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'Cebolinha' da vida real é pintor em Mogi das Cruzes

Amigo de Mauricio de Sousa inspirou personagem da Turma da Mônica

09/11/2012 16:19

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G1

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Divulgação

Seu Cebola e o boneco personagem dos gibis

Aos 64 anos, ele não fala mais "elado" nem leva cascudos nas ruas de Mogi das Cruzes. Os cabelos também não são mais arrepiados. Mas o senhor de cabeça meio calva continua sendo conhecido pelo apelido que, nos gibis, o tornou famoso. Luiz Carlos da Cruz, inspiração para o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, diz sentir muito orgulho da homenagem feita pelo cartunista Mauricio de Sousa.

Mas nem sempre foi assim. "Naquela época você não podia ter apelido. Quem era apelidado apanhava da mãe e do pai em casa. Eu quase não tinha cabelo, ai o Mauricião (pai do cartunista Mauricio de Sousa) criou o apelido. Os meninos na rua só me chamavam de Cebola. Eu não gostava", conta.

Cruz, que trabalha como pintor autônomo na cidade do Alto Tietê, ainda lembra da infância na região. Aos 7 anos, ele e os amigos brincavam nas ruas do bairro São João. Além dele, outros dois meninos da turma viraram personagens da história em quadrinhos: Horácio e Cascão, que, na vida real, também não gostava nada de tomar banho depois de jogar bola na terra vermelha.

Seu Cebola, como é chamado hoje, se recorda dos carrinhos de rolemã e das divertidas partidas de futebol pelos campinhos. O cabelo espetado ganhou forma quando criança, isso porque a mãe tentava penteá-los usando banha de porco. Para manter os fios abaixados, a mãe colocava uma meia de mulher na cabeça do menino.

Hoje, ninguém o reconhece pelo nome de batismo. A única pessoa que ainda o chamava de Luizinho era sua mãe. Seu Cebola diz que só estudou até a 2ª série do ensino fundamental e que atualmente trabalha como pintor em uma Universidade em Mogi das Cruzes. "Até hoje tenho a língua um pouco presa, mas só troco o 'r' pelo 'l' quando fico nervoso e, às vezes, quando escrevo meus orçamentos de pintura. Nessa hora, só minha mulher entende", afirma, em entrevista feita pelo G1 em sua casa, no Rodeio.

Ele se considera um sujeito retraído. Teve, porém, de driblar essa timidez e se acostumar com a fama, após o personagem Cebolinha ficar conhecido mundialmente. Seu Cebola fez diversas participações em programas de TV com Mauricio de Sousa, foi tema de um trabalho de conclusão de curso de uma universidade e já tirou muitas fotos. "Os quadrinhos até hoje são muito educativos, mostram as brincadeiras de verdade. O que marcou minha infância foram as brincadeiras na rua e sem elas o Cebolinha não seria o Cebolinha."

Se depender dele, o apelido não deve "morrer". Em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, vive seu filho, que já possui o mesmo apelido. "Se você chegar em São Sebastião e procurar por Carlinhos ou Luiz Carlos, que é o nome do meu filho, ninguém conhece. Mas se perguntar pelo Cebolinha, todo mundo sabe quem é. Minha maior alegria é essa. Se eu morrer agora, meu filho vai manter esse apelido por um bom tempo."

O 'mogiano' Mauricio de Sousa

O cartunista Mauricio de Sousa mantém uma relação estreita com Mogi das Cruzes. "Para mim, a cidade é um grande berço, onde passei minha juventude, tive meus namorinhos, o carinho da familia lá onde morávamos, na Rua Ipiranga. Foi lá que passei minha infância jogando bolinha de gude", lembra o cartunista.

Além de ter proporcionado momentos marcantes, Mogi das Cruzes também serviu de inspiração para Mauricio de Sousa criar um outro personagem para as tiras publicadas originalmente no jornal "Folha da Manhã". O carismático Chico Bento foi baseado em um tio-avô do cartunista que vivia na Serra do Itapety.

Sobre o Cebolinha, diz que a ideia de criar o personagem surgiu por causa das brincadeiras de rua entre seu irmão mais novo, Márcio de Souza, com Cruz na época. Para o cartunista, havia a "carga humana" ideal para um "bom personagem".

Mauricio de Souza diz que há tempos não vê o amigo e brinca que ele ainda troca as letras, sim. "Nos falamos pela última vez em um dia que eu precisei ir até Mogi e não sabia chegar no endereço. Por causa disso, liguei para ele me explicar, mas confesso que não consegui entender muita coisa porque ele ainda trocava bastante as letras", diz, aos risos.

Mauricio mora em São Paulo, a 60 km de Mogi das Cruzes. Mas está obrigatoriamente na cidade a cada dois anos. É que ele mantém o município como domicílio eleitoral. "Eu não transferi meu título de eleitor de propósito. Por isso sou obrigado a estar em Mogi das Cruzes para votar."

 

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