Exposição Arte do Povo apresenta uma coletânea de artistas alagoanos

04/08/2014 08:06

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Divulgação

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Como incentivador da cultura nas mais diversificadas linguagens artísticas, priorizando a valorização da arte e a valorização dos artistas, o Sesc lança no mês de agosto mais uma investida, desta vez, será A exposição Arte do Povo. A mostra traz uma coletânea dos artistas populares alagoanos, um ação que além de representar uma homenagem aqueles que estão presentes na memória cultural do país, tem o objetivo de democratizar o acesso do público ao acervo do Sesc. Aberto ao público, de 11 a 29 de agosto de 2014.

A exposição que é uma iniciativa da Coordenação de Cultura do Sesc Alagoas, trata-se de uma coletiva que contempla artistas visuais como: Ferreirinha, Ricardo Nascimento, Sil da Capela, Artistas da Família Manuel da Marinheira e Fernando da Ilha do Ferro, obras que ao longo da sua história o Sesc foi adquirindo e que agora disponibiliza para apreciação pública.

A mostra é dinâmica e interativa e, para despertar a atenção dos visitantes apresenta-se em caráter multimídia, com exibições de documentários (curtas-metragens) com temática da cultura popular; audição de músicas de artistas populares (que participaram do Projeto Memória Musical, gravados no estúdio do SESC); Café Literário (público convidado a recitar cordéis) e um cantinho da leitura com livros tendo um conteúdo sobre o saber e as histórias do povo.

SOBRE OS ARTISTAS

VICENTE FERREIRA DE LIMA - FERREIRINHA

Histórico: Vicente Ferreira de Lima, o Ferreirinha, era sanfoneiro, nasceu em Maceió, no dia 22 de maio de 1927. Começou a aprender sanfona aos 25 aos, e teve como incentivador e inspirador o sanfoneiro Pajaú do Sertão. Começou a tocar na noite, e na década de 60 montou o Trio Maceió. O trio fazia apresentações em arraiais, festas e eventos. Já gravou 02 CD´s. Ferrerinha também foi artista plástico, e começou a pintar no interior do Ceará, em Jurema. Trabalhou pintando a natureza, o folclore e o patrimônio cultura, em estilo naif. Participou da exposição "Entre cores e formas" no Museu Theo Brandão/UFAL recebendo pelo quadro "Guerreiro Alagoano" o Prêmio Gustavo Leite 2010. Faleceu em 11/04/2012.

RICARDO ALVES NASCIMENTO

Histórico: natural de São Miguel dos Campos, nasceu no dia 12 de dezembro de 1961, Ricardo trabalha com artes plásticas e escultura, utilizando-se da técnica Naif e primitiva. Com 10 anos de idade começou a se interessar pelo ofício, desenhando imagens da cultura popular. Após inúmeros cursos e oficinas de artes, participou do curso de Artesanato em Cerâmica organizado pelo SEBRAE e a desenvolver suas esculturas, vivendo exclusivamente do seu trabalho como artista. Participou de diversas coletivas e exposições em outros estados.

SIL DA CAPELA

Histórico: Sil nasceu no dia 14 de agosto de 1979, no município alagoano de Cajueiro, mas foi criada na zona rural do município vizinho, Capela. Filha de cortadores de cana, Sil trabalhou no corte da cana até os vinte anos de idade. A inquietação e o desejo por uma profissão e um trabalho levaram Sil a procurar o SEBRAE. Ali participou de várias oficinas: de bordado, de crochê e de tapeçaria. Um dia surgiu a oportunidade de participar de uma oficina com o barro; foi aí que ela encontrou pela primeira vez em sua vida o mestre João das Alagoas. Na primeira visita que fez ao ateliê do mestre já foi para ficar; “eu vi o trabalho dele e era tudo muito bonito... Ele deu muita oportunidade de eu começar e aprender”..., conta Sil. Deste encontro nasceu uma artista de notável talento, uma das melhores aparições da arte popular do Brasil dos últimos tempos. Ao longo dos anos Sil imprimiu um estilo próprio à sua obra. Sua experiência de vida e os costumes do seu povo são transmitidos às peças com um realismo e um esmero que impressiona.

