Imbassahy resiste, mas PSDB deve deixar Temer

PSDB mantém hoje quatro ministérios no governo Temer

18/05/2017 16:26

A- A+

Veja

compartilhar:

O PSDB já se prepara para abandonar o presidente Michel Temer (PMDB), tragado pelas explosivas acusações do empresário Joesley Batista, dono da JBS, de que o peemedebista atuou para obstruir a Lava Jato incentivando a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O partido, considerado hoje a mais importante base de apoio do governo do peemedebista, avalia que é “insustentável” caminhar ao lado de Temer caso as declarações sejam confirmadas.

Internamente, tucanos afirmam que o desembarque deve acontecer ainda nesta quinta-feira. O movimento está diretamente ligado à ação do Supremo Tribunal Federal (STF) de levantar o sigilo das informações repassadas por Joesley Batista.

“O nosso pedido enfático é para que o Supremo quebre o sigilo da delação para que, diante da gravidade do momento, tenham-se não edições parciais, mas o exato contexto das afirmações feitas pelo presidente”, disse um tucano à reportagem. “Se o que foi publicado se confirmar, a aliança é insustentável e a recomendação do partido é o desligamento imediato dos ministros”, continua ele

O PSDB mantém hoje quatro ministérios no governo Temer: Secretaria de Governo (Antônio Imbassahy), Relações Exteriores (Aloysio Nunes), Cidades (Bruno Araújo) e Direitos Humanos (Luislinda Valois). Responsável pela articulação direta entre o Palácio e o Congresso, Imbassahy representa ainda uma certa resistência dentro do tucanato. Ele defende que, em nome da estabilidade, o partido tenha mais cautela. Imbassahy tem passado esta quinta-feira ao lado de Temer em busca de uma solução para a crise. Os demais auxiliares do presidente da República dentro do PSDB, porém, não devem seguir a orientação de Imbassahy e preparam uma saída em conjunto.

Em outra frente, o PSDB também tenta se distanciar de seu próprio presidente partidário, o senador Aécio Neves (MG). Após sucessivas reuniões desde a noite de quarta-feira, tucanos pressionam Aécio a se licenciar do comando da legenda. O senador mineiro, de acordo com a acusação da JBS, pediu dinheiro à empresa para pagar sua defesa na Lava Jato.

 

Primeira Edição © 2011