PF prende 30 por envolvimento com grupos de extermínio na PB

09/11/2012 15:39

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Folha Online

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A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (9) 30 agentes de segurança, entre policiais militares, civis e agentes penitenciários, suspeitos de pertencer a três grupos criminosos que atuavam em municípios da Grande João Pessoa, na Paraíba.

As prisões e os mandados de busca e apreensão fazem parte da operação Squadre, que envolveu cerca de 400 policiais federais e contou com o apoio do Ministério Público e da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social da Paraíba. Outros 15 mandados de prisão deverão ser cumpridos até o fim da tarde.

Entre os presos, estão 12 policiais militares --incluindo um major e dois capitães--, dois delegados da Polícia Civil, dois agentes penitenciários, um funcionário do Detran, policiais civis, além de pessoas sem ligação com a segurança pública.

De acordo com superintendente da PF na Paraíba, delegado Marcelo Diniz Cordeiro, os três grupos atuavam de forma independente, mas estavam interligados pelo tráfico ilegal de armas e munição. As quadrilhas praticavam também lavagem de dinheiro, extorsão e corrupção, segundo as investigações.

ACERTO DE CONTAS

Segundo o superintendente da PF, a primeira quadrilha atuava como grupo de extermínio e era composta por policiais militares, civis e um agente penitenciário, além de civis, e assassinava presos e ex-presidiários como forma de fazer acerto de contas.

"Acreditamos que o grupo tenha participado de pelo menos quatro homicídios, mas vamos cruzar os dados do inquérito com informações da Secretaria de Segurança e da Polícia Civil para averiguar se esse número é ainda maior", explicou Cordeiro.

O segundo grupo era comandado por oficiais da PM, o major Gutemberg e o capitão Nascimento, e realizava segurança privada ilegal em estabelecimentos comerciais usando o nome de uma empresa de segurança que está no nome da mulher de um dos militares envolvidos. "Eles prestavam segurança em postos de gasolina e supermercados, mas a empresa era de fachada. Os funcionários que faziam a segurança recebiam armas de fogo, mas não tinham nenhum tipo de treinamento", destacou o superintendente.

O grupo ainda é suspeito de crimes financeiros e lavagem de dinheiro e contava com a participação de um delegado da Polícia Civil preso na operação, que auxiliava com a liberação de presos.

A terceira quadrilha era formada por policiais civis, militares e um agente penitenciário, que atuava extorquindo traficantes de drogas, assaltantes de banco e outros criminosos. Os mandados foram cumpridos em João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo, Mari, Alhandra, Cajazeiras e Campina Grande. Outros foram realizados em Recife e Petrolina (PE), onde um preso também faria parte do grupo de extermínio, atuando de dentro do presídio.

Os presos ainda não apresentaram advogados de defesa e não deram nenhuma declaração sobre as acusações.

O comandante da Polícia Militar da Paraíba, coronel Euller Chaves, garantiu que as denúncias serão apuradas por inquéritos na instituição. Afirmou que, se ficar configurada a transgressão disciplinar, os suspeitos serão julgados por conselhos da PM. "Em até 90 dias, ficará estabelecido se eles poderão continuar ou não como policiais", disse Chaves.

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