Em Maceió, prédios públicos viram pardieiros: Detran, INSS, TCU, SEE

Edifício Palmares e antigo prédio do TCU foram recentes temas de reportagens do Primeira Edição

27/07/2015 07:13

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Jornal Primeira Edição

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Prédios públicos de Maceió, ocupados ao longo de décadas como sede de repartições federais e estaduais, estão completamente degradados, alguns até ameaçados de desabamento, como é o caso do Edifício Palmares, situado no Centro da capital, que por longos anos serviu de sede do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), recentemente transferido para Jatiúca.

Localizado na Praça Palmares fazendo esquina com a Rua Barão de Alagoas, o antigo prédio da Previdência Social foi desativado paulatinamente, com a transferência da repartição para a Av. Álvaro Calheiros, próximo ao Viaduto João Lyra (Jatiúca).

Há cerca de dois meses, a situação de completo abandono do

Edifício Palmares foi tema de reportagem do Primeira Edição, matéria que explorou a ocupação do prédio por famílias de sem-teto e o quadro de miserabilidade em que vivem seus ‘moradores’.

Com ampla repercussão na sociedade e na mídia, a reportagem informou a posição da prefeitura diante do problema: “Vamos levar essas famílias para um novo conjunto habitacional que está sendo construído no Tabuleiro do Martins”, adiantou porta-voz da Secretaria Municipal de Habitação.

CAMPUS TAMANDARÉ

Miguel Góes

Este foi o nome atribuído a campus da Universidade Federal de Alagoas, nos anos 70, quando a Ufal funcionava na estrutura cedida pela Marinha do Brasil, no Pontal da Barra.

Com a construção da Cidade Universitária no Tabuleiro (a reitoria ficou por anos funcionando na Praça Sinimbu, área central de Maceió) o prédio no Pontal acabou sendo ocupado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) a partir da década de 80, até a recente transferência para o novo complexo instalado na Via Expressa, próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal.

No Pontal, funcionava tudo: havia pista para testes de habilitação ao volante, pequenas oficinas de fabricação de placas automotivas, ‘cemitério’ de carros apreendidos, oficina mecânica, agência bancária e todas as divisões técnicas do Departamento de Trânsito. Uma ‘curiosidade’: os motoristas que se dirigiam ao Detran eram obrigados a deixar o final da Av. Assis Chateaubriand e entrar num trecho de flagrante contramão, já que o prédio onde funcionava o Departamento de Trânsito está localizado no lado esquerdo de quem vai para o Pontal da Barra.

Com a transferência do Detran, a estrutura pertencente à Marinha está lá, desocupada, e, apesar de nunca ter recebido os devidos cuidados em todos esses anos, ainda tem condições de ser recuperada para funcionar como repartição pública (inclusive como sede de uma Escola de Aprendizes de Marinheiros, projeto que está em estudo na Capitania dos Portos de Alagoas).

SEDE DO TCU

Romero Belo

O ‘antigo’ edifício-sede do escritório estadual do Tribunal de Contas da União é outro exemplo de prédio público transformado em pardieiro. Localizado no prolongamento da Av. Assis Chateaubriand, a estrutura foi construída com material ferroso de baixa qualidade, o que provocou sua contínua corrosão.

Ao longo dos anos, vários serviços de restauração foram executados até que a coordenação do TCU entendeu que não dava mais continuar e ali e providenciou sua transferência para um imóvel adquirido no Farol.

O grande erro: construir um prédio com material ferroso, de baixa qualidade, em plena orla marítima e numa área de fortíssima maresia, como é a região entre a praia do Sobral e o Pontal da Barra (que o digam os donos dos carros que eram apreendidos e levados para o depósito do Detran, no Pontal).

A situação desse prédio pertencente ao Patrimônio da União também foi, em edição recente, tema de reportagem publicada pelo Primeira Edição.

Quando estava para deixar o local, funcionário do escritório do TCU disse que o prédio seria oferecido para sediar alguma repartição pública, mas até hoje ninguém se interessou.

SEDE DA SEE

Primeira Edição

O caso da antiga sede da Secretaria Estadual de Educação (SEE) é um exemplo gritante de descaso com o patrimônio imobiliário do Estado. Desocupado desde 2012, quando a sede da SEE foi removida para uma dependência do Cepa, no Farol, o prédio está completamente degradado e, pelas últimas avaliações, dificilmente poderá ser recuperado.

Com as fortes chuvas caídas no início deste mês, parte do teto e da estrutura de alvenaria veio abaixo, exigindo a pronta intervenção de agentes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. A antiga sede da Secretaria de Educação era chamada de ‘prédio histórico’, o que agrava ainda mais o descaso com que ele foi tratado nos últimos anos. Além da degradação, o complexo foi vandalizado e passou a servir de refúgio de viciados em drogas. Na semana que passou, autoridades do governo já admitiam a total demolição do prédio para construção de um novo complexo para abrigar a Secretaria Estadual de Educação.

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