MANOEL DA MARINHEIRA

Histórico: Manoel Cavalcanti de Almeida, mais conhecido como Manoel da Marinheira, foi um dos mais importantes escultores brasileiros que fez história na pequena Boca da Mata, Alagoas, a 68 Km de Maceió. Ele nasceu em 1917 e desde muito pequeno ajudava seu pai no trato da madeira, fazendo pequenos brinquedos para ele próprio. Seu pai, além de trabalhar na roça, fazia santos e figuras de animais em madeira. Foi aos 14 anos de idade que Manoel pegou escondido uma ferramenta do seu pai e fez sua primeira escultura, um coelho. Foi assim que tudo começou. Segundo seu filho André, o nome Marinheira começou com o avô, pai de Manoel. “Ele chegou em um navio e não quis mais sair daqui. Sua avó ficou conhecida como a Marinheira e quando meu pai nasceu, passou a ser o Manoel da Marinheira”. Usando como matéria-prima troncos de jaqueira, Marinheira conseguiu confeccionar durante anos de labuta centenas de peças, retratando animais da fauna brasileira, quase sempre em grandes proporções, com destaque para os felinos. O talento do artista fez com que suas obras o tornassem conhecido nacionalmente. Essa visibilidade começou no final da década de 60 quando o empresário Jorge Tenório passou a residir em Boca da Mata e a colecionar suas peças. Na década de 70, quando o fotógrafo Celso Brandão e o artista plástico Fernando Lopes conheceram o escultor, também passaram a se interessar pelos seus trabalhos e a divulgá-los junto a artistas e intelectuais.

FERNANDO DA ILHA DO FERRO

Histórico: Fernando da Ilha do Ferro, nome artístico Fernando da Ilha de Ferro, nasceu na casa mais antiga da Ilha do Ferro. Foi à escola, disse em depoimento a Celso Brandão (fotografo), mas nunca aprendeu a escrever o nome, embora dissesse entender as inscrições rupestres presentes na região. Na primeira mocidade trabalhou em roça, plantando arroz, milho, feijão. Personagem provocador, na vida como nas artes, tem um livro, ditado e transcrito, de estórias picarescas, lembranças de caçadas e malandragem. Filho de fabricante de tamancos iniciou-se nas artes produzindo pequenos objetos na oficina do pai. Aos 40 anos construiu sua primeira peça do mobiliário: uma espreguiçadeira. Nos anos 1970 retoma a profissão do pai, redesenhando os tamancos originais.

Em 1979 uma viagem ao Rio de Janeiro influirá também no seu percurso de inventor, pois já em 1980, de volta a casa, parte pra novas propostas, construindo o Bar Redondo, cujas mesas e bancos escultóricos deram início à sua carreira de escultor e designer de móveis. Bancos de sua autoria foram expostos em 1987, na mostra “Brésil, Arts Populaires”, no Grand Palais, Paris, e hoje estão na exposição permanente de arte popular do Centro Cultural de São Francisco, em João Pessoa, PB. Expôs no Museu de Arte Popular da Paraíba e na Casa Cor, São Paulo, em 2001, com prêmio para o ambiente do designer Arthur Casas, que incluiu a cadeira de três pés e espaldar alto de Fernando.

Participou da mostra “O Sentar Brasileiro” com 100 cadeiras e bancos, que inaugurou o novo Museu de Curitiba, de Oscar Niemeyer, onde três peças suas foram colocadas na sala principal ao lado dos móveis dos irmãos Campana. A presença de Fernando contribuía para a revelação gradual da Ilha do Ferro como um centro de criação habitado por numerosos artistas.

SERVIÇO

Exposição Arte do Povo

Local: Unidade Sesc Centro

Data: 11 a 29 de agosto de 2014

Horário: 12h às 18h

Para agendamento de escolas e grupos interessados entrar em contato pelo fone: 3326-3133. (Falar com Sara, Kelcy ou Alvaro)

Primeira Edição © 2011