Candidato de 66 anos que faz Enem 2012 no RS diz ter "dívida moral" com filhas já formadas

04/11/2012 09:02

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Com cerca de 5 mil candidatos espalhados em quatro prédios, o campus da Fapa (Faculdades Porto-Alegrenses) começou a receber os alunos que farão o segundo dia de provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2012 na capital gaúcha. Entre eles, o aposentado Jorge Campos da Silva, 66, é "calouro" no Enem. Ele quer tentar uma vaga nas licenciaturas de letras, geografia ou história. “Tenho uma dívida moral com minhas cinco filhas, todas formadas”, justificou.

O aposentado calcula que poderá terminar a licenciatura com 70 anos. “Acho que ainda terei energia para encarar uma sala de aula, né?”, comenta. No primeiro dia, Silva considerou a prova “acessível”. Neste domingo, espera melhorar o desempenho devido à redação. “Por causa da idade, tenho muito mais coisa pra contar do que essa gurizada aí”, disse o aposentado.

Deficiência visual
A estudante Franciele Brandão, 25, faz psicologia numa universidade privada e tenta o Enem para se candidatar a uma bolsa do Prouni. A acadêmica perdeu completamente a visão aos 18 anos. Para fazer a prova, ela fica sozinha num sala com dois monitores que leem todas as questões para ela e marcam a opção indicada pela candidata na folha de respostas. Um fiscal, além disso, acompanha todo o processo.

“É muito complicado porque eu dependo da interpretação dos monitores. Para explicar uma questão de geometria, por exemplo, a dificuldade aumenta muito”, relata a deficiente visual. Acompanhada da amiga Caroline e de boa parte da família, Franciele chegou ao segundo dia de prova meia hora antes da abertura das salas. Devido à deficiência, ela tem direito a uma hora a mais de prova.

Na redação, mais problemas: Franciele precisa ditar todo o texto para que as monitoras transcrevam o conteúdo na folha de resposta. A candidata reclama que aplicar a mesma prova para deficientes visuais é injusto. “Nosso teste deveria ser diferente e adaptado à nossa necessidade, mas o MEC (Ministério da Educação) nunca foi sensível à essa reivindicação”, disse.

Mesmo assim, ela acredita que fez uma boa prova no primeiro dia. A mesma dificuldade é sentida pelo adolescente Giovani Tigre, 17, que tem deficiência auditiva congênita. Ele também fica isolado em uma sala e, apesar de não ter dificuldade pra entender a prova, é acompanhado por dois fiscais.

“Eles estão ali para auxiliar em caso de interpretação duvidosa. O nível de compreensão de um deficiente auditivo é muito diferente de uma pessoa sem problema de audição”, explica a mãe do candidato, Rosângela Constantino. Estudante do 1º ano do ensino médio, Giovani está fazendo o Enem pela primeira vez como teste.

 

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