarela. Segundo ele, mesmo Barretos  não registrando casos da doença, é preciso estar atento ao calendário vacinal, combater o mosquito transmissor e procurar os serviços de saúde quando aparecem sintomas.

O que é a febre amarela e principais sintomas?
Dr. Guilherme: A febre amarela é uma doença secular. Houve um controle e isso é muito reflexo da vacinação que a estabilizou ao longo dos anos. Agora está voltando com surtos, pessoas se contaminando e animais silvestres morrendo. É uma doença que tem riscos de complicação de gravidade muito grande. Os sintomas iniciais da febre amarela se confundem com de outras doenças virais como a dengue, zika e chikungunya e manifestam com febre alta e súbita, dor no corpo, nas articulações, de cabeça, náuseas e vômitos, prostração, queda de apetite e fraqueza intensa.

Quanto tempo é necessário para o restabelecimento do paciente?
Dr. Guilherme: Cerca de 80% das pessoas evoluem bem, podem desenvolver quadro mais brando e se recuperarem rapidamente em alguns dias. Uma pequena porcentagem, em torno de 20% dos infectados, podem ter complicações  desenvolvendo a icterícia, o chamado amarelão no corpo e  na parte branca dos olhos por uma lesão muito grande no fígado. Isso pode desenvolver choques, quedas de pressão, sangramentos em várias partes do corpo sendo necessária internação sob cuidados intensivos.

Quem já tomou a vacina precisa renovar a dose?
Dr. Guilherme: Os dois principais meios de prevenção são  a vacina que é bastante eficaz e faz parte do calendário e cuidados no combate ao mosquito. Hoje com uma dose da vacina a pessoa já está com imunização permanente. Mas, em casos de surtos naquelas áreas  de transmissão evidente e diagnosticada, são feitas as vacinas de bloqueio e mesmo quem já tenha se vacinado há mais de 10 anos é preciso tomar a dose. A febre amarela é transmitida pela picada do Aedes Aegypti sendo então outra forma de prevenção a erradicação do mosquito e eliminação de criadouros para evitar a proliferação. Não é uma doença que se transmite de pessoa para pessoa.

Como está a situação em nossa cidade e região?
Dr. Guilherme: Em Barretos não temos nenhum caso, mas  precisamos estar sempre alertas e com atenção redobrada. Os serviços de saúde estão preparados, temos realizado reuniões em todos os níveis na parte da atenção básica e hospitalar até porque vivemos em uma sociedade onde as pessoas viajam muito inclusive para outros Estados. Se tiver algum sintoma é preciso procurar um serviço de saúde o mais rápido possível para exames e diagnósticos.

Para quem não tomou a vacina pode procurar as Unidades de Saúde?
Dr. Guilherme: A rede municipal está disponível e abastecida com a vacina da febre amarela e para todos aqueles que têm indicação de acordo com o calendário vigente atual.

Quem vai viajar no carnaval deve estar atento às áreas de risco?
Dr. Guilherme: Sim, as informações são dadas a todo momento via imprensa e qualquer dúvida pode entrar em contato com a vigilância epidemiológica que está preparada para prestar informações e tirar dúvidas. Lembrando que se for viajar e precisar tomar a vacina, deve ser feita a dose pelo menos 10 dias antes da viagem para surtir efeito imunológico.

Alguns acreditam que o macaco é o responsável pela transmissão. Isso é um mito?
Dr. Guilherme: O macaco não é o vilão, pelo contrário as pessoas infelizmente tem ideia distorcida. Ele é muito importante porque nos alerta infelizmente através de sua morte, que o vírus está circulando novamente. O macaco é um hospedeiro e uma vítima como o ser humano. Esse animal é um auxílio muito grande e responsável por nos alertar sobre a incidência do vírus na área urbana.

Primeira Edição © 2011