2º Encontro de Jovens Quilombolas de Alagoas

07/12/2017 14:01

A- A+

Assessoria de Comunicação

compartilhar:

Será realizado nos próximos dias 16 e 17, no Campus da UFAL de Delmiro Gouveia,  o  “Segundo Encontro de Jovens Quilombolas de Alagoas.” O objetivo é consolidar a agenda de discussão para que a própria comunidade quilombola  assuma o compromisso com a defesa de políticas sociais voltadas ao respeito da sua cidadania, como explica o professor José Bezerra da Silva, um dos organizadores do evento, e professor da UNEAL. 

Ele lembra que Alagoas abriga 69 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares, e oito estão em processo de certificação. “O quantitativo ainda é uma incógnita, visto que os dados apresentados pela Secretaria de Estado de Planejamento, Gestão e Patrimônio foram obtidos no CadÚnico, que tem registrado apenas 4.543 famílias, enquanto que o Instituto de Terras de Alagoas – ITERAL apresenta o 6.889 famílias”, lamente, acrescentando que essas duas informações desencontradas demonstram que não se sabe o número exato de quilombolas do Estado de Alagoas, fato que, somado a outros, dificulta a promoção de políticas públicas de inclusão dessa população. 
De acordo com o professor Bezerra, na área da educação a situação segue o mesmo ritmo da desinformação, pois não se sabe quantos estudantes quilombolas cursam o nível básico e nem o superior. Sabe-se, porém, que há 43 escolas situadas em comunidades quilombolas, mas somente uma oferece a educação básica completa. As demais disponibilizam até o quinto ano do ensino fundamental. Para complementar o curso é preciso ir a outras cidades. 

De acordo com o “Estudo sobre as Comunidades Quilombolas de Alagoas”, publicado pela SEPLAG em 2015, 75% dos quilombolas alagoanos têm renda mensal de R$ 77,00; 75% vivem em pobreza extrema; 13,1% moram em casa de taipa, sem água encanada, esgoto e sem as condições básicas de higiene, 26% não possuem banheiro e 34% dessa população é analfabeta. 

O professor Bezerra diz que a imprecisão das informações deixa em aberto o número de quilombolas vivendo abaixo da linha de pobreza. E o pior: emperra as ações direcionadas à melhoria social desse segmento de cidadãos. “Nesse contexto, qual o futuro dos jovens quilombolas do Estado de Alagoas? A depender do próprio Estado quase nenhum, visto que o Programa Brasil Quilombola e outros programas federais beneficiadores desses afrodescendentes não conseguem eliminar a miséria contada e medida pelos próprios agentes estatais”, lamenta.

Bezerra sugere a provocação do diálogo com a população jovem - tanto para ouvir seus “lamentos”, como para articular esforços no sentido de abrir caminhos de superação dessa realidade. 

Ele ressalta, ainda, que a importância deste “Segundo Encontro de Jovens Quilombolas de Alagoas” está na possibilidade de se criar uma agenda de discussão em que os próprios jovens quilombolas sejam seus atores, e como tais, possam refletir articulados sobre seus problemas, dificuldades, rumos e futuros. Enfim, o evento se estabelece como uma luz capaz de clarear o futuro da geração mais nova, incentivar a organização comunitária, fomentar os direitos humanos quilombolas, refletir e sugerir alternativas de vida para além da exclusão social.  

Realização
Jovens das Comunidades Quilombolas do Sertão – Comunidades Lagoa das Pedras, Serra das Viúvas Quilombolas. Apoio UFAL  Campus do Sertão e Movimento de Comunidades Populares, Instituto Vozes Quilombolas – IVQ e Movimento das Comunidades Populares

Mais informações e inscrições com o Professor José Bezerra:
(82) 99601-1854   filosofojb@hotmail.com

Primeira Edição © 2011