Mostra exibe documentário ‘’Tabuleiro de Cana, Xadrez de Cativeiro’’

Evento foi realizado nesta terça-feira no Museu da Imagem e do Som de Alagoas

30/07/2013 15:00

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Agência Alagoas

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“Tabuleiro de Cana, Xadrez de Cativeiro”. Esse foi o título do documentário exibido na manhã desta terça-feira (30) no Misa (Museu da Imagem e do Som de Alagoas), na IV Mostra de Cinema realizada pela Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, por meio do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP/AL). O curta é uma produção da Comissão Pastoral da Terra, de Alagoas, e tem como tema central o trabalho escravo. Também participou do evento Djalma Pedro, que relatou sua experiência quando trabalhou nos canaviais.

A secretária Kátia Born disse que os relatos são importantes para observar de forma melhor os trabalhadores rurais. “Se prestarmos atenção na qualidade do trabalho e como eles são tratados, não ficam a dever nada à questão do trabalho escravo, então uma coisa se confunde com a outra”, afirmou Kátia. “É preciso que as delegacias regionais do trabalho mapeiem cada vez mais os profissionais que vivem do corte da cana para sobreviver e sustentar suas famílias, além de fiscalizar os registros desses profissionais. Com o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, damos mais condições para que os outros órgãos fiscalizem juntos conosco”.

Djalma Pedro sentiu na pele esse tipo de escravidão e viveu momentos difíceis em sua vida quando criança e adolescente. “Comecei a cortar cana aos nove anos e parei com quinze, foi quando decidi não querer mais aquele sofrimento para minha vida. Acho que me enquadro no tráfico de pessoas: imagina uma criança estar em um canavial sem ter o que comer. Ou chupava a cana ou comia farinha seca; às vezes eu e meu pai dividíamos uma sardinha”, contou ele. “Não tive infância e o tráfico humano para mim é toda forma de marginalização principalmente quando os seus direitos são negados’’.

Um dos produtores do documentário, Carlos Lima, que também é coordenador da CPT (Comissão Pastoral da Terra), disse que já viu o filme centenas de vezes e sempre se emociona. “São depoimentos tão verdadeiros, tão fortes, que cada vez que assisto a esse filme ele me revela tantas outras coisas que parece ser inesgotável”, declarou Lima, emocionado.

Estiverem presentes profissionais da rede de atendimento a vítimas de violência, parceiros de trabalho no enfrentamento ao tráfico de pessoas, integrantes de movimentos sociais, estudantes, Mulheres da Comunidade, trabalhadores rurais do município de Joaquim Gomes, entre outros.

Primeira Edição © 2011