A grande questão: o Brasil vai aguentar a Lava-a-Jato?

16/04/2017 11:39

A- A+

Romero Vieira Belo

compartilhar:

Não há como esconder que a estabilidade democrática brasileira está em jogo. Ou melhor, está sendo testada e ninguém tem como afirmar que o regime liberal que aí está, instaurado com a transição pós-ditadura, tem solidez suficiente para suportar mais um tranco. Não tem. Nos bastidores, em conversas reservadas, fala-se até numa prorrogação do atual mandato de Michel Temer ‘para evitar solavancos’. Exagero? Poder ser, mas o País está vivendo uma situação traumática, com as instituições fragilizadas e seus dirigentes em descrédito. Sem meandros, direto ao assunto, no cenário político atual, quem poderia disputar a sucessão presidencial sem ter a probidade questionada, sem ter a integridade moral acusada, seja por envolvimento com propina ou por emprego indevido de recursos do caixa dois?

Este, contudo, é apenas um ângulo da questão. Existe um Lula determinado a disputar mais uma vez a presidência. Um Lula que parece crescer quando visto como antítese do que está aí. Ainda que, paradoxalmente, o que aí está seja produto do lulismo ou do lulopetismo. Lula cresce com as ‘reformas impopulares’, com as medidas antipáticas que Dilma deixar de adotar. Então, será Lula? Suponha-se que a Lava-a-Jato retarde e que Sérgio Moro não o condena a tempo de sacá-lo do processo sucessório. Então, será Lula? Se a resposta for sim, outra indagação – mais relevante – se imporá: depois de tudo que se viu e se sabe, Lula governará?

A resposta é não, um não rotundo, como diria o saudoso Leonel Brizola. Não governará porque não terá o Congresso Nacional a apoiá-lo. Não governará porque não suportará a reação da classe média que ele sempre olhou com desconfiança e má vontade.

Então, o Brasil se verá diante de um novo cenário de ruptura, de consequências imprevisíveis. A democracia que está aí, violentada, enxovalhada, desfigurada – implodirá de vez. Estaremos, então, diante do impensável. Aos incrédulos, uma questãozinha: lembram-se de dona Dilma? Há dois anos, quem imaginava que ela poderia ser processada e derrubada?

E, para completar, em entrevista à Folha de S. Paulo, a ex-ministra Eliana Calmon diz que, mais adiante, a Lava-a-Jato vai pegar o Poder Judiciário. Sai de baixo.

 

FUNDO BILIONÁRIO

Anote: se o Congresso Nacional não restabelecer doações de empresas ou instituir o financiamento público de campanha, o Fundo Partidário em 2018 terá um reajuste astronômico.

 

BOLSO CHEIO

Com três aposentadorias e renda mensal de R$ 70 mil, o ex-presidente José Sarney luta para não perder nenhuma delas.

Enquanto isso, o salário mínimo não chega a R$ 1 mil.

 

O DILEMA DO PREFEITO RUI PALMEIRA

O que acontecerá a Rui Palmeira, ao concluir seu atual mandato de prefeito e tiver de ficar – obrigado pelo calendário – dois anos sem mandato? Esta é a pergunta que o tucano se faz todos os dias, senão todas as horas. Para qualquer político sem liderança e sem bagagem, dois anos de recesso é uma eternidade.

 

DUAS OPÇÕES

Para construir sua rota e fugir desse cenário, Rui hoje considera duas opções: disputar o governo ou concorrer ao Senado em 2018. Nas duas hipóteses terá de renunciar ao mandato em abril.

 

DOIS DESAFIOS

Saindo candidato ao governo, Rui enfrentará Renan Filho gozando de altíssima aprovação popular. Se preferir o Senado, baterá de frente com Renan Calheiros, Téo Vilela e Marx Beltrão.

 

A REVELAÇÃO QUE PODE DETONAR LULA

A revelação de que Lula recebeu R$ 13 milhões em propina, repassada pela Odebrecht, poderá fundamentar a condenação do ex-presidente no processo da Lava-a-Jato. A delação não é de algum diretor da construtora, preso e sonhando com liberdade. É do próprio dono da empresa, Marcelo Odebrecht. Lula não respondeu, passou a bola para o instituto que tem o seu nome.

 

MAIS MULTAS

Se novos pardais vão ser instalados em Maceió, é porque os atuais não estão rendendo o esperado. Afinal, o contrato para instalação da sinalização eletrônica custou a bagatela de R$ 9 milhões.

 

MOTOS IMPUNES

O desafio da prefeitura não é reduzir a velocidade nas grandes avenidas. É encontrar uma fórmula capaz de controlar o trânsito perigoso e desordenado das motocicletas nas ruas da capital.

 

PONTO NUCLEAR DA AUDITORIA NA ASSEMBLEIA

O que chama a atenção no relatório da auditoria da FGV na Assembleia Legislativa é a suspeita de desvio de R$ 52 milhões, no período auditado de 2010 a 2014. Não estaria, esse valor, dentro dos R$ 150 milhões contabilizados pela Controladoria Geral da República (CGR) no bojo da Operação Sururugate?

 

Primeira Edição © 2011