Resfriamento do Couro Cabeludo para Prevenção de Queda de Cabelo por Quimioterapia

Centro de Câncer de Brasília (Cettro) implanta a primeira máquina do Centro-Oeste voltada à redução da alopecia

14/03/2017 18:18

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Casa da Redação

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Acaba de desembarcar no Distrito Federal o primeiro equipamento Paxman Orbis Scalp Cooler do Centro-Oeste. A tecnologia, que utiliza o resfriamento do couro cabeludo no combate à perda de cabelo decorrente da quimioterapia, chega à região por iniciativa do Centro de Câncer de Brasília (Cettro), que integra a Rede Einstein de Oncologia.

Para os oncologistas do serviço, responsáveis pelo investimento avaliado em R$ 300 mil, a questão vai além da estética: “A perda do cabelo não é apenas mais um dos efeitos colaterais do tratamento contra o câncer. Constitui um dos fatores de maior impacto psicossocial, especialmente para as mulheres, podendo afetar severamente a autoimagem e a identidade, bem como a capacidade de enfrentamento da doença”, destaca Dr. Murilo Buso, superintendente do Cettro.   

Como Funciona – Para compreender a ação da tecnologia antialopecia, é importante esclarecer que a perda do cabelo durante o tratamento está associada à ação dos quimioterápicos, que atuam sobre as células em franco desenvolvimento. Ocorre que, assim como as células cancerosas, os folículos capilares também são células de crescimento rápido.   

O resfriamento do couro cabeludo provoca vasoconstrição cutânea, reduzindo o fluxo sanguíneo para os folículos. Com o emprego do sistema de resfriamento do couro cabeludo 30 minutos antes da quimioterapia, durante o procedimento e por 90 minutos após o término, é diminuída a captação dos quimioterápicos pelos folículos e esse é o mecanismo que evita a perda dos fios.

Comprovação Científica – A máquina instalada em Brasília é a mesma utilizada na pesquisa apresentada durante o San Antonio Breast Cancer Symposium (SABCS), maior evento mundial sobre câncer de mama, realizado em dezembro último, nos EUA. É composta por uma unidade de refrigeração à qual a touca térmica permanece conectada, atingindo temperatura de 17oC.

Segundo o estudo, batizado de “SCALP”, mais de 50% das pacientes submetidas ao tratamento de resfriamento mantiveram seus cabelos. A pesquisa foi realizada com mulheres com câncer de mama estágios I e II. Novas investigações devem contemplar estágios mais avançados da doença, além de outros cânceres. Quanto aos efeitos colaterais do resfriamento, destaca-se a dor de cabeça, considerada tolerável.

O tratamento com a Paxman Orbis Scalp Cooler já está aprovado pela Anvisa. Contudo, ainda não é contemplado pelo rol de serviços de saúde suplementar cobertos pelos planos de saúde. A indicação para uso da tecnologia é feita pelo oncologista, que leva em consideração o tipo do câncer, seu estágio, bem como as condições gerais do paciente.

Primeira Edição © 2011