Fundação homenageia notáveis da luta por anistia

Premiados receberam comenda e medalha

29/08/2012 14:58

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Márcio Ândrei

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Na data em que o Brasil celebra 33 anos de conquista pela vitoriosa promulgação da Lei da Anistia, 28 de agosto de 1979, em nome da memória e história do Menestrel Teotônio Vilela, aMárcio Ândrei Fundação Teotônio Vilela, por meio da presidente Janice Vilela, fez uma justa homenagem à Mércia de Albuquerque Ferreira (in memorian), representada pela prima Eliane Aquino, jornalista e Chefe do Núcleo de Comunicação do Governador Teotonio Vilela Filho, Eduardo Davino e José Costa, advogados, por relevantes serviços prestados à causa da liberdade política no país. Os homenageados receberam o título de Comendador Teotônio Vilela e medalha, de mesmo nome, no Memorial Teotônio Vilela à beira mar de Pajuçara.

Mércia de Albuquerque

Márcio Ândrei Mércia de Albuquerque Ferreira (in memorian) nasceu em Jaboatão, Pernambuco, passou a infância e a adolescência em Alagoas, entre São José da Laje e Maceió. Formada em direto, foi uma importante advogada de presos políticos, atuante no Nordeste e no Rio de Janeiro, em cerca de mil processos em favor de liberdade política. Em 1964 se envolveu com um caso que viria a se tornar emblemático da repressão militar ao comunismo. Assistiu o líder comunista Gregório Bezerra ser preso e arrastado por um carro pelas ruas do bairro Casa Forte, em Recife, onde assumiu a defesa do caso, iniciando aí uma incisiva participação como advogada da cidadania e dos direitos humanos durante e após a Ditadura Militar. Por coragem a atuação contra a repressão política foi presa 12 vezes. Em Recife, Mércia tinha um apartamento que funcionava como asilo político para muitos de seus clientes. Por abraçar e confortar a família de cada um, a advogada tinha essa característica como um dos diferenciais em relação aos amigos de trabalho. Mércia atuou na defesa de vários políticos alagoanos nesta época, como Maria Ivone Loureiro, Odijas, Denis Agra, José Thomaz Nonô, Luiz Nogueira, Ronaldo Lessa, entre outros.

Eduardo Davino

Nascido em Maceió, Eduardo Davino começou a militância política nos movimentos estudantis em São Paulo e Rio de Janeiro. Participou ativamente da greve dos bondes no Rio de Janeiro; foi preso e cassado pelo AI-5, quando de sua atuação no Sindicato dos Trabalhadores da Petrobras. Corajoso, jovem, levava com ele o impulso natural da justiça social e da igualdade de direitos, sem temer enfrentar militares de quaisquer patentes.Márcio Ândrei

Chegou a arquitetar e foi um dos executores de um plano para dar fuga a uma jovem militante de esquerda, alagoana de Anadia, Lúcia Pedrosa, do DOPS em Maceió; Eduardo contratou duas jovens para distrair os dois policiais que faziam a guarda da detenta; elas levaram um “lanche” para os militares, com suco “adoçado” com soníferos, e conseguiram fugir com a moça; Eduardo tratou de mandar as jovens “passear” por algum tempo longe de Maceió e garantiu a Lúcia uma ida tranquila a Salvador.

Com o fim da ditadura militar, Eduardo Davino se engajou na coordenação de dois movimentos que deram clareza ao retorno da democracia brasileira: a campanha pelas Diretas Já e a Anistia Política.

José Costa

José de Oliveira Costa, nasceu em Palmeira dos Índios, formado em direito iniciou a careira de advogado em 1961, atuando na área criminal onde dedicou boa parte de suas atividades profissionais à defesa de presos políticos e de cidadãos que, de alguma forma, foram vítimas de atos discricionários do regime militar.

Márcio Ândrei Eleito deputado federal em 1974, passou a integrar o Grupo Autêntico do partido, que tinha como foco o restabelecimento do estado de direito democrático, que passava pela revogação de todas as leis de exceção, a que o País estava submetido ; fim da tortura e execuções de adversários do regime militar; anistia ampla, geral e irrestrita para os brasileiros exilados mundo afora, presos políticos e acusados em processos criminais com base na Lei de Segurança Nacional; eleições diretas para presidente da República , governadores e prefeitos das capital; fim da censura ao rádio, tv , jornais, etc., e, ao final , a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte para o restabelecimento pleno do Estado de Direito Democrático.

O advogado foi reeleito deputado federal em (1978-1981) e deputado federal constituinte (1987-1990). Nos trabalhos de elaboração da Constituição de 1988 foi presidente da Subcomissão do Poder Judiciário e do Ministério Público e membro da Comissão de Sistematização. É advogado militante há 51 anos.Márcio Ândrei

Primeira Edição © 2011