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Brasil 'cheio de charme' oferece ajuda de olho em negócios na África, diz 'NYT'

08/08/2012 22:18

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BBC Brasil

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Divulgação

Projeto da Odebrecht em Angola, onde a empresa brasileira é uma das principais empregadoras.

O Brasil está ampliando negócios e ganhando influência na África "ao oferecer ajuda e empréstimos", diz o jornal americano New York Times (NYT) na sua edição desta quarta-feira.

O jornal diz que o governo brasileiro busca uma projeção "mais influente" no mundo desenvolvido - e está de olho no atraente "apelo dos negócios na África" - com uma série de inciativas "cheias de charme".

"Em Moçambique, o governo brasileiro está abrindo uma fábrica que produz remédios antirretrovirais para combater a epidemia de Aids. O Brasil está emprestando US$ 150 milhões ao Quênia para que este construa estradas e ruas para aliviar o trânsito na capital, Nairóbi. Em Angola, a emergente potência petrolífera da África Ocidental, um novo acordo de segurança visa expandir o treinamento de militares angolanos no Brasil", diz o 'NYT'.

De acordo com o jornal, as iniciativas têm rendido frutos e a troca comercial entre as regiões aumentou de US$ 4,3 bi em 2002 para US$ 27,6 bi em 2011.

"Brasil, que tem mais afro-descendentes do que qualquer outro país fora da África, está aumentando significativamente o seu perfil no continente, construído sob os laços históricos dos tempos do império português", relata o jornal.

O New York Times diz que a maioria das investidas brasileiras acontecem em países onde se fala português, como Angola, onde a empresa Odebrecht está entre os maiores empregadores, e Moçambique, onde a Vale começou um projeto em minas de carvão no valor de R$ 6 bi.

"Já que o Brasil não precisa importar grandes quantidades de petróleo e comida, seus planos na África são diferentes dos de outros países procurando maior influência por lá", analisa o jornal.

"Os projetos de expansão se baseiam em esforços para aumentar oportunidades para empresas brasileiras, que algumas vezes trabalham juntas com o governo brasileiro no oferecimento de ajuda".

No entanto, a reportagem pondera que os programas brasileiros de comércio e ajuda ainda estão atrás dos da China e dos Estados Unidos.

A Agência Brasileira de Cooperação gasta 55% de seus recursos com países africanos e o Brasil tem aumentado a quantidade de embaixadas na região, lembra o jornal. O país espera abrir a 37ª embaixada no continente no Malauí ainda este ano.

No entanto, o New York Times diz que esta aproximação Brasil-África vem com algumas complicações, como a crítica internacional ao estreitamento de relações com líderes acusados de violação de direitos humanos, como o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo.

Outro problema mencionado na reportagem são as notícias de agressões e ofensas sofridas por estudantes africanos que fazem intercâmbio no Brasil. Incidentes que, na visão do jornal, "complicam o mito da 'democracia racial' que antes prevalecia" no país.

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