Cremesp negará registro de médico a quem boicotar exame, diz presidente

09/11/2012 15:13

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G1

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Os formandos de medicina que entregarem em branco a prova do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em boicote ao fato de o exame ter se tornado obrigatório a partir deste ano, não receberá o registro de médico, requerido para a prática da profissão.

De acordo com Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp, o conselho tem autoridade para negar o registro a todas as pessoas com diploma de medicina, mas que não apresentem o comprovante de comparecimento e preenchimento do exame.
"A obrigatoriedade é de o aluno comparecer para o exame e realizar a prova, é isso que a resolução diz."

A prova será realizada a partir das 9h deste domingo (11) em diversos locais de prova do estado. Segundo a assessoria de imprensa do Cremesp, 2.530 formandos de escolas de medicina de São Paulo se inscreveram para o exame, além de 394 formandos de outros outros estados brasileiros.

O presidente do órgão disse ao G1 que acredita que "100% dos que estão se formando [em faculdades paulistas] se inscreveram". Segundo ele, quem perder a prova poderá justificar a ausência, que será avaliada pela plenária do Conselho.

Ainda segundo Azevedo Júnior, quem fizer o exame, mas for reprovado --para passar, é necessário acertar 60% das questões--, receberá o registro, já que a obrigação é fazer a prova, e não ir bem nela. Ao contrário da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Cremesp não tem autorização legal para negar a permissão de trabalho nesse caso. Porém, um projeto de lei tramita no Congresso para mudar esse cenário.

No caso de estudantes que preencham o cartão de respostas marcando a mesma letra para todas as questões, Azevedo afirma que o Cremesp ainda não tomou uma posição. "Isso vai ser analisado pelo [departamento] jurídico à medida que acontecer", disse. Azevedo diz esperar que poucos formandos deixem de participar do exame. Pelo menos 80 deles, estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), decidiram em outubro boicotar a prova.

Recorde de escolas de medicina
Segundo o presidente do Cremesp, o Brasil é "campeão do mundo em escolas de medicina". Com 197 faculdades com cursos de ensino superior na área, o país ganha de nações como Estados Unidos, China e Rússia. "Só perdemos pra índia, com 210 escolas.

Mas a Índia tem um bilhão de habitantes", afirma.
São Paulo é o estado com o maior número de escolas: atualmente são 37, e sete delas foram autorizadas pelo Ministério da Educação entre janeiro e novembro. De 2011 até agora, o crescimento de faculdades autorizadas foi de 23,3%.

"O exame tem dois objetivos principais. Primeiro fazer uma avaliação mais completa e real, baseado na realidade, do atual estágio da formação do médico no estado de São Paulo, dar subsídios para as escolas poderem se aprimorar, melhorar nos pontos fracos. E também promover uma discussão na sociedade em relação à qualidade da formação de médico", afirmou Azevedo Júnior.

A maior parte das faculdades novas, segundo ele, não tem condição de ensinar os estudantes a serem médicos. "Não tem hospital-escola, não tem professor qualificado, uma turma com grande número de alunos e, principalmente, não tem avaliação adequada. O aluno que entra na faculdade se forma, não tem reprovação, retenção... Mesmo o médico mal formado acaba se formando."

Sobre o exame do Cremesp
O exame foi criado em 2005 e passou a ser obrigatório em 2012, devido a "queda acentuada na qualidade do ensino médico", segundo nota oficial do Cremesp. A partir deste ano, o aluno que não responder às questões do teste será impedido de obter registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Na prova que será aplicada no domingo, os formandos terão que responder a 120 questões de conhecimento cognitivo dividias por área do conhecimento.
Para ser aprovado, o candidato deve acertar 60% das questões. A segunda fase do exame --uma prova prática com simulações em computador-- ainda não tem data marcada.

Primeira Edição © 2011