Se R$ 320 bi resolvem o rombo, por que o governo queria R$ 700 bi?

27/11/2017 08:55

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Romero Vieira Belo

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Michel Temer não é ingênuo, incompetente ou despreparado. Muito pelo contrário. Um homem vivido, experiente, traquejado no exercício da política e na gestão pública. A menos que alguém seja usado como massa de modelagem ou manipulado por líder popular poderoso, não se chega à presidência da República sem méritos e sem predicados. E acontece que Temer chegou.

Agora, o currículo não confere a Michel o direito de achar que os demais são tolos, incapazes de perceber truques e desvendar manobras. Candidato a ‘reformista histórico’, Temer acha que será distinguido por impor igualdade entre trabalhador do setor privado e servidor público, limitando o teto da aposentadoria.

No texto finalizado da reforma previdenciária, pronto para ir à votação, está prescrito que o tempo mínimo de contribuição, para alguém se aposentar, continua sendo de 15 anos, mas apenas para o trabalhador do regime geral. Desmentindo o princípio da igualdade alardeado por Temer e seu ministro Henrique Meirelles, a versão definitiva da reforma exige 25 anos de contribuição para o servidor público ter direito a requerer aposentadoria.

Não é justo e não faz sentido. A reforma não beneficia o trabalhador do setor privado e castiga o servidor público, justamente o indivíduo que estudou e se preparou para ingressar no serviço público através de concurso. A reforma despreza o mérito, sem que isso, de algum modo, ajude aos que labutam na iniciativa privada e vão se aposentar pelo INSS.

A reforma de Temer, mesmo desidratada, não deve ser aprovada pelo Congresso. Quando nada, porque o governo não joga aberto e usa argumentos conflitantes em defesa da mudança: diz que existe um rombo descomunal na Previdência, mas afirma, ao mesmo tempo, que a reforma atual tem por fim evitar o colapso do sistema no futuro.

Tem mais: lembra que o ministro Henrique Meirelles dizia que a reforma tinha que economizar R$ 700 bilhões, em 10 anos, para evitar a falência da Previdência? Pois bem, agora, ele diz que R$ 320 bilhões resolvem o impasse do ajuste fiscal. Ora, se 320 resolvem, por que ele queria 700?

 

VOTO CONTRA

Se depender do senador Renan Calheiros, a reforma da Previdência não terá nenhuma chance de aprovação, no Senado, mesmo que saia da Câmara completamente desidratada.

 

POR ETAPAS

Renan não é contra reformas, mas sempre pondera que, em momento de crise como o atual, não se deve impor mudanças que, racionalmente, poderiam ser adotadas por etapas.

 

DECISÕES QUE NINGUÉM CONSEGUE ENTENDER

A Justiça do DF condenou Renan Calheiros à perda dos direitos políticos e pagamento de multa, no processo envolvendo Mônica Veloso. Mas, como pode? Esse caso não já rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal, por ausência de provas, como lembra a defesa do próprio parlamentar alagoano?

 

FINANÇAS DE AL

O equilíbrio financeiro de Alagoas se deve ao ajuste fiscal feito por Renan Filho e à redução dos juros cobrados ao Estado nas parcelas de pagamento mensal de sua dívida com a União.

 

DE 21% PARA 6%

O próprio Renan Filho lembra que, no governo de Ronaldo Lessa, a taxa era de 21%, no governo Teotonio Vilela caiu para 11% e, depois para 7,5% e, agora, está em 6% da receita corrente.

 

ROSTAND LANVERLY NA ACADEMIA DE LETRAS

A Academia Alagoana de Letras tem novo presidente: o escritor Alberto Rostand Lanverly acaba de assumir os destinos da tradicional Casa de Cultura, com o compromisso de, conjugando esforços, trabalhar pelo seu soerguimento. Com humildade e bom senso, Rostand admite que, sozinho, pouco poderá fazer para imprimir nova dinâmica às atividades da instituição acadêmica.

 

A VEZ DO JAIR

Com a desistência do prefeito João Doria, que agora foca a sucessão em São Paulo, o deputado Jair Bolsonaro se fortalece como líder da direita e de muitos segmentos de centro.

 

SEM DIÁLOGO

Analistas políticos avaliam que, se eleito presidente, Bolsonaro terá grandes dificuldades para governar por falta de diálogo com o Congresso, tal como aconteceu com Fernando Collor de Mello.

 

RUI SÓ ESTÁ COMEÇANDO; JÁ O BENEDITO...

Ouvido em um gabinete da Assembleia Legislativa:

- Quem tem mais bagagem, que tem mais currículo, quem tem mais experiência e capital político – o senador Benedito de Lira ou o prefeito Rui Palmeira? Então, por que Biu não quer sair candidato ao governo, mas quer que Rui entre nessa?”.

 

MARCELO VICTOR

Um dos mais experientes integrantes do plenário da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor ainda não decidiu se disputará a reeleição ou se parte para concorrer a um mandato de federal.

 

RODRIGO CUNHA

Outro deputado estadual, visto com chances de chegar a Brasília, Rodrigo Cunha não parece seguro de seu potencial para disputar uma vaga na Câmara, ao contrário do que acham seus eleitores.

 

PT E PMDB JUNTOS RUMO ÀS URNAS DE 2018

Para ‘tormento’ da oposição, o PT já está novamente composto com o PMDB, em aliança desenhada com vistas às eleições do próximo ano. O espaço da legenda petista no governo será de primeiro time, como já adiantou Renan Filho. O resto é conversa fiada de quem tenta à força plantar cabelo em casca de ovo.

 

 

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