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Morre menina de 6 anos queimada em ataques a ônibus

06/01/2014 11:18

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Reprodução TV Mirante

Ana Clara Sousa morreu nesta segunda, devido às queimaduras

A menina Ana Clara Santos Sousa, de 6 anos, uma das cinco vítimas dos atentatos a ônibus e a delegacias em São Luís, não resistiu aos ferimentos e morreu às 6h50 desta segunda-feira, 6. Ela era apontada como a paciente em estado mais grave entre os feridos nos ataques de organizações criminosas registrados na capital maranhense desde sexta-feira, 3. A criança teve 95% do corpo queimado, chegou a ser operada e colocada em ventilação mecânica na UTI Pediátrica do Hospital Estadual Juvêncio Matos. A mãe de Ana Clara e a irmã mais nova também sofreram queimaduras no atentado ao ônibus na Vila Sarney e estão internadas em hospitais diferentes de São Luís.

Os ataques são considerados uma consequência da crise do sistema penitenciário do Maranhão. No domingo, o Ministério da Justiça ofereceu vagas em presídios federais para isolar os presos que, de dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, estariam ordenando as ações criminosas. Desde o ano passado, 62 detentos foram mortos dentro do presídio.

Também nesta manhã, a Polícia Militar do Maranhão anunciou que prendeu mais seis acusados de participar dos atentados a ônibus e delegacias em São Luís, capital do Estado. Com essas novas detenções sobe para 17 o número de suspeitos de participar das ações criminosas. Dois deles são adolescentes.

Os seis homens foram detidos durante uma operação policial na Vila Sarney e agora também deverão ser denunciados por homicídio pela morte da criança. Quando foram detidos, os suspeitos estavam escondidos em um matagal. Eles são apontados como os criminosos que organizaram e executaram o único ataque que deixou vítimas: o que resultou no incêndio de um ônibus na Vila Sarney e deixou, na ocasião, cinco pessoas feridas, entre elas Ana Clara, sua mãe e irmã e dois adultos.

A versão da polícia é corroborada pelo fato de um dos detidos apresentar queimaduras pelo corpo. Os nomes destes seis acusados não foram divulgados. Eles deverão ser apresentados junto com outro homem preso acusado de participar do atentado à 8º Delegacia de Polícia, localizado no bairro da Liberdade, conhecido como uma das áreas disputadas por facções criminosas ligado ao tráfico de drogas.

Vítimas. Segundo os últimos boletins médicos divulgados pelos hospitais onde quatro vítimas seguem internadas, uma delas ainda corre risco de morte. Todas ainda recebem cuidados médicos intensivos.

A menina Lorane Beatriz Santos, de 1 ano e 5 meses, irmã de Ana Clara, apresenta queimaduras em 20% do corpo: pernas e braço esquerdo. O quadro clínico, divulgado pelo Hospital Estadual Infantil Juvêncio Matos, é estável e ela encontra-se em um leito de isolamento da enfermaria pediátrica.

A mãe das duas crianças vitimadas, Juliane Carvalho Santos, de 22 anos, está com 40% do corpo queimado, permanece internada em unidade intermediária de outro hospital e foi submetida a curativo cirúrgico no domingo, 5. Ela e os outros adultos estão internados em outro hospital da capital, Tarquínio Lopes, que é a unidade hospitalar de referência para tratamento de queimados na capital.

Abiancy Silva dos Santos, de 35 anos, está internada na enfermaria, com queimadura de segundo grau em membro superior direito e abdome, quadro clínico estável e também passou por procedimentos cirúrgicos.

Já Márcio Ronny da Cruz Nunes, de 37anos, tem queimaduras em 72% de seu corpo e está internado em UTI em estado grave. Márcio foi descrito por testemunhas como um herói por ter sido ele quem retirou a menina de 6 anos de dentro do ônibus incendiado na Vila Sarney.

Segundo as testemunhas e parentes da vítima, Márcio Ronny, que é pai de cinco filhos, voltava do trabalho, onde atuava como entregador de frango abatido, quando o ônibus em que estava foi parado pelos bandidos. Ele teria conseguido sair a tempo, antes dos bandidos atearem fogo ao veículo, porém ficou para ajudar Juliene e as filhas a escaparem.

"A calça que ele vestia estava encharcada de gasolina. Ele me falou que só demorou a sair porque estava tentando salvar as crianças. Uma delas ele retirou do ônibus. Acho que foi a menina de 6 anos. Ele sempre cuidou bem dos filhos e acho que, por isso, agiu assim. Se não tivessem as crianças, ele teria saído logo", conta a irmã, Maria da Conceição Nunes, que é cobradora de ônibus.

Operação. No domingo, a polícia maranhense montou uma grande operação na cidade, envolvendo 400 PMs e 150 policiais civis, para conter a onde de ataques e atentados. Segundo a Polícia Militar, as ações também são uma resposta aos argumentos do Sindicato dos Rodoviários do Maranhão, que, alegando falta de segurança, impediu a circulação de ônibus em São Luís na noite de sábado e domingo, o que deixou a cidade sem transporte coletivo desde as 18h nos dois dias.

Na manhã desta segunda-feira, 6, apesar de os coletivos retornarem às ruas a partir das 6 horas, houve confusão. Muitos ônibus passaram fora do horário e houve briga entre passageiros para conseguir um lugar.

"Todas as vezes que o ônibus atrasa é uma disputa para quem precisa bater ponto. É uma guerra para embarcar. Tem gente que puxa outros passageiros, tem empurra-empurra na hora de embarcar. Muito difícil. No retorno para casa será a mesma coisa, porque os cobradores e motoristas disseram na viagem que vão parar às 18 horas hoje também", cotou a doméstica Cláudia Nascimento, que precisa tomar duas conduções para chegar ao trabalho.

Nesta terça-feira, 7, uma reunião entre representantes do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Maranhão (STTREM), Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de São Luís (SET) deve avaliar a possibilidade de retorno da circulação da frota à noite.

Houve uma tentativa de reunião organizada pela cúpula da PM, ainda no sábado, porém os rodoviários não enviaram representantes para negociar. Nesta manhã, representantes da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão tentarão uma nova reunião com rodoviários e empresários do segmento para discutir a situação e tentar evitar nova paralisação dos coletivos.

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  • Roberto F. Bastos 06/01/2014

    Esses tipos e outros de agressões e bandinagens no Brasil. só irão acabar qdo a Justiça resolver juntos com os deputados e senadores federais e outros políticos resolverem acabar com os indultos e visitas íntimas. Só no Brasil que existe isto. Ou será que os políticos tbm são bandidos? Muda Brasil.

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