Alagoanos dão a volta por cima após anos dependentes do crack

Histórias da vida real mostram como a droga devasta a vida das pessoas que vivem sob sua dependência

08/10/2017 13:17

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Agência Alagoas

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Sabe aquela lenda da ‘escadinha das drogas’, onde se costuma dizer que a maconha é a porta de entrada para o uso de outros entorpecentes? Pois bem. Estudos comprovam o que todo o ser humano esclarecido já está cansado de saber: se há uma porta de entrada para o uso de drogas pesadas ela está localizada na garrafa de bebida alcoólica mais próxima.

Assim como milhares das pessoas com dependência química, a cantora Patrícia Lima iniciou o uso das drogas aos 14 anos, com o consumo de cigarro e bebidas alcoólicas. Foi por intermédio de um primo que ela, logo após se deixar possuir pelas conhecidas drogas lícitas, conheceu a maconha e depois o loló, o rivotril, o rufinol, a cola, o pó e o crack.

“Até então eu acreditava que poderia controlar a vontade pelo uso e parar quando quisesse, mas as drogas me dominaram e foram longos 10 anos de uso de crack”, lembrou ela.

Cansada e assustada com sua aparência física, em 2010, quando chegou a pesar 40 quilos, Patrícia já não aguentava mais. Pediu ajuda para a mãe e para os demais da sua família. Queria ser internada para tratar aquele vício que estava destruindo sua vida e tirando o seu futuro.

“Foi quando minha prima, ao procurar na internet por ajuda, conheceu o trabalho desenvolvido pela Rede Acolhe, que me encaminhou para a comunidade Kerigma”, disse Patrícia.

Hoje, Patrícia está há seis anos em abstinência, limpa. Canta e encanta com a sua bela voz nos palcos por onde se apresenta como cantora.

Pedido de ajuda vem após chegar ao fundo do poço

Assim como Patrícia Lima, Nobério Moura conheceu a maconha antes de todas as outras drogas. Foi aos 13 anos de idade, quando morava em Santos, litoral de São Paulo, que ele experimentou pela primeira vez a droga, por influência dos amigos.

“Até chegar ao uso do crack foi tudo muito rápido. Cheguei a perder minha própria dignidade e o respeito das pessoas. Vendi tudo o que tinha dentro de casa e realizei vários assaltos para manter o meu vício”, conta emocionado.

Foi quando precisou voltar para Alagoas, que o jovem conseguiu se manter limpo das drogas por 10 anos. Virou funcionário público no município de Batalha. Após este período em que se manteve afastado das drogas, veio a recaída. Nobério se envolveu novamente com o crack e viu sua vida ser devastada mais uma vez.

“O fundo do poço foi quando tive que roubar o celular da minha própria filha para trocar por drogas na boca de fumo. Por isso, fui abandonado pela minha família e pelos meus amigos. Cheguei a viver como mendigo, perambulando pelas ruas”, disse.

Nobério teve que aceitar a ajuda ofertada por seu primo e foi acolhido, apenas com a roupa do corpo, pela comunidade Dona Paula, em Arapiraca. Lá ele permaneceu em tratamento por oito meses, mas sua estadia na instituição durou aproximadamente três anos. Lá, ele permaneceu ajudando no acolhimento de outros dependentes químicos.

Hoje, há quatro anos em abstinência, trabalha como guarda no município de Batalha. Recuperou a sua dignidade e a confiança da família e dos amigos. E é nestes laços refeitos que ele encontra as forças para manter-se livre das drogas e ajudando outras pessoas que, como ele, já teve a vida devastada pelas drogas.

As duas histórias de superação, da cantora Patrícia e do guarda municipal Nobério, representam milhares de dependentes químicos que já passaram pela Rede Acolhe da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev).

Essas e outras histórias da vida real foram destaques da exposição ‘Eu Vivo Sem Drogas’, realizada pela Seprev no Parque Shopping Maceió, em alusão ao Dia Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Crack.

Primeira Edição © 2011