Cães terapeutas ajudam na socialização de crianças autistas e grupos 'especiais'

'Focinhos Terapeutas' é um projeto de extensão universitário do CESMAC

05/07/2012 09:08

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Jessica Pacheco

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Para grupo especiais, nada mais justo do que terapeutas especiais. É com essa máxima que o projeto de extensão universitário do Centro de Ensino Superior CESMAC, ‘Focinhos Terapeutas’, coordenado pela professora Maja Kraguljac, vem realizando um trabalho de socialização e interação com crianças autistas, obesos, idosos e pessoas em tratamento contra o câncer. O projeto tem pouco mais de um ano de existência, mas o saldo já é considerado positivo tanto para quem o recebe quanto para os próprios profissionais.

Segundo a coordenadora do projeto, Maja Kraguljac,  professora do curso de Educação Física do CESMAC, a ideia de desenvolver um projeto que unisse a atividade física com os animais de rua é antiga, mas apenas em 2011 foi possível colocá-lo em prática.

TV Primeira EdiçãoO ‘Focinhos Terapeutas’ é desenvolvido como um projeto de extensão universitária, e atualmente recebe ajuda de custo do CESMAC através de bolsas de extensão. No caso das crianças autistas também há colaboração por parte dos pais, contudo, com os resultados positivos, viu-se a necessidade de ampliar os trabalhos e, dentro de alguns meses, o Focinhos Terapeutas passará a ser uma organização não governamental (ONG).

“A movimentação é grande, o projeto está surtindo  resultados positivos em todos os aspectos”, disse Maja. “Nós começamos com as crianças autistas, agora já estamos com um grupo de pessoas obesas e atendemos a 70 idosos do Lar São Francisco de Assis. Agora, vamos começar com um grupo de apoio ao câncer”, enumerou a professora. “A nossa equipe está na faixa de 10 a 12 pessoas e nós estamos recebendo novos estagiários. Além disso, a gente está em criação da ONG, e até o final de agosto estará formalizada”, descreveu.

Maja disse já contar com a colaboração de sete ‘cães terapeutas’ e outros três animais estão em treinamento.Com a evolução do Projeto ‘Focinhos Terapeutas’ a tendência é aumentar  o número de animais terapeutas e voluntários ‘para atender a demanda’.

“Isso tudo gera custos e nós precisamos de recursos. É carro para carregar os animais, a maioria dos voluntários não tem carro, taxista não coloca animal dentro do veículo, é uma dificuldade. Custo com gasolina, veterinário”, explicou a coordenadora. “O animal terapeuta tem um custo para o dono, pelo menos, três vezes maior que um animal normal”.

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De acordo com a professora, o projeto que começou apenas no curso de Educação Física, já conta com voluntário do curso de medicina veterinária, e está no aguardo de pessoal de enfermagem e psicologia.

“Somos um grupo multifuncional, multiprofissional, que trabalha em conjunto”, vibrou.

Os animais

TV Primeira EdiçãoComo já havia adiantado, o ‘Focinhos Terapeutas’ conta com sete cães, que já foram de rua, mas estão totalmente tratados, vacinados, vermifugados, adestrados e socializados.

“Nós trabalhamos com animais que foram resgatados das ruas, mas que estão totalmente recuperados. Esse sempre foi o foco do projeto, trabalhar com os animais de rua”, explicou. “Todo animal tem que passar por atendimento veterinário. Passa também por um treinamento de adestramento e de socialização. Os animais são escolhidos a dedo para participar desse projeto”, finalizou.

Além desses sete, outros três cães já iniciaram treinamento e tratamento para entrar no grupo de cães terapeutas.

AMA - Associação das Mães Amigas dos Autistas

O Portal Primeira Edição participou de um dia de terapia com os cães terapeutas com crianças autistas na sede da Associação das Mães Amigas dos Autistas.

O autismo é uma alteração comportamental que afeta a capacidade da pessoa comunicar, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente que a rodeia.

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“Hoje em dia, o autismo não é considerado nem uma doença, mas um conjunto de fatores que irão influenciar o individuo. Muitas vezes já começam na infância, em se isolar do mundo e nesse isolamento, ele cria o seu mundo e vive perfeitamente nele”, explicou a professora.

Há pouco mais de um ano, o Projeto Focinho Terapeutas é desenvolvido com as crianças da AMA e os progressos que os cães terapeutas têm alcançado com as crianças é notório.

TV Primeira Edição“O Elian tinha muitos problemas de interação, linguagem, e desde que o pessoal do Focinhos Terapeutas começou a trabalhar aqui na AMA, tanto ele como as demais crianças começaram a ter muitas evoluções, de interação social, eles se sentem mais a vontade com o cão e isso vai estimulando a interação com as demais crianças”, disse Letícia Siqueira, mãe do menino Elian.

De acordo com a mãe do menino, desde que os cães passaram a freqüentar o lugar, Elian está mais solto, mais sociável e comunicativo e só tem progredido.
 

